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'Democracia em Vertigem' desperta ira, insensatez e melancolia

Combate Rock

09/02/2020 12h34

Marcelo Moreira

Cena do filme 'Democracia em Vertigem' (FOTO: REPRODUÇÃO)

Um gaiato nas redes sociais mandou bem na manhã desde domingo em que a esquerda espera por um Oscar que a redimirá e a direita espera por uma solene ignorância ao filme-documentário "Democracia em Vertigem", ainda que, na verdade, a fita de Petra Costa já tenha "ganhado" o seu no Facebook, Oscar.

Na peça criativa, imagens do documentário e da notícia sobre a "morte" de Adriano da Nóbrega, miliciano procurado pela polícia e que estava envolvidíssimo com a família Bolsonaro, eram embaladas por "Should I Stay or Should I Go", clássico máximo de The Clash, ícone punk e da música engajada.

A trilha é perfeita para esse momento político e social lamentável que o Brasil vive. Ficamos ou corremos? Lutamos ou sumimos? Já que falta rock no documentário de Petra Costa, a peça galhofeira nas redes sociais supre a ausência de forma certeira.

"Democracia em Vertigem" é sim uma peça anti-Brasil. É anti porque demole o país da política traiçoeira que golpeou Dilma Rousseff, ex-presidente.

É anti porque repele o governo autoritário e fascista de Jair Bolsonaro e as milícias criminosas que o apoiam. Repudia também as milícias evangélicas que empesteiam esse país e detona a burrice ultraconservadora que joga a nação às trevas da Idade Média.

Tudo o que cerca a cerimônia do Oscar a expectativa em torno do filme brasileiro se torna lamentável porque revela um clima de caos político-social-institucional no Brasil. A nação está em suspense, empacada e emperrada, à espera de soluções milagrosas que nunca chegam – e que jamais chegarão se as hordas bolsonaras burras permanecerem no poder.

As discussões intermináveis sobre o filme que lava a alma ou que depreda a imagem do Brasil refletem a pouca disposição de um povo em entender o que se passa e quais os riscos que corre ao apoiar ou ignorar as ações de um governo que depreda os direitos humanos e civis, além de atentar contra a Constituição e a liberdade de expressão.

O assassinato do miliciano amigo da família Bolsonaro, procurado pela polícia, é o fato político mais importante do começo deste ano, já que ele era considerado testemunha-chave para o esclarecimento da morte de Marielle Franco, a vereadora carioca assassinada em 2018.

No contexto da polarização ressaltada pela disputa do Oscar, essa morte está sendo colocada na conta do presidente da República, por mais odioso este tipo de comportamento. Caiu no colo da esquerda, que carimbou na testa do governo federal: "arquivo morto" ou "queima de arquivo".

Por tudo e por nada, a expectativa em torno da premiação de "Democracia em Vertigem" reúne quase tudo o que de pior sobrevoa a sociedade brasileira no começo de 2020.

O que era apenas uma celebração (ou não) pela premiação de um documentário artístico, e só, transformou-se em campo de batalha pela hegemonia de pensamento político a respeito das patifarias que ocorreram neste país a partir de 2016.

O Oscar para Petra Costa e o assassinato do miliciano amigo da família asquerosa que está no poder serão duros golpes contra o ultraconservadorismo, mas em nada refrescarão o clima político.

Acuada, a família Bolsonaro, sempre de forma atabalhoada, voltará ao ataque, e então continuaremos a ver o espetáculo grotesco e baixo que estamos acostumados a ver desde 2019. Não haverá Oscar que nos redima, infelizmente.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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