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Rod Stewart, 75 anos: a voz versátil do rock

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21/06/2020 07h06

Marcelo Moreira

Futebol e rock sempre andaram juntos, mas poucas vezes um se imiscuiu de forma acachapante na área do outro. Todo mundo lembra que os irmãos Noel e Liam Gallagher (ex-Oasis), atualmente brigados, são fãs do Manchester City e fazem questão de ir ao estádio quando podem – mas separdamente. Ou que Gavin Rossdale, do Bush, foi um atacante razoável quando garoto e já atuou no cinema como o capitão da seleção inglesa que perdeu para os Estados Unidos por 1 a 0 na Copa do Mundo de 1950.

Também está no passado o fato de que Elton John foi o proprietário e presidente por anos do Watford, time da Grande Londres que vai e volta da segunda divisão inglesa. Entretanto, nenhum roqueiro viveu mais o futebol do que o cantor Rod Stewart, que chegou aos 75 anos de idade nesta sexta-feira, 10 de janeiro.

O futebol tem tanto espaço na autobiografia do cantor quanto a música e os casos amorosos – três casamentos, três uniões estáveis e oito filhos, e ainda contando…

O livro do cantor rouco foi lançado no Brasil há alguns anos pela GloboLivros e deve ser reeditado aqui e no exterior justamente por conta do cinquentenário da carreira solo e dos 75 anos de idade.

O livro é um achado, pois está recheado de bom humor e autodepreciação. É mais bem escrito do que se poderia imaginar. Stewart não economiza nos relatos constrangedores de muitas situações, expõe muitos de seus erros na vida pessoal – e foram vários -, reconhece-os, mas o faz com tal ternura e respeito pelas pessoas envolvidas que torna  sua autobiografia um livro bastante legal de ler.

Jogador frustrado, músico promissor

Roderick David Stewart completou 75 anos é um dos artistas mais ricos da Grã-Bretanha. Ambicionando ser um roqueiro desde os 15 anos, decidiu se dedicar ao projeto seriamente dois anos depois após uma frustrada tentativa de entrar para o time juvenil de futebol do Brentford, na Grande Londres, que quase nunca sai da quarta divisão.

Arranhando a gaita e o violão, passou por alguns grupos obscuros até conhecer o cantor Long John Baldry e dividir com ele os vocais em sua banda. Entre 1964  e 1967 gravou alguns singles que, para sua sorte, fracassaram.

Cantou com alguns artistas e em várias bandas efêmeras até conhecer o guitarrista Jeff Beck em um show de Jimi Hendrix em meados de 1967. Um sabia da existência do outro e assim decidiram montar o Jeff Beck Group.

Beck era o chefe, mas quem montou a banda foi Stewart, chamando os amigos Ron Wood (guitarrista que aceitou tocar baixo) e Mick Waller (baterista com cara de nerd). Foram dois anos intensos, com dois álbuns gravados, turnês estupendas e frequentes rusgas com o temperamental guitarrista.

A proposta para ser um artista solo surgiu em 1968, quando ele ainda estava com Beck. Foram algumas tentativas para produzir as primeiras gravações, até que finalmente o Jeff Beck Group implodiu em 1969.

Foi um pouco difícil, mas naquele ano ele finalizou o primeiro álbum, "The Rod Stewart Album" (na Inglaterra, o álbum se chamou "An Old Raincoat Won't Ever Let You Down"), que só chegaria às lojas em 1970.

 

Procura-se uma banda

Amicíssimo de Wood, bebiam sem parar enquanto prensavam no que fazer da vida. Rod tinha agora uma carreira solo, mas não tinha banda. O que fazer e por onde começar? O cantor precisava de material autoral para continuar.

De repende, Wood some. O amigo começa a procurar nos bares de Londres e o descobre ensaiando em um porão de um prédio que servia de depósito para os Rolling Stones.

Stewart chega e vê um quarteto ensaiando e bebendo muito. Ronnie Wood "emprestou" sua guitarra para a banda Small Faces, que tinha perdido o guitarrista e vocalista Steve Marriott, que foi para o Humble Pie ao lado de Peter Frampton.

Por algumas semanas Stewart ficou sentado ao lado do teclado de Ian McLagan, bêbado e entendiado, vendo os ensaios indo a lugar nenhum.

Meio de saco cheio daquela indefinição, o baixista Ronnie Lane, um pouco bêbado, fioca irritado com a cara de tédio de Rod e grita: "Acorde, seu tonto, e venha cantar algo para ver se sai alguma coisa."

A contragosto, Stewart, que era fã dos Small Faces, levantou-se e cantou alguma coisa. E depois cantou blues antigos de Muddy Waters.

A noite terminou no pub da vizinhança com Stewart obrigado a aceitar o posto de cantor na nova banda surgida no porão: The Faces, um quinteto que durou até 1975, gravou quatro álbuns em paralelo à carreira solo de Rod Stewart e que chegou a rivalizar em venda de ingressos para shows nos Estados Unidos com Rolling Stones, Led Zeppelin e The Who.

Livre dos companheiros, finalmente assumiu que sozinho tinha mais chances e explodiu como astro nos anos cinco anos seguintes apostando no pop comercial por excelência e enfileirando hits atrás de hits.

O sucesso perdurou até 1985, quando as vendas começaram a cair e ele decidiu enveredar por outros caminhos musicais, epsecialmente clássicos da música norte-americana.

Visitou o jazz, o blues, a soul music, o country e virou atração de shoes em cassinos e navios nos Estados Unidos, ater que veio a reinvenção com a série de quatro CDs "The American Songbook", a partir de 1997. Foi um sucesso estrondoso cantando standards do jazz e do blues, vendendo milhões de CDs e DVDs.]

Stewart é um dos cantores mais influentes da história do rock. Sua voz rouca e marcante e seu jeito peculiar de interpretar, por mais que sempre afirme ser timido por natureza, foram imitados de todos os jeitos e por todo o tipo de artista. Ainda está na ativa, mas reduziu o ritmo. Afinal são muitos filhos e netos pequenos para tomar conta, certamente ao som de "Hot Legs" ou da magnífica "Maggie May".

 

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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