Neonazistas na avenida Paulista: é burrice, mas também é provocação
Marcelo Moreira
Em pleno ato antirracista e antifascista, três moleques imbecis saem do metrô vestindo camisetas pretas de uma obscura banda de rock, apesar do calor acima da média. Nas mangas compridas, uma série de suásticas, símbolo da Alemanha nazista – sua exibição/ostentação é crime no Brasil.
Alheios ao que ocorria, quase foram agredidos na avenida Paulista e, denunciados, foram detidos por policiais militares ignorantes, que não tinham a menor ideia do que acontecia.
Assustados, os PMs acabaram conduzindo os três para o distrito policial, onde acabaram interrogados e liberados por policiais despreparados e ignorantes.
Seria uma ocorrência ridícula e inexpressiva se não vivêssemos tempos tão conturbados e perigosos. Os três idiotas tentaram tergiversar e driblar as acusações na delegacia ao perceberem a ignorância dos policiais civis, mas não escaparão de uma punição, já que o ouvidor das polícias pediu que novo boletim de ocorrência seja feito e que os três – um é menor de idade – sejam indiciados.
É claro que são idiotas, mas sobretudo são criminosos. Sabiam o que estavam fazendo ao trajar roupas com suásticas. Mentiram na delegacia quando disseram que usavam apenas uma camisa de banda de rock com símbolos de cruzes gamadas alusivas ao hinduísmo e cultura indiana. Os analfabetos que os atenderam caíram no golpe.
A banda em questão é a norueguesa Burzum, de black metal, que teve entre seus integrantes o guitarrista e baixista Varg Vikernes, um expoente importante do chamado Inner Circle, grupo de extremistas que odiavam religiões e o catolicismo. Por conta disso, queimaram várias igrejas na Noruega e muitos foram presos e sentenciados a longas penas de prisão.
Vikernes, mais do que fascista extremista, é um assassino. Matou a facadas um ex-companheiro de banda que virou rival, um músico chamado Euronymus.
Vikernes foi descoberto, preso e condenado a mais de 15 anos de prisão. Ainda assim manteve o seu projeto Burzum em atividade intermitente. Hoje está fora da cadeia e é considerado um ideólogo de extrema-direita dentro da arte escandinava. Depois que foi libertado, foi investigado por um breve período por supostas ligações com movimentos neonazistas, mas os inquéritos não prosperaram.
Portanto, quem veste uma camiseta com o nome do Burzum sabe exatamente do que se trata. Quando faz questão de ostentar as suásticas nas mangas, quer passar um recado, ao mesmo tempo que se assume como um criminoso em todos os sentidos.
Os três deram muita sorte de saírem inteiros da avenida Paulista. Correram sério risco de linchamento. Foram beneficiados porque gente pacífica e preocupada anteviu o que poderia acontecer e os denunciou aos policiais.
Mas não nos enganemos em relação a esses três. Alguns incautos tentaram fazer crer que os idiotas eram face visível da extrema-direita encrustada dentro do rock no Brasil.
Sim, eles são a parte visível de um movimento risível de provocadores e estúpidos, analfabetos políticos e funcionais que não sabem o que fazem e o que vestem. Só que a coisa é bem mas complexa e perigosa quando falamos dos extremistas de direita que empesteiam o rock, as artes e a nossa sociedade.
Enquanto discutimos três moleques estúpidos ostentando suásticas como tolos, os verdadeiros fascistas articulados mapeiam e formulam estratégias para desacreditar os movimentos antifascistas e antirracistas. são mais insidiosos e ardilosos.
O black metal serviu de escudo e de "argumento" para babacas espalharem a nojeira nazista na avenida Paulista e conseguiram alguma atenção, inclusive da polícia, que vai indiciá-los por apologia ao nazismo.
O subgênero do rock pesado paga o preço por sua associação indevida com todo o tipo de extremismo e fanatismo. Se é algo que não prospera, ao mesmo tempo é algo que não se esvai com o tempo. É uma marca indelével e que permanece conspurcando a arte e manchando biografias.
Se o que aconteceu na Paulista pode ser considerado uma idiotice, por outro lado não é apenas mera idiotice. Revela que os extremistas e neonazistas estão perdendo a vergonha e o medo de expor. Estão partindo para a provocação explícita à luz do dia ansiando por confrontos e por criar precedentes para que as ideias autoritárias avancem sob a guarda do governo lamentável do protofascista Jair Bolsonaro.
São tempos complicados em que não devemos levar muito a sério os eventos em si como esse dos três garotos idiotas, mas teremos de ficar alertas para a abertura de uma série de circunstâncias em que os fascistas e extremistas estão se sentido empoderados e cheios de si para espalhar seus excrementos
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