Combate Rock http://combaterock.blogosfera.uol.com.br O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Wed, 22 Jan 2020 22:00:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 All You Need – em busca dos quatro fabulosos em Liverpool – parte 3 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/all-you-need-em-busca-dos-quatro-fabulosos-em-liverpool-parte-3/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/all-you-need-em-busca-dos-quatro-fabulosos-em-liverpool-parte-3/#respond Wed, 22 Jan 2020 22:00:34 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=30189 Airton Gontow – do site Coroa Metade e publicado originalmente no site Terceiro Tempo

O passeio começa com um subir de escadas, ladeadas por faixas históricas e repletas de dizeres como Liverpool, The Cream of Europe (“Liverpool, a nata da Europa) de sua fanática torcida que não festeja um título de campeão inglês desde a temporada 1989/90, ainda pela Primeira Divisão, já que a Premier League surgiu apenas dois anos depois, mas que comemorou este ano a sexta conquista da Champions.

Guias também experientes e engraçados, ao menos para quem, como este repórter, aprecia o humor inglês, levam o turista para conhecer as diversas dependências de Anfield, em um padrão muito parecido com o que vimos em outros estádios durante o tour pelo futebol inglês.

Marcante ver expostos no vestiário reservado aos times adversários os uniformes de grandes jogadores que enfrentaram o clube, como Buffon, Xavi, Iniesta, Cristiano Ronaldo, Henry, Messi e o craque do Jardim Irene, capitão do Peta, Cafu; assim como estar no vestiário do clube inglês junto aos “armários” de Mané, Salah e dos brasileiros Alisson, Fabinho e Firmino.

Ainda no vestiário, um vídeo, apresentado pelo técnico Jürgen Klopp, conta a história do clube. Na sequência, um imenso salão traz painéis com fotos e frases dos grandes treinadores que marcaram época na história dos Reds, como Bob Paisley, o técnico que mais venceu grandes títulos pelo Liverpool; Joe Fagan, Kenny Dalglish (There is no one anywhere in the world at any stage who is any bigger or any better than this football club – “Não há ninguém em qualquer lugar do mundo e em qualquer patamar que é maior ou melhor do que este clube de futebol”), Gérard Houllier, Rafael Benitez (Before, I said that they were maybe the best supporters in England. Now, maybe they are the best supporters in Europe – “Antes, eu dizia que eles eram talvez os melhores torcedores da Inglaterra. Agora, talvez sejam os melhores torcedores da Europa.”) e, claro, Bill Shankly.

Em toda a parte do estádio e também no museu do clube há muitas referências aos seis títulos de campeão europeu conquistados nas temporadas de 1976/77, 1977/78, 1980/81, 1983/84, 2004/2005 e 2018/19. O Liverpool é o maior vencedor inglês da competição europeia, seguido pelo Manchester United, com três conquistas (1967/68, 1998/99 e 2007/08).

Anfield Road, o estádio do Liverpool (FOTO: MARIA PEREIRA GONTOW)

Não havia brasileiros flamenguistas e são-paulinos no grupo. Pena! Ficaram tristes e ao mesmo tempo orgulhosos ao perceber que não há referências às finais de mundiais perdidas.  Em 81, com antológica atuação de Zico, o rubro-negro carioca venceu por 3 a 0.

Em 2005, na maior atuação da vida de Rogério Ceni, o tricolor paulista ganhou por 1 a 0. Em 84, o time inglês foi derrotado pelo Independiente da Argentina (em 77 e 78, os Reds desistiram de disputar o título). 

Na entrada do museu, antes de começar a galeria de troféus, fotos e uniformes, um fato surpreendente: as primeiras “peças” trazem a primeira maquete do Anfield e um uniforme, também antigo, do maior adversário da cidade, o Everton.

Uma plaqueta informa que foi um presente dado pela equipe rival: “Anfield foi a casa do Everton de 1884 a 1892. O primeiro jogo do Everton foi disputado aqui em 27 de setembro de 1884, derrotando o Earlstown FC por 5 a 0”.  Exemplo de que civilidade e precisão histórica podem andar juntos com a paixão.

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A imprensa ateroriza o poder e os fascistas, e isso é muito bom http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/a-imprensa-ateroriza-o-poder-e-os-fascistas-e-isso-e-muito-bom/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/a-imprensa-ateroriza-o-poder-e-os-fascistas-e-isso-e-muito-bom/#respond Wed, 22 Jan 2020 18:41:47 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=30503 Marcelo Moreira

Reprodução da capa da edição brasileira do livro “Liberdade de Expressão: Dez Princípios para Um Mundo Interligado”, de Timothy Garton Ash

Os atentados à liberdade de expressão se tornaram a evidência do desespero dos detentores do pode em todos os níveis no Brasil.

A estapafúrdia peça de denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald, do The Intecept, feita por um lamentável membro do Ministério Público Federal, demonstra que não há mais pudor na guerra cultural travada peo ultraconservadorismo.

Greenwald está sendo atacado porque divulgou documentos comprometedores contra o ministro da Justiça, Sérgio Moro, na época em que este era juiz federal responsável pelos julgamentos da Operação Lava Jato.

Mesmo sem ser indiciado, se robjeto de investigação e munido de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que proibia ser investigado, o jornalista de The Intercept foi denunciado no inquérito que apura as ações de supostos hackers contra autoridades diversas.

A ação judicial contra o jornalista, que será rejeitada por absoluta inconformidade com a lei, é o exemplo de como os embates se darão daqui para a frente.

Aproveitando-se de um factoide e do apoio acrítico e sem noção de uma horda de ignorantes, os ultraconservadores e aspirantes a fascistas tentarão de todas as formas usar artifícios supostamente legais para derrubar os “adversários na imprensa para escamotear o pojeto autoritário e os resultados cada vez mais negativos de um governo nefasto e incompetente.

Sem imprensa livre não há democracia; sem democracia não há liberdade; sem liberdade não existe vida. E quando vemos pressoas próximas supostamente com algum nível de instrução defender prisão de jornalista e o cerceamento da imprensa apenas por esta fazer o seu trabalho é sinal de que a doença se espalhou rapidamente.

E a coisa fica muito mais preocupante quando vemos músicos apoiando esse tipo de comportamento, justamente quem é alvo preferencial da guerra cultural travada pelas forças das trevas, ou seja, e o cachorro defendendo a carrocinha.

E o nosso rock, cada vez mais conservador e omisso, parece não se preocupar com o que acontece em nosso triste país que não da a mínima para o avanço autoritário de um pensamento medonho, asqueroso e medieval. Pouquíssimos se incomodaram com a fala nazista do ex-secretário de Cultura do governo federal.

Essa omissão, que infelizmente é geral, foi denunciada em ótimo artigo do colunista Anderson França no jornal Folha de S. Paulo no dia 21 de janeiro.

Certeiro, criticou duramente artistas de sertanejo, pagode, axé, funk e celebridades de YouTube que ignoraram solenemente a lamentpavel passagem de tal secrretário pelo governo, alguém que tinha o firme propósito de combater a “arte degenerada”, m típico pensamento nazista.

Assim como os roqueiros, artistas de todos os calibres e contas bancárias se omitiram diante do vergonhoso escândalo nazista na cultura nacional.

Covardes ou pragmáticos – ou os dois -, os tais artistas mais proeminentes dos gêneros musicais citados mantiveram o silêncio pela conveniência dfe manterem contratos publicitários e pela inconveniência de se meterem em uma polêmica que “não leva a nada, já que é muito barulho por nada”, como li em diversos perfis de redes sociais – de gente anônima e de gente famosa. Uma gigantesca vergonha.

No fundo essa galera asquerosa é adesista e oportunista, sempre pronta a agradar os poderosos da vez e garantir gordos contratos com prefeituras, governos estaduais e patrocinadores conservadores que têm horror a qualquer tipo de polêmica e crítica política, para não falar no medo constante do “poder” dos evangélicos ligados às piores seitas – aqelas medievais que se chama no direito de se meter na vida das pessoas e de regulamentar seus comportamentos.

O rock acabou de fora do texto de França por conta do aprofundamento do undergrond em q ueo gênero se encontra – ou de sua irrelevância em relação à popularidade dos artistas vasculhados pelo articulista.

Mas não nos enganemos: o texto cabe perfeitamente para a imens amaioria dos artistas de rock e metal da atualidade. Roqueiros e metaleiros hoje são tão ou mais conservadores do que os sertanojos, pagodeiros e funkeiros – a diferença é a conta bancária magra e uma “cena” devastada e sem perspectivas.

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Notas roqueiras: Cova Rasa, Ignited, Sumerian Project… http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/notas-roqueiras-cova-rasa-ignited-sumerian-project/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/notas-roqueiras-cova-rasa-ignited-sumerian-project/#respond Wed, 22 Jan 2020 14:50:26 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=30079

Cova Rasa (FOTO: DIVULGAÇÃO)

– Cova Rasa, formado por Jayme Danko (vocal e guitarra), Gustavo Fassina (guitarra), Edu Milani (baixo), Daniel Werneck (bateria) e Flavio Sallin (teclados), apresenta o lyric video de “Saga de um Justiceiro”.  O single dá uma prévia do segundo álbum da banda, “Cruzando Infernos”, produzido por Marcello Pompeu e Heros Trench e agendado para sair em janeiro. “Como banda, nossa ideia sempre foi a de contar histórias de forma concisa e diferente, mostrando que, apesar de mais difícil, é possível fazer isso em português. No caso de ‘Saga de um Justiceiro’, a letra conta a história de um ‘matador de bandidos’ chamado de Armando Sá, o ‘Carcará’, que enfrentava o crime fazendo justiça com as próprias mãos. Algo não muito usual, mas inspirado em histórias do cotidiano. Cruel e sanguinária, como a Cova Rasa gosta de contar”, explicou Jayme Danko. Confira o lyric video de “Saga de um Justiceiro”, criado em formato HQ pelo designer gráfico Paulo Coruja (Cracker Blues), em https://youtu.be/aVHjX5RS5z0

– A banda Ignited acaba de liberar o belíssimo lyric vídeo da música Times. O vídeo já se encontra disponível no canal de YouTube da Ignited e pode ser conferido logo abaixo: https://www.youtube.com/watch?v=2yhtLcnoRuI. A letra de Times fala sobre buscas e conquistas, objetivos de longo prazo que podem ser alcançados com muita determinação e dedicação, revela o guitarrista, Dalton Castro.

 – Criada para ser um projeto que mescla música pesada com conceitos baseados em literatura ufológica, a banda Sumerian Project, que tem o baterista Maycon Phantoms como seu criador e principal compositor, lançou no fim de 2019, o videoclipe oficial da música “Humannaki”. O clipe foi produzido e dirigido por Michel Vilares (M&H Studio). Assista Humannaki: https://www.youtube.com/watch?v=_qzdwN3flmI

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Politicamente correto, uma ‘ferramenta’ de ataque e de mão dupla http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/politicamente-correto-uma-ferramenta-de-ataque-e-de-mao-dupla/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/politicamente-correto-uma-ferramenta-de-ataque-e-de-mao-dupla/#respond Wed, 22 Jan 2020 09:47:26 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=29947 Marcelo Moreira

O politicamente correto está, já faz algum tempo, em cruzada firme para matar a liberdade de expressão e de opinião. Tem fracassado na maioria das vezes, principalmente quando “respaldado” por argumentos ideológicos retrógrados ou de origem religiosa igualmente estapafúrdios.

Em tempos bolsonaros, quando muita gente sente orgulho da própria ignorância – quando não burrice -, o tal politicamente correto serve de instrumento covarde e pusilânime para agressões estapafúrdias.

Não é uma ferramenta inútil, já que teve serventia e, em muitas situações, coloca freio a preconceios e discriminações. Até mesmo explica muita coisa para gente noção e desinformada.

Entretanto, de mãos dadas com a ignorância e com a falta de respeito, o politicamente correto também serve para  atacar, ainda que de forma atabalhoada, a crítica nas áreas de cultura, artes e espetáculos, tanto em jornais como na internet.

Parece existir uma regra não escrita de que é proibido falar mal de qualquer coisa e de alguém, e que tudo precisa ser sempre relativizado, e que a tal “contextualização” serve como muleta para toda e qualquer justificativa para que se não se fale mal de uma obra de arte.

Os exemplos vão do mais simples e rasteiro – legiões de fãs inconformado com críticas negativas a seus ídolos – ao mais pedante e arrogante pseudointelectualismo de boteco movido a tintas malcheirosas de ideologia burra e ultrapassada – a situação absurda, como anos atrás ocorreu em relação ao “patrulhamento” em cima do suposto conteúdo racista de algumas obras de Monteiro Lobato – foi considerado por alguns como um escritor racista e preconceituoso.

Se a internet revolucionou a forma de como o ser humano lida e obtém informação, também mudou para pior a forma de como as pessoas discutem e debatem. A internet jogou o debate na lata do lixo em grande parte dos assuntos relevantes em qualquer parte do mundo.

Transformou-se em uma enorme cracolândia (parafraseando o sábio jornalista Décio Trujillo Júnior), onde a desqualificação virou o principal argumento de discussão – e ferramenta obrigatória de indigentes intelectuais e culturais para mascarar a própria ignorância.

Ter opinião é pecado no século XXI dominado pela tecnologia, pela web e pelas redes sociais. A crítica negativa de um disco ou um livro é apedrejada de forma inacreditável apenas por ser negativa – com a interatividade, leitores/internautas travam um debate de baixíssimo nível, como se o ídolo fosse unanimidade e inatacável.

Não se respeita mais na internet e nos jornais o direito de jornalistas, críticos e especialistas respeitados, com pelo menos duas ou três décadas de ofício, de opinar.

Ninguém diverge, contesta ou discorda com educação ou argumentos. Diverge-se, contesta-se e se discorda com ameaças e agressões verbais de todos os tempos. É um movimento inaceitável de cassação do direito de criticar e opinar.

Tal quadro desalentador é observado de forma mais acentuada na política e na área de cultura popular, particularmente na música.

O anonimato e a distância tornaram a covardia e a agressão gratuita ferramentas essenciais para a imposição de ideias ou para protestar de forma a intimidar articulistas ou especialistas de todos os matizes.

Os ataques veementes e constantes contra a opinião e a crítica, quase sempre de forma tola, vazia e inconsequente, instauraram um clima de inquisição na internet.

Mais do que a arquibancada violenta de um Fla-Flu ou um Corinthians e Palmeiras, qualquer crítica ao trabalho de certos artistas vira motivo para um autêntico linchamento moral e ético contra o autor.

Vários textos do Combate Rock ao longo do tempo foram alvo de leitores enfurecidos e atormentados por conta de críticas aos trabalhos de gente como Mutantes, Nirvana, Raul Seixas, Legião Urbana, Restart, Charlie Brown Jr e Los Hermanos, entre outros.

Agora são os textos que publicamos em defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão, a favor das artes e da cultura e contra a onda ultraconservadora de inspiração fascista que domina o Brasil bolsonaro.

Parte expressiva dos “comentários”, em língua com algum parentesco com o português, abusou de xingamentos, desqualificações rasteiras e protestos estéreis contra os autores. Em nenhum momento chegaram perto de argumentar com algum nível de decência o objeto da questão – as críticas em si.

 

Acreditar que toda essa várzea é o retrato da internet é um equívoco tremendo e uma injustiça para com a imensa maioria de pessoas sérias e que usam a web com prudência e inteligência.

No entanto, não há como ignorar a sensação de que é justamente a cracolândia é que domina o ambiente virtual, tanto em português como em qualquer língua. A precarização e o baixo nível não são privilégio dos brasileiros.

Ainda assim, é assustadora a indigência intelectual que dominam fóruns e páginas de opinião de blogs, portais e sites brasileiros. Nem é o caso de mencionar os ambientes esportivos dedicados ao futebol, onde o clima de arquibancada é compatível com a ausência de educação e inteligência na maioria das vezes – na verdade, parece que isso é requisito básico para tais ambientes.

O desconhecimento total da função de jornalistas e críticos revela de forma inequívoca o elevado grau de desinformação do público em geral, evidenciando, por outro lado, um viés extremamente perigoso: a intolerância para com a divergência, a diversidade e a diferença.

Não são poucos os iletrados que “questionam” o papel do jornalismo, da mídia e da imprensa, chegando à petulância de dizer (ou seria “determinar”) o que um jornalista deve ou não escrever, e como tem de escrever. “Jornalista não pode dar opinião” é apenas a mais frequente dos lixos publicados em páginas de comentários em grandes portais de internet.

O baixo nível predominante na internet e a incapacidade – ou recusa – de compreensão de qualquer texto opinativo é um indicativo preocupante de uma tendência autoritária que predomina no grande público – algo bastante comum em ambientes de discussão política, seja de direita ou esquerda, igualmente de níveis baixos de inteligência, cultura e tolerância.

A tentativa de imposição de uma “homogeneização” de pensamento artístico-cultural – onde o politicamente correto, a ausência de senso crítico e a esterilidade de ideias predominam – é inócua, mas não menos desalentadora.

Qual o sentido de opinar, criticar, debater e pensar em um ambiente que repele a vida inteligente, onde o que interessa é a futilidade e o entretenimento mais rasteiro e pueril que existe?

Levar luz às trevas? Por mais que intelectualmente seja tentador, essa motivação é pedante demais. Satisfação pessoal? Egoísta demais.

O fato é que críticos, colunistas e jornalistas especializados são cada vez mais lidos na internet, seja em blogs pessoais ou em espaços próprios em grandes portais ou portais de grandes jornais.

Portanto, eis a maior vitória da vida inteligente na internet: criticados, desqualificados, xingados e até ameaçados, mas cada vez mais lidos em um verdadeiro mar de mediocridade.

É maior prova de vida inteligente na web – prova incontestável de que críticos, colunistas e jornalistas especializados serão sempre cada vez mais necessários.

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Notas roqueiras: Matanza Inc, Karnak, Hiënaz… http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/notas-roqueiras-matanza-inc-karnak-hienaz/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/notas-roqueiras-matanza-inc-karnak-hienaz/#respond Wed, 22 Jan 2020 00:08:41 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=30495

– Após confirmar apresentação dia 08 de fevereiro do Matanza Inc na cidade do Rio de Janeiro, a organização do Garagen’ Roll, confirma outras grandes atrações para o evento. Os nomes de Norte Cartel, SuperSonido e Involuntaruim, serão bandas convidadas a se apresentar como premier antes do Matanza Inc. O evento será realizado na zona norte da cidade, mais especificamente no Divino Bar. O Matanza Inc prepara uma apresentação com várias músicas de seu mais recente álbum lançado, Crônicas do Post Mortem: Um Guia para Demônios e Espíritos Obssessores, e claro, a inclusão de clássicos antigos da banda que os consagraram como um dos maiores nomes do rock brasileiro. Vários Merchandising da banda estarão sendo vendidos no dia do evento. Os ingressos já estão à venda e pode ser adquiridos pelo valor de R$20,00 no site da Sympla (https://www.sympla.com.br/matanza-inc-no-garagen-roll-edicao-profano).

– O primeiro material derivado do potente disco de estreia da Hiënaz, Ulular (lançado em novembro de 2019), é um videoclipe para a música “Selva Sideral”, já totalmente gravado. A previsão é que a produção, que dialoga com conceitos de saúde mental e ansiedade urbana, seja oficialmente lançada nas primeiras semanas de fevereiro. Com roteiro e direção do quarteto paulistano de stoner rock junto a Victor Gorgatti e o Victor Cutrale, da Domínio Media Craft, o clipe trabalha com estruturas subjetivas, oníricos. Onirismo, em medicina, refere-se a um estado mental que costuma ocorrer em síndromes confusionais e é constituído por um conjunto de alucinações visuais, interagindo entre si e com o ‘sonhador’ enquanto está acordado. Escute em https://spoti.fi/2OdQ8TP.

– Nos dias 24 e 25 de janeiro, a Comedoria do Sesc Pompeia recebe a banda Karnak com seu show “Nikodemus”. Com 27 anos de estrada, o grupo paulistano se apresenta às 21h30 na quinta-feira e 18h30 na sexta-feira. Do primeiro show em 1992 até 2002, o grupo esteve na estrada pelo Brasil e exterior – Summerstage no Central Park em Nova York, Parc de La Villette/ Paris e cidades no Canadá. Depois seus integrantes se envolveram em trabalhos solos, mas sempre voltam a se reunir uma vez por ano para comemorar o aniversário da banda e manter acessa a alma karnakiana. O show ópera-rock Nikodemus apresenta novas músicas onde a banda toca os sucessos que marcaram época como “Alma Não Tem Cor”, “O Mundo”, “Juvenar” e “Comendo Uva na Chuva”. A históriaTudo começa quando uma garotinha de 9 anos narra uma história através da ópera rock Nikodemus. Nikodemus é um  gênio que cria os objetos que ainda não existem, mas um dia vai existir. O Rei Nikodemus tem que enfrentar o maléfico Bomb Bad Ratus, um sujeito mau caráter e suas traiçoeiras artimanhas pelo jogo do poder.  Para contar essa história, a banda produziu uma ópera rock  em 5 partes inspirada num clássico do gênero como Tommy/ The Who, somado a pitadas karnakianas de Zappa e a mixologia sonora contundente de André Abujamra.

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All You Need – em busca dos quatro fabulosos em Liverpool – parte 2 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/all-you-need-em-busca-dos-quatro-fabulosos-em-liverpool-parte-2/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/all-you-need-em-busca-dos-quatro-fabulosos-em-liverpool-parte-2/#respond Tue, 21 Jan 2020 20:00:38 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=30187 Airton Gontow – do site Coroa Metade e publicado originalmente no site Terceiro Tempo

A chegada ao The Shankly Hotel (diárias a partir de £82 – www.shankyhotel.com), a sete minutos para quem vai a pé da estação de trem, é o pontapé inicial do passeio pelo mundo do futebol inglês, que no Brasil não por acaso apelidamos de “Esporte Bretão”.

É impressionante ver o hotel erguido em homenagem a um herói que nunca jogou pelo Liverpool nem pelo Everton, as duas principais equipes da cidade. O local é uma ode ao ex-treinador escocês Bill Shankly, que comandou o Liverpool por incríveis 15 temporadas, entre as décadas de 50 e 70.

Tudo o hotel é dedicado a ele. Ou melhor, quase tudo, já que os quartos surpreendentemente dão um descanso ao olhar e não têm nada que se refira ao treinador e ao futebol.  Em praticamente todas as salas há referências às conquistas e trajetória de Shankly. No teto, uma linha do tempo conta sua história.

Nos corredores, taças, faixas, painéis fotográficos e bolas antigas revelam momentos marcantes da carreira do lendário treinador escocês, mas também em seu período anterior, como jogador, como as medalhas que recebeu. No hall de entrada e em diversas outras áreas, há frases impactantes ditas por Shankly, como Liverpool was made for me and I was made for Liverpool  (“O Liverpool foi feito para mim e eu fui feito para o Liverpool”)  e Although I´am a Scot, I”d be proud to be called a Scouser (“Apesar de eu ser escocês eu ficaria orgulhoso de ser chamado de liverpoolzense”).

Também no The Bastion – Bar e Restaurante do hotel, há objetos por toda a parte, que dividem a atenção de hóspedes e torcedores que assistem aos jogos enquanto comem os pratos, sanduíches e petiscos e bebem coquetéis ou cervejas inglesas. O nome do local é uma referência a outra famosa frase de Shankly: My idea was to build Liverpool into a bastion of invincibility (“Minha ideia era construir o Liverpool em um bastião de invencibilidade”).

No The Bastion chama a atenção o banheiro masculino onde três baldes de diferentes tamanhos foram transformados em mictórios. Ao lado do primeiro balde, pequeno, está escrito: “para o começo da noite”. Junto ao segundo, de tamanho médio, há a plaqueta “para o meio da noite”. E no terceiro, bem grande, para ser utilizado após muitos comes e bebes, especialmente bebes, está assinalado “para o final da noite”.

Capa do primeiro single dos Beatles

Chegar ao Anfield Stadium emociona quem é apaixonado por futebol.  O antigo estádio inaugurado em 1884 foi reformado e ampliado para 54.074 lugares em 2016, mas ainda tem aquela atmosfera de lugar histórico onde ocorreram batalhas, derrotas e conquistas épicas, ao contrário do que aconteceu com muitos estádios brasileiros que perderam a identidade. Na chegada, há uma estátua de Bill Shankly, o que reafirma sua posição de um dos grandes ídolos da história do clube.

Mais que a escultura, chama a atenção a frase com o lema da torcida estampado junto o portão de entrada estádio: You”ll Never Walk Alone (“Você Nunca Caminhará Sozinho”), quase um segundo hino, cantado pela torcida na entrada em campo, durante os jogos e muitas vezes após as partidas, seja nas vitórias, seja nas derrotas.

Por aproximadamente duas horas, ao preço de £20 (www.liverpoolfc.com), o turista tem a oportunidade de conhecer todo o estádio, em um passeio bem programado, que reúne história e emoção, impactante até mesmo para quem não é torcedor do time. O grupo é relativamente pequeno, cerca de 30 pessoas, de “todos” os cantos do planeta.  Impossível não pensar em brincar com o nome da guia que recebe o grupo: “Chelsey”. Rápida e experiente, ela se antecipa: “vejam, sou a Chelsey e não a Chelsea. É bom não confundir…”

 

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Notas roqueiras: Vanguart, Teoria do Amor Moderno… http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/notas-roqueiras-vanguart-teoria-do-amor-moderno/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/notas-roqueiras-vanguart-teoria-do-amor-moderno/#respond Tue, 21 Jan 2020 14:53:37 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=29827

Vanguart (FOTO: DIVULGAÇÃO)

– Após lançar um elogiado tributo a Bob Dylan, o Vanguart retorna sua veia autoral com o novo single “Sente”. Escrita pelo baixista e vocalista Reginaldo Lincoln, a música, que traz temáticas recorrentes ao grupo, como a saudade, passagem do tempo e reflexões existenciais. “A música vai para um lugar um pouco novo em termos de arranjos e percepções. Ao mesmo tempo que o instrumental segue uma linha mais folk, traz uma coisa mais leve e sutil, mais para baixo, sem ser triste”, destaca Reginaldo, que é acompanhado dos vanguarts Helio Flanders (voz, piano, trompete) e Fernanda Kostchak (violino), além de Kezo Nogueira (bateria e percussão) e Fábio Pinczowski (órgão e metalofone), que assina a produção junto com os membros da banda. No clipe, os três músicos passeiam pela Ladeira Porto Geral, no centro de São Paulo, enquanto interagem com pedestres e tocam seus instrumentos em versões de brinquedo. Filmado em plano-sequência e em preto e branco, o vídeo foi dirigido por Paulinho Caruso. “Sente” é um lançamento da gravadora Deck já disponível nos aplicativos de música. Veja on clipe em https://www.youtube.com/watch?v=ZaXnc1xz0mU

– “Rua Augusta”, terceira e última faixa do EP recém-lançado, se tornou o novo clipe da banda Teoria do Amor Moderno. Assista aqui: https://youtu.be/jJOSP7CqGWw. Como sugere o título da música, o clipe foi rodado na emblemática rua Augusta, reduto boêmio e festeiro de São Paulo. Larissa Alves (vocal e guitarra), William Sales (baixo e backing vocal) e Maurício Rios (bateria) contracenam junto ao versátil ator Lucival Almeida numa história dinâmica e divertida, mas que deixa um recado importante: nunca aceite nada de estranhos! O clipe foi rodado em um único domingo, das 9 às 23 horas, entre cenas em locações externas, claro, na rua Augusta, e internas.

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Nazismos e bolsonaros: a luta agora é para preservar a democracia http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/nazismos-e-bolsonaros-a-luta-agora-e-para-preservar-a-democracia/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/nazismos-e-bolsonaros-a-luta-agora-e-para-preservar-a-democracia/#respond Tue, 21 Jan 2020 09:50:08 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=30461 Marcelo Moreira

O local escolhido era uma uma esquina relativamente remota de um bairro da zona leste de São Paulo, mais próximo do centro. “Eu me divirto com essa gente ‘chique’ e posuda’ da Mooca e do [Jardim Anália] ‘Canalha’ Franco que odeia dizer ou assumir que mora na zona leste”, disse rindo o homem de cabelo branco, barrigudo e septuagenário, vestindo uma uma camisa retrô da antiga seleção de futebol da Alemanha Oriental.

O bar escuro e com TV desligada – a pedido nosso – tinha decoração alusiva aos anos 70. Tinha dgarrafas de refrigerantes antigas, quadros alusivos a propagandas de revistas da época e aparelhos diversos – máquinas fotográficas, TV preto e branco, luquidificador, telefones e muito mais badulaques.

Por mais esquisito e fora de moda, era um local cult e vazio, no meio da tarde, o que nos interessava. “O bar é do meu ex-genro, aquele tonto de camiseta regata branca. Boa gente, embora não consiga formular uma frase sem 18 erros de português. Ele me tolera, ao contrário da minha filha, mas acho que tenho sorte.”

Clay, apelido que ganhou por espezinhar o ex-pugilista Cassius Clay (que mais tarde torcaria de nome para Muhammad Ali) – “sempre achei que ele atrapalhava a causa negra por sua arrogância e falta de tato” – é professor universitário aposentado de ciências sociais na rede privada de ensino de São Paulo.

Formado pela USP e com mestrado na mesma universidade, se aventurou pelo jornalismo nos anos 70, mas abandonou. “Até hoje jornalista acha que sabe tudo e que é o centro de tudo, tem mania de tentar descobrir as causas de tudo o tempo todo. É incapaz de entender que não dá para compreender tudo com dois ou três telefonemas e criar teses em cima disso.”

Nunca gostou de rock, mas tocou em duas bandas progressivas porque sabia um pouco de violino. “Acho o rock uma bosta, limitado e autoindulgente, mas alguém inventou de me chamar para tocar violino numa praia tipo Gentle Giant, Van der Graaf Generator, que é legalzinho, e King Crimson, que é muito bom. Eu era péssimo, mas no começo ninguém percebeu. Depois não deu mais para disfarçar.”

Capa do livro ‘Van Der Graaf Generator – The Book’, sobre uma das bandas que influenciaram as bandas de Clay e que o levaram a tocar volino no rock paulistano (FOTO: REPRODUÇÃO)

Um grande especialista em União Soviética e totalitarismo, pediu para não tivesse o nome identificado e nem o local da conversa anunciado. “Quero evitar problemas para o meu ex-genro. Tem muito pleonasmo por aqui e ainda me relaciono com muita gente do meio acadêmico (pleonasmo, para ele, é o eufemismo para conservador/bolsonarista burro, ele explicou).”

Apesar de sua especialidade, a conversa giraria em torno das recentes manifestações nazistas surgidas dentro do governo federal. Ele tinha informações mais ou menos privilegiadas porque seu filho e seu atual genro são filiados ao PSL paulistano, ex-partido de Jair Bolsonaro. Não bastasse essas desgraça familiar, ainda são evangélicos fanáticos do pior tipo.

“Você tem sorte, fala que sua filha, que é inteligente, não gosta de ler e de rock ainda”, ele comenta comigo. “Ela só tem 10 anos. Meus filhos não gostam de ler e não sabem ler até hoje, com quase 40”, ri gostosamente a respeito do casal que há anos não conversa com o pai. “Eles são fracassados e me culpam por isso. Cresceram rodeados de livros, discos, filmes, professores e de cultura, mas optaram pelas trevas. E a culpa é minha?”

Apesar do rompimento, ainda term alguma relação com alguns dos quatro netos e com pessoas que rodeiam a família afastada. Na verdade, ele sabe coisas demais. Supõe que quase tudo seja verdade sobre o que rola nas hostes bolsonaristas.

“É impressionante que ninguém tenha se dado conta de que esses caras eram loucos e perigosos”, disse secando uma garrafa de cerveja artesanal escura rapidamente. “A questão é que alguma deu errado e os malucos da linha de frente demonstraram que são insanos mesmo, é gente que que acha que pode andar sobre as águas sob a égide de Nosso Senhor Jesus Cristo, amém…”

Clay alerta, entretanto, que isso é muito ruim para a resistência na guerra cultural. “Não tenhamos ilusões: a queda desse tonto da Secretaria de Cultura foi péssima agora. Parece que finalmente caiu a ficha do governo, dos pouco que pensam. Os celerados estão transformando o ‘novo Brasil’ em uma peça folclórica e piada e isso atravanca o processo e paralisa a implantação do ‘projeto’. Precisam tirar o folclore e ser mais discretos. Essas caras são nazistas mesmo.”

Na conversa com gente que passeia pelo mundo ultraconservador em São Paulo, já escutou que o “projeto” precisa e vai mudar para continuar na mesma direção. “Com esses governos estaduais conservadores e o governo Bolsonaro, que é uma lástima e desgoverno em todos os sentidos, os ultraconservadores viram uma chance de ouro como nunca tiveram. É agora ou nunca e esperavam um avanço rápido nos costumes, na educação e na cultura, mas a incompetência dos que assumiram e dos que os substituíram atrapalhou.”

A questão é bastante simples: perdurando a sequência de pataquadas e gafes diárias, demoraria bastante para que o bolsonarismo apagasse os incêndios, aumentando as chances de que o aparelhamento fascista-conservador atolasse de vez ou, ao menos, parcialmente. “A falta de planejamento e a nomeação de gente burra e primária escandalizou os apoiadores e muita gente dentro do governo. A ideia é controlar mesmo a sociedade de um jeito totalitário baseado na pior religião que existe, mas com uma implementação mais discreta, e competente, e não usando discurso de proaganda nazista na internet.”

Pausa para outra cerveja gelada e uma boa porção de sardinha enrolada na cebola. “Eu me afastei muito cedo da esquerda e da luta armada, eram uns moleques e supostos intelectuaizinhos que achavam que tinham apoio popular. Não era preciso ser gênio para perceber que iam morrer ou ser presos. O mundo nao goirava em torno deles. Achama que eram os ‘iluminados’.”

“Fui cuidar da minha vida e a partir de 1977 me envolvi com sindicatos, mas deixando claro que tinha ranço da esquerda. Riram de mim e me aceitaram porque eu escrevia bem. Aí veio o PT e sua doutrinação stalinista e seus ‘críticos’ trotskistas”, discursou sorvendo um belo gole de pinga mineira. “Aí tudo piorou quando ficou claro que quem mandava era o Lula e virou uma seita. Saí da CUT na hora certa, quando Vicentinho (Vicente Paulo da Silva, deputado federal e presidente da CUT entre 1988 e 1994) assumiu e virou definitivamente um braço do PT. Sou de esquerda? Só um pouquinho (risos forçados e amarelos).”

King Crimson na BBC, em Londres, em março de 1970 (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Sem saber mexer direito no celular, Clay procura alguma coisa, enquanto pede outra cerveja e xinga um corintiano que pede para ver um jogo qualquer na televisão, uma reprise de campeonato europeu do fim de semana.

“Vamos ouvir uma bela sinfonia, menos da Filarmônica de Berlim, não quero nada com os germânicos”, disse antes que eu pudesse protestar. Sugeri alguma coisa mais recente da Filarmômica de Londres ou de Praga, algo do período romântico ou moderno do começo do xéculo XX. “Duas orquestras vendidas, que aceitam dinheiro para acompanhar bandas de rock.”

A solução foi Emerson, Lake & Palmer tocando “Pictures at An Exhibition”, ao vivo, em 1971, na cidade de Newcastle, na Inglaterra, saído do YouTube do meu celular. A peça do russo Modest Mussorgski o agradou na versão rock progressivo. E logo o sistema de som moderno para um boteco decadente, mas cult, ecoava uma obra maravilhosa da música erudita.

“Gostava de orquestras e MPB, além de tudo o que era literatura russa”, disparou sem ser perguntado após devorar uma sardinha. “Minha mulher, que morreu faz tempo, também era professora e conseguimos comprar um apartamento pequeno aqui na zona leste e um sítio perto de Mairiporã. Não sei o que deu errado, meus filhos me execram porque nunca fomos ricos, embora tenham estudado sempre em escolas boas, quase todas particulares. Fizeram faculdade, mas ruins, de administração, mas parece que não adiantou nada. Enfurnaram-se nas seitas evangélicas mais desprezíveis e abraçaram o tal ‘livre mercado’. Como são desinformados e obtusos em todos os sentidos, fracos mesmo, nunca tiveram muitas perspectivas. Só podiam cair mesmo no extremismo.”

Embora com certo desgosto, ao pronunciar o veredicto sobre os filhos mostrou-se resignado, o que foi bom porque reintroduziu o assunto sobre o nazismo pairando em nossa sociedade.

“Não dá nem para dizer que é uma coisa geracional. É um negacionismo delirante, de gente que não pensa e não tenta buscar informação. Acreditam em qualquer bobagem. Não sei se meus filhos acreditam em terraplanismo, nunca perguntei e faz tempo que não os vejo, mas não duvido que acreditem”, afirma brincando, mas meio desolado. “Mas é muito provável que eles e a gente tosca que os cercam acreditem piamente nessa conversa louca de autoritarismo, arte degenerada, de que vacina que mata e outras merdas parecidas.”

Para Clay, é possível encontrar nos jornais, emissoras de TV e jornalismo superficial de internet uma tonelada de explicações para o desalento de uma geração que parece perdida, desamparada e sem perspectivas de prosperar, ou de ao menos estabelecer alguma base para dar uma vida melhor aos filhos.

“O que me preocupa é que nós, professores e intelectuais no campo de oposição ao conservadorismo e ao extremismo de direita, não estamos conseguindo, entender onde foi que a democracia errou e deixou de ser importante”, Clay vociferou após deglutir outra sardinha. “Democracia é sinônimo de liberdade e está diretamente ligada ao conhecimento, mas no meio dos anos 90, em algum momento, alguns otários, provavelmente fracassados de todo o tipo, começaram a culpar a democracia representativa, a ênfase nos direitos humanos e políticas de redução da desigualdade social pelos males do mundo. Como esse tipo de coisa pôde prosperar?”

O grande problema, para o veterano intelectual, não é a proliferação de ideias fascistas – é uma consequência, na verdade -, mas a progressiva perda de fé na democracia. “As pesquisas do Datafolha que mostram que mais de 60% da população ainda prefere a democracia não se coadunam com os resultados das eleições, onde claramente a maioria votou a favor de alguém não acredita na democracia e a depreda quase que diariamente.”

E ele investe duro contra a classe política e sua total incompetência na formação dos cidadãos. “O PSDB nunca teve interesse nisso, mas quando a gente vê o PT e a esquerda assumirem o governo imaginávamos outra postura. Não só isso não aconteceu como os governos esquerdistas chafurdaram na mesma pasmaceira política em que tudo mundo chafurda. Essa mania de ‘projeto de 20 anos de poder’ leva à alienação do processo político e reforça o fisiologismo e o clientelismo. E aí vem aqueles palermas de 2013 e começam a questionar qualquer coisa, chegando ao cúmulo de colocar em dúvida a democracia e a sua importância.”

A conclusão é triste. “Meus netos, que já começam a entender um pouco das coisas, não dão a mínima para a democracia. Ninguém se importou em dizer a eles e à geração deles o tamanho da importância da liberdade. São alienados e não demonstram nenhuma preocupação para nada, muito menos política. São as mentes férteis para aderir ao autoritarismo fascista. Meus filhos aderiram porque são estúpidos, já que tiveram quase toda a informação de que precisaram – nunca é suficiente, mas enfim…”

Integrante de grupo neonazista detido no Rio Grande do Sul: democracia em perigo (Foto: Reprodução)

Tem mea culpa nesta história? “Não faz diferença. Ok, minha geração e as duas que vieram depois fracassaram em reforçar os ideais democráticos e não percebeu o quão perigoso era o pensamento hibernado de ultraconservadores. Da mesma forma que os esquerdistas se amontoaram no MDB nos anos 70 e em várias legendas antes de finalmente desfrutarem de seus partidos, os ultraconservadores envergonhados ficaram escondidos em um monte de partidos fisiológicos que alugaram a democracia e a depredaram. Depois do golpe contra Dilma Rousseff, em 2016, as portas do inferno foram abertas e os fascistas ganharam as eleições criminosamente com mentiras e táticas claramente ilegais. Não conseguimos preservar a democracia e mostrar como ela é necessária. E os ulraconservadores tomaram conta.”

Quando eu falo de resistência, ele sorri tristemente, mas ataca com fúria a última sardinha em conserva com cebola. “Não existe resistência quando a maioria ‘normaliza’ o que está ocorrendo e não se importa com democracia ou ditadura. O que temos é resignação. Antes de resistir é preciso demolir a estagnação e a resignação. Como fazer isso diante de um povo que não quer lutar – e nem quer saber o porquê de ter de lutar? Você fica insistindo na pasmaceira do rock diante do que tá rolando em seus textos. Hoje nem existe mais rock, nem existe mais música, nem existe mais ativisimo. Quando ocorrer a ditadura de novo, o que é possível, e todo mundo começar a apanhar só porque está usando uma camisa de cor que incomoda o policial, é que veremos se teremos algum tipo de oposição.”

O assunto termina depois de muitas horas e muitas cervejas. E a constatação é preocupante. “Olhe para esses caras de classe média aqui no bar. Alguns estão falidos e demitiram todo mundo, mas não parecem preocupados. Creem que o Brasil vai melhorar depois do PT – e lá se vão quase quatro anos – e nunca se importaram com democracia. O corintiano que xinguei apoia ataques contra moradores de rua, ataques da PM contra bailes funk na periferia e falou um monte contra o Porta dos Fundos por causa do especial de Natal. Você acha que esse cara tem condições ou, no mínimo, algum interesse em entender o que está acontecendo ou o que significou a tentativa de censura ao Porta dos Fundos? Talvez nem saiba o que é democracia ou ditadura. Como ele vai passar algum valor democrático para o filho dele? É por isso que o nazismo vai continuar na Secretaria de Cultura. É um projeto político de poder cultural, e depois mais amplo, ventilado dentro das hostes conservadoras e apoiado por elas.”

Com a conta paga, Clay arrematou, muito pessimista (tanto que me surpreendeu, já que ando mais pessimissta do que nunca): “O secretário irritou todo mundo porque explicitou algo que era escamoteado, mas acabou fazendo um favor ao bolsonarismo: foi apeado, será substituído por alguém que será mais discreto e eficiente e o projeto de fascismo seguirá adiante, sob aplausos dos evangélicos analfabetos e acéfalos (os que pensam já se afastaram) e dos ultraconservadores/ultraliberais antidemocráticos. E certamente verei meus netos aplaudirem os assassinatos de moradores de rua e a PM batendo em morador da periferia e em quem protesta por democracia. Não ficaria surpreso se, quando eles forem adultos, democracia se torne apenas uma palavra no dicionário e desapareça dos livros didáticos. Neste momento, antes de nos preocuparmos com o nazismo e fascismo avançando, temos de garantir a preservação da democracia.”

 

 

 

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All You Need – em busca dos quatro fabulosos em Liverpool – parte 1 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/20/all-you-need-em-busca-dos-quatro-fabulosos-em-liverpool-parte-1/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/20/all-you-need-em-busca-dos-quatro-fabulosos-em-liverpool-parte-1/#respond Mon, 20 Jan 2020 22:00:10 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=30184 Futebol e rock se misturaram pouco durante a vida, embora um esteja literalmente amarrado ao outro. O Combate Rock já mostrou algumas vezes essa relação e agora aproveita para ressaltar essa ligação. O jornalista gaúcho Airton Gontow, por conta da final do Campeonato Mundal de Clubes, no Catar, entre Liverpool e Flamengo, no último mês de dezembro – vitória inglesa por 1 a 0 -, fez uma bela crônica a respeito da cidade portuária britânica que legou ao mundo a mehor de todas as bandas de rock, os Beatles. Vamos exibir o longo desta semana o texto em cinco partes. Divirtam-se!

Airton Gontow – do site Coroa Metade e publicado originalmente no site Terceiro Tempo

FOTO: DIVULGAÇÃO

Visitar a cidade do adversário do Flamengo na final do Mundial de Clubes, é uma atração campeã e apaixonante até mesmo para os mais fanáticos torcedores do rubro-negro carioca.

Situada no noroeste da Inglaterra, com cerca de 500 mil habitantes, Liverpool tem inúmeras atrações, que vão de referências aos Beatles, museus, catedrais e uma impactante região portuária a times de futebol, com destaque para o atual campeão europeu.

Assim como o lindo Rio de Janeiro, Liverpool merece o título de “Cidade Maravilhosa”o deixar a estação de trem, o primeiro olhar revela um entorno elegante.

A poucos metros, os imponentes National Museum e o Royal Court Theatre. Esta é uma das mais famosas e importante cidades europeias e há muito para ver e visitar. Mas não agora.

Ando rapidamente pelas ruas, arrastando as malas com rodinhas. Tenho pressa para chegar ao hotel, guardar meus pertences e sair logo para ver de perto e descobrir tudo sobre os quatro fabulosos: o famoso Quarteto de Liverpool!

– Salah, Firmino, Mané e Alisson!

Estamos, eu e a repórter fotográfica Maria Pereira Gontow, na Inglaterra, a convite da VisitBritain para conhecer, além das cidades, clubes e estádios ingleses.

O campeonato nacional inglês é considerado, com sobras, o melhor do mundo. Organizado e com estádios seguros tem todos os anos vários candidatos ao título – bem diferente do que acontece em países como a Itália, França, Espanha, Alemanha, Portugal e Holanda, onde a disputa invariavelmente se resume a duas ou três equipes.

Até recentemente, apenas a Espanha rivalizava em visibilidade com a Premier League, já que nela atuavam Cristiano Ronaldo e Messi, os dois grandes craques dos últimos onze anos no Planeta da Bola. A ida do primeiro à Itália, deu “de vez” a supremacia ao Reino Unido.

Superioridade que já repercutiu nas competições continentais. Na última edição da Champions League, quatro dos oito classificados para as quartas-de-final foram ingleses: Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham. Nas semifinais e final. dois foram da Terra da Rainha: Liverpool (o campeão) e Tottenham.

A final da segunda competição mais importante do continente, a Liga Europa, também foi disputada entre dois ingleses: Arsenal e Chelsea (que conquistou o título).

O futebol busca se consolidar como uma das joias da coroa do turismo inglês.  Dos turistas que prestigiam algum evento esportivo, cerca de três quartos compareceram a uma partida de futebol. O turismo gera £108,55 bilhões por ano para a economia do Reino Unido.

Segundo a Pesquisa Internacional de Passageiros do Departamento de Estatísticas Nacionais, feita em 2014, o gasto médio por visita de turistas que assistem a pelo menos um jogo de futebol é de £855, enquanto para os que não vão a jogo algum o gasto médio é de £628.  Dos turistas que vão ao Reino Unido para prestigiar algum evento esportivo, cerca de três quartos compareceram a uma partida de futebol.

De acordo com o VisitBritain, há um forte crescimento na chegada e gastos dos turistas brasileiros. Nos primeiros três meses do ano passado, foram 74 mil viagens do Brasil para o Reino Unido, um aumento de 41% em relação ao mesmo período de 2017.

Em relação aos gastos, mesmo com a crise econômica, de janeiro a março deste ano os brasileiros deixaram em território britânico £56 milhões, o que representa 28% de aumento em relação ao ano anterior.

Pacotes lançados recentemente para brasileiros e outras nacionalidades devem impulsionar ainda mais o número de turistas. Tem dado certo. O bom filho à casa torna: ver o principal esporte do mundo na terra onde ele nasceu, é uma experiência única e inesquecível.

Nos pacotes Football is Great, de quatro, cinco e seis dias, há passeios em pequenos, médios e grandes estádios, visitas a museus temáticos do futebol, jogos e idas a pontos turísticos e gastronômicos, já que ninguém é de ferro. Nem de couro.

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Sempre pode piorar: a cultura está largada nas mãos da Viúva Porcina http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/20/sempe-pode-piorar-a-cultura-esta-largada-nas-maos-da-viuva-porcina/ http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2020/01/20/sempe-pode-piorar-a-cultura-esta-largada-nas-maos-da-viuva-porcina/#respond Mon, 20 Jan 2020 19:09:37 +0000 http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/?p=30478 Marcelo Moreira

Regin Duarte como a personagem Viúva Porcina, da novela ‘Roque Santeiro’ (foto: Divulgação/Reprodução/Globoplay)

A estratégia mudou, como bem alertaram os especialistas e jornalistas bem informados. Sai o destrambelhado nazista e entra uma marionete com algum prestígio para disfarçar o mal-estar.

Regina Duarte será a nova scretária da Cultura do Ministério do Turismo e pode até exigir que sua pasta volte a ser ministério. O que não muda o projeto autoritário da área cultural do governo ultraconservador de inspiração nazista de Jair Bolsonaro.

A agora ex-atriz, casada com um dos grandes pecuaristas do Brasil, foi escolhida para dar um pingo de respeitabilidade e credibilidade a um governo lamentável e em guerra cultural com a sociedade.

Repudiada pela maioria dos colegas de profissão, tanto da TV como do teatro, por conta das posições políticas, enfrentará resistência bem mais acirrada diante do posicionamento explícito do governo diante da cultura e das artes.

O setor não perdoa a falta de informação e de conteúdo de Regina Duarte em campanhas anteriores, quando atacou de forma hidrófoba e sem conteúdo todas as campanhas de candidatos de esquerda. Mais ainda, é execrada pelo apoio, ainda que implícito, ao golpe contra a presidente Dilma Rousseff.

A situação fica ainda mais complicada para a ex-“namoradinha do Brasil” pelo apoio incondicional ao inacreditável Jair Bolsonaro e pelo silêncio em relação aos contínuos e constantes ataques à classe artística e à liberdade de expressão perpetrados pelo atual governo e por bolsonaristas estúpidos (quase um pleonasmo).

Ou seja, não é nenhum absurdo considerar que Regina Duarte não tem muito apreço pela própria cultura e pela liberdade de expressão, já que não só apoiou Bolsonaro como aceita fazer o trabalho sujo de assumir a Secretaria de Cultura de seu governo.

Vamos lembrar que a ex-atriz criticou duramente o especial de Natal do Porta dos Fundos, que insinuou um Jesus Cristo gay e endossou as tentatvas de censura ao trabalho do programa humorístico.

Identificada como futura marionete de Bolsonaro, estando no cargo apenas de forma decorativa, a ex-atriz será um boneco que simbolizará a cultura jogada na latrina, aparelhada pelo ultraconservadorismo que admira os conceitos de “arte bela” e “arte degenerada”.

A escolha de Regina Duarte foi uma cartada desesperada de um governo desnorteado e com projetos inconsistentes para todas as áreas, mas principalmente na cultura e na educação. Por consequência, a nova secretária, pega de surpresa – claramente foi um coelho tirado da cartola -, não tem projeto algum.

E, certamente, diante da falta de conteúdo e de cérebro que sempre demonstrou em suas lamentáveis manifestações políticas – sempre recheadas de discriminação e preconceitos, além da falta de informação -, não temos motivos para esperar algo de bom de sua gestão.

Seus conceitos sobre cultura são rasos e a inexperiência a respeito da gestão pública da cultura a colocará como refém de ingerências diversas, principalmente de elementos nocivos, de origem religiosa, que infestam o governo.

Resta saber agora qual o papel quedesempenhará nesta fase ruim de sua vida: será a oportunista e esperta Viúva Porcina ou a inocente e sonsa Rainha da Sucata?

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