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Cinco anos sem Hélcio Aguirra: Golpe de Estado é fundamental

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24/01/2019 06h40

Marcelo Moreira

Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Era uma noite de sábado, final de ano, em um bar que pretendia ser diferente na rua das Bandeiras, em Santo André. O Golpe de Estado estava divulgando "Direto do Fronte", o último CD com canções inéditas da banda.

Local lotado, com muita gente cantando a plenos pulmões os grandes clássicos da banda. Ao final do show, o guitarrista Hélcio Aguirra, o então vocalista Dino Linardi e o baixista Nelson Brito passaram por mim, ao lado do palco, sorridentes. Cumprimentara-me e foram tomar água.

"Como vocês encaram esse momento da banda, quase 30 anos anos depois da criação da bandas?", perguntei. "Estamos em nossa melhor fase. A melhor fase é sempre a próxima, o próximo show e o próximo CD. É uma dádiva tocar para os fãs", afirmou na lata o guitarrista.

Por isso a lembrança de sua morte, há cinco anos, é dolorida e perversa. Depois de finalmente acertar uma formação que estava resgatando o Golpe de Estado depois de anos de desencontros e hiatos, o mestre do hard rock brasileiro morria dormindo em casa, em janeiro de 2014, vítima de ataque cardíaco, aos 56 anos de idade.

O CD "30 Anos ao Vivo", lançado em 2017, com outra formação, não deixa de ser um grande tributo àquele que foi um dos mais queridos músicos do rock nacional.

Nunca será suficiente, é claro, como vaticinou Brito após a gravação do CD/DVD ao vivo, mas ainda assim é necessário ver e ouvir o Golpe de Estado hoje e sempre.

Há algumas bandas de rock na história que serão sempre necessárias, independentemente da formação, do tempo de estrada e da juventude do público. É assim para The Who, Rolling Stones, Deep Purple, New Model Army, Cólera, Ratos de Porão, Golpe de Estado e mais um punhado delas.

Esqueça o papo de que Hélcio faz falta. Todas as pessoas queridas que morrem fazem falta, em todas as circunstâncias. Devemos é celebrar o fato de que ainda existe um Golpe de Estado na ativa fazendo um som maravilhoso, com qualidade e honrando o mestre das seis cordas.

Hélcio Aguirra é um daqueles seres que ajudaram a vida de muita gente ficar melhor do que sempre esteve. Conversava, brincava, brigava, mas emocionava e nos empurrava para frente.

O Golpe de Estado nos lembra sempre que a vida é sempre boa, seja por um segundo, seja por uma década.

Quando a gente ouve "Caso Sério", "Nem Polícia, Nem Bandido", "Feira do Rato" e mais uma sequência de clássicos sente que a música vale a pena. Que nossa existência vale muito a pena. Que o rock nacional vale demais a pena.

Hélcio e o Golpe tornaram nossas vidas mais palatáveis, suportáveis e divertidas. Mais do que isso: mostra que o Golpe de Estado é mais do que necessário. É fundamental no mundo em que vivemos.

 

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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