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Jimmy London olha para frente, mas a saudade do Matanza é maior

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17/05/2020 06h59

Nelson Souza Lima – especial para o Combate Rock

Jimmy London (sentado) com amigos no Matanza Ritual: Felipe Andreoli (Angra, esq.), Amílcar Christófaro (Torture Squad, centro) e Antonio Araújo (Korzus) (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Jimmy London está saudoso do Matanza. Contudo, é preciso explicar que não é de sua antiga banda, na qual foi vocalista por quase 20 anos, e saiu em 2018. O cantor e compositor carioca, ícone do rock brasuca nos anos 2000, quer reviver a atmosfera dos shows e matar saudades dos fãs que enlouqueciam com seu ex-grupo.

Para isso o cara montou o Matanza Ritual, que ganhou o "apêndice" por questões legais envolvendo o nome e algumas divergências com os antigos companheiros. Estes, por sua vez, criaram o Matanza Inc, que segue agora com novo vocalista. Meio doido isso: temos duas bandas que tocam o mesmo repertório. É compreensível se você lembrar de casos como o do Jethro Tull, por exemplo.
Para acompanhá-lo neste ritual sonoro Jimmy chamou uma galera de peso: o baixista Felipe Andreoli (Angra), o guitarrista Antonio Araújo (Korzus) e o batera Amilcar Cristófaro (Torture Squad e Kisser Clan).
Segundo o vocalista, o empresário Paulo Baron, manda-chuva da Top Link Music, foi o grande incentivador do projeto. "Eu me divertia muito nos shows do Matanza, o que veio de encontro à ideia do Paulo Baron. Daí, pra chamar os melhores músicos do Brasil, e mais gentef ina, foi um raciocínio lógico", atesta
Na questão do repertório que está sendo fechado London diz que farão um apanhado da carreira do Matanza, sem o intuito de parecer uma auto-homenagem, mas sim revivendo a experiência dos shows.
A turnê do Matanza Ritual começaria em junho, entretanto devido à pandemia do novo coronavírus teve que ser remarcada para o segundo semestre.
Sobre isso London alega que no momento o foco  é se manter vivo. "Nada de ficar doente nem de Corona nem com as imbecilidades que somos obrigados a aturar diariamente do presidente do país", dispara.
Combate Rock – Como surgiu a ideia do Matanza Ritual. E chamar esta galera: Andreoli, Araújo e Christófaro?
London: Foi fruto da minha saudade do show do Matanza e do público do Matanza, que é uma rapaziada que se diverte pacas, e onde eu me divertia muito também, e que veio de encontro a ideia do Paulo Baron. Daí, pra chamar os melhores músicos do Brasil (e os mais gente boa) foi um raciocínio lógico.
O repertório abordará toda a discografia do Matanza ou algum álbum em especial. Tipo comemorar os 20 anos de "Santa Madre Cassino" (2001). Uma vez que com essa pandemia as coisas só voltam a normalidade em 2021?
Acho que não. Estamos ensaiando várias músicas e vamos fazer um apanhadāo da carreira da banda. A ideia não é homenagear a mim ou ao Matanza, mas sim reviver a experiência do show pra todo mundo, e faz mais sentido com músicas da carreira toda.
Falando na  pandemia. O novo coronavírus abalou e continua abalando o planeta. Milhares de pessoas já morreram. E os órgãos de saúde orientam o confinamento. O que pensa  dessa atual situação e se tem jogado muito playstation?
Rapaz, nesse momento acho que o foco é se manter vivo e não ficar doente nem de coronavírus nem com as imbecilidades que somos obrigados a aturar diariamente do presidente do país. Nesse momento nem da pra fazer muitos planos ou viajar muito. É compor, ler, cuidar da saúde e terminar o GTA (videoganme) pela milionésima vez….
Você arregimentou uns caras de peso: Felipe Andreoli, Antônio Araújo e Amilcar Christófaro e pelo clipe de "Tempo Ruim" o entrosamento tá legal. Pensam em criar material inédito ou o Matanza Ritual é um projeto temporário?
Pois é, a proposta inicial realmente era somente tocar essas músicas por dois meses, mas quem disse que a gente consegue? O papo fluiu bem pra caramba, começamos a falar de música, arranjos e quando vimos, já estávamos compondo. Vamos ver o que vai rolar.

Matanza (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Seu trabalho com os Rats é muito legal. Como é o trabalho de composição do grupo?  
No Rats temos três compositores principais: eu, Fernando e Kito. Rola muito trabalho junto, ninguém tem problema em mexer na música do outro, na letra e no arranjo. Eu meto a mão nas letras de geral e o Fernando "Bigode" sempre dá um jeito de encaralhar os arranjos, por exemplo. Um grande barato, são pessoas que me fazem ser um cara mais legal e um enorme aprendizado sobre música de várias vertentes.
Vocês estão com shows remarcados para o segundo semestre. Contudo as autoridades sanitárias dizem que vai demorar para as coisas voltarem à normalidade. Pode ser que mesmo os shows remarcados tenham que ser novamente alterados. Como não pirar com uma situação dessas, além do playstation é claro.
Não da pra viajar muito, mesmo. Tem que fazer como disse acima: ler, compor, tentar suar um pouco e jogar. Até ler o jornal tá sendo uma atividade de risco.
Neste período de confinamento deve estar ouvindo muito Dylan, Sinatra, Cash e Willie Nelson. E o que mais?
O Dylan tá soltando vários sons novos, isso ja tá sendo irado. Além disso, ouço várias coisas pra dar umas ideias legais pro Ritual e outras pra imaginar novas versões pro Quarentena Sessions que tamos fazendo pro Jimmy & The Rats. Ou seja, ouvindo de tudo, de Bon Jovi a Cro-Mags.
O rock tá em processo de transformação ou extinção? Visto que muitas bandas da sua geração, que foi bacana pro rock no Brasil, estão encerrando atividades.
Sinto o rock como um organismo vivo, assim como a música. Ele se insere de maneira diferente na vida das pessoas, assim como as pessoas também vão mudando seu jeito de lidar com a cultura. Agora acho que tá rolando menos "roqueiro clássico", de camisa preta, mas ao mesmo tempo existe uma enorme juventude que ouve uma porrada de coisa sem muita distinção, inclusive algum rock. Não sei se é pior ou melhor assim, mas é como estou vendo.
Mande um recado pros fãs.
Tentem ser inteligentes, por favor. Não acreditem em idiotas nem em fake news. Tenham suas próprias ideias e conversem abertamente com as pessoas sobre tudo que quiserem, falando e ouvindo sem vomitar opiniões como se fossem fatos. E nazista bom é nazista morto, sem exceção.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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