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Blues e soul music 'made in Áustria' nos teclados de Raphael Wressnig

Combate Rock

16/04/2020 18h00

Eugênio Martins Júnior – do blog Mannish Blog

Minha parceria com o guitarrista brasileiro Igor Prado tem rendido bons trabalhos. Entre os shows que consegui trazer pra Santos, os americanos Lynwood Slim (harmônica), James Wheeler (guitarra), Tia Carrol (cantora) e Raphael Wressnig, organista austríaco que divide seu tempo tocando e gravando entre Europa e Estados Unidos.
Foi quando ganhei o CD e o LP "Soul Gumbo", um belo exemplo do peso e influência da música de New Orleans nos jovens músicos de jazz de todo o mundo.
Esse álbum faz parte da série de trabalhos soul gravados por Wressnig que inclui Soul Gift e Soul Connection, ambos parceria com Alex Schultz e o nosso Igor Prado, respectivamente.
Especialista em Hammond B-3, Wressnig reuniu um time da big easy para gravar esse petardo recheado de souls e funks, onde o som de seu órgão brilha, despejando aquele timbre molhadão, característico.
O disco já começa com o funk pegadão Chasing Rainbows com a voz emprestada do cantor e gaitista nova iorquino Tad Robinson. Soulful Strout vem na mesma linha funky, só que instrumental, com seu parcerio de longa data, Alex Schultz, pilotando a guitarra.
O próximo tema inverte a imagem 180°. Trata-se de um tema soul vindo da alma. Brincadeira! Mas é pra dizer que as palavras de I Want Know saem das profundezas da garganta de Walter "Wolfman" Washington e colam no muro sonoro cimentado pelos metais de Antonio Gambrell (trompete), Jimmy Carpenter (sax tenor), e o Hammond de Wressnig. Uma porrada de sete minutos que, além de Wolfman, guitarrista, autor do tema e figura lendária de New Orleans, tem Schultz, George Porter Jr (baixo) e Stanton Moore (bateria).
Mustard Greens é mais um tema instrumental porrada seguido pela soul Sometimes I Wonder com a voz, e o piano wurlitzer de Jon Cleary e sax do convidado, que também já esteve aqui no brasa, "Sax" Gordon. Linda canção.
Tad Robinson e Alex Schultz voltam no blues Room With a View. Slivovitz For Joe e Soul Jazz Shuffle são verdadeiras jams, a primeira feita sob medida para o sax tenor de Harry Sokal brilhar, ambas com grandes intervenções dos teclados de Wressnig.
O CD termina com a super soul Nobody Special com os vocais quase falados de Larry Garner. Nem essa e Soul Jazz Shuffle estão no LP.
Assim como a música, a culinária de New Orleans também é muito diversificada, com influências de todos os povos que aportaram ali ao longo dos séculos. E há uma categoria profissional chamada saucier, ou seja, o cara que é especialista em molhos.
E Weak Sauce é um funk com Stanton Moore groovando a lot no seu kit de bateria e mostrando o molho da cozinha de New Orleans. O álbum em vinil conta ainda com a potente Get the Money, que deixa bem claras as influências do Caribe, ali pertinho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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