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Black Sabbath em ritmo de jazz. Será que precisamos disso?

Combate Rock

29/02/2020 07h00

Marcelo Moreira

O rock do jeito que você quiser. Por mais que seja abjeto, para a maioria dos roqueiros, ver os seus hinos favorecidos "conspurcados" por oportunistas na época de carnaval não é um caso isolado, já que há anos observamos blocos por todo o país assassinando músicas punks, dos Beatles, dos AC/DC e até do Iron Maiden. Faz parte e é até engraçado.

Mais antiga ainda é a tradição de pegar clássicos roqueiros e transformá-los em jazz. Vem dos anos 70 essa "mania", especialmente, com canções dos Beatles e Rolling Stones.

Neste século, temos os magistrais trabalhos de Alx Skolnick  Trio (projeto do guitarrista do Testament) e do Crimson Jazz Trio (que recria temas do King Crimson), para não falar em trabalhos maravilhosos no Brasil, como o Moda de Rock (clássicos transpostos para a viola caipira) e o último álbum do pianista e tecladista Ari Borger.

A nova iniciativa na área é o Jazz Sabbath, cujo nome já entrega do que se trata. Embalado por uma campanha publicitária pouco original e nem um pouco surpreendente, o projeto será lançado oficialmente em 10 de abril.

No texto distribuído pela imprensa, acompanhado de um pequeno vídeo supostamente sério, com entrevistas com músicos importantes, os "produtores" falam de um músico genial que teria composto um álbum em 1968 e 1969, mas que teria sido engavetado pela gravadora enquanto se recuperava de uma doença prolongada.

Recuperado, descobriu que sua gravadora não existia mais, que o dono da empresa estava preso e que o depósito onde as fitas das gravações estava pegou foto, queimando tudo.

No final do ano passado, as tais fitas teriam sido achadas num canto em um porão qualquer e o músico autor, Milton Keanes, um pianista, teria conseguido apoio para editar o material e finalmente "desmascarar" os charlatões que teriam roubado suas músicas e as transformado em rock pesado.

Tudo piada, mas sem muita graça. Ao que tudo indica, as versões em jazz das músicas do Black Sabbath foram gravadas por Adam Wakeman, o filho mais novo de Rick Wakeman, ex-Yes e mago dos teclados.

Adam foi músico de apoio do Black Sabbath por muito tempo, além de acompanhar Ozzy Osbourne nas turnês e em alguns discos e é muito amigo de Tony Iommi.

Na primeira amostra do trabalho, "Iron Man", clássico dos clássicos, a performance foi excelente, com arranjos criativos e uma banda de apoio, na segunda parte da música, afiadíssima e mostrando um jogo de cintura contagiante.

Na maioria dos casos, esses trabalhos costumam ser apenas curiosos, por melhores que sejam suas interpretações. Alguns são bem diferenciados e merecem mais atenção, como Alex Skolnick e o Moda de Rock, e parece que Jazz Sabbath poderá ser enquadrado nesta categoria.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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