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'We Are the World', 35 anos: um marco do ativismo social da música pop

Combate Rock

29/01/2020 11h55

Marcelo Moreira

Graças a um irlandês em certo ostracismo na carreira foi possível juntar os mais importantes astros da música em músicas onde cada um cantava apenas um verso. Como seria possível dominar egos de gente gigante como Bob Dylan, Michael Jackson. Bruce Springsteen, Stevie Wonder e muitos outros?

Não foi uma tarefa das mais fáceis reunir no mesmo estúdio 45 gigantes musicais dentro do projeto beneficente "USA For Africa", que pretendia arrecadar fundos para combater a fome na África em 1985.

E então "We Are the World" virou hit mundial e deu uma esperança de que a humanidade poderia abraçar a solidariedade de uma vez por todas 30 anos atrás. A esperança se renovou com o Live Aid, em julho daquele ano, para esmorecer e cair na mesmice de sempre nos anos seguintes.

"USA For Africa" foi generoso e soberbo em sua nobre intenção e na qualidade da canção, mas só ocorreu de fato, e despertou a atenção dos astros quando os ingleses mais famosos se reuniram em Londres para gravar um single natalino beneficente em prol dos africanos.

Foi preciso muito empenho de Bob Geldof, então ex-cantor da banda irlandesa Boomtown Rats, para que os amigos e nem tão amigos assim arrumassem tempo na agenda para gravar "Do They Know It's Christmas", do projeto Band Aid, no final de 1984 – um time básico com gente como Phil Collins, Paul Weller, George Michael, David Bowie, Bono, Geldof e muitos outros.

Quincy Jones, maestro e produtor de "We Are The World", pediu que Michael Jackson e Lionel Richie compusessem a música-tema do "USA for Africa", canção feita às pressas e de forma muito rápida.

Todos os participantes receberam fitas cassete com uma versão demo e a indicação de qual verso deveriam cantar. Apesar do gigantismo e dos nomes de peso envolvidos, tudo deu certo e sem atropelos na gravação realizada nos dias 27 e 28 de janeiro de 1985.

O sucesso foi estrondoso e as vendas impulsionaram uma série de campanhas para ajudar a minimizar os efeitos da fome na Etiópia.

Pessimistas, os produtores americanos que quiseram repetir a ideia nos Estados Unidos tentaram convocar devagar os maiores nomes da música americana.

No começo houve pouca adesão e descrença, mas tudo virou quando alguns grandes nomes foram sendo convencidos a participar – uns na base da intimidação,na base de "se você não cantar será visto como insensível e alguém que não dá a mínima para a fome".

Entretanto, o que contou mesmo foi a grande divulgação que os ingleses tiveram na mídia com o seu single. Mais do que tudo, foi esse o fator que levou muitos dos astros a colaborar.

"We Are the World" foi um tremendo sucesso principalmente entre as crianças e mostrou que o esforço de Geldof tinha sido mais do  que compensado.

Se não fosse Geldof, não teríamos Live Aid, da mesma forma que esse grande show beneficente não teria ocorrido se não fosse o sucesso colossal de "We Are the World".

Mesmo os mais resistentes músicos foram convencidos a superar desavenças com ex-amigos e, por alguns instantes, dividir o palco novamente, no caso de bandas clássicas, como Led Zeppelin, Black Sabbath e The Who.

O Live Aid foi a coração de um grande projeto que só teve paralelo depois no concerto beneficente em memória de Freddie Mercury, em Londres, em 1992.

Nenhum evento beneficente, entretanto, chegou aos pés do desempenho financeiro e do sucesso midiático do combo "USA For Africa-Live Aid".

As iniciativas também inspiraram brasileiros a criar a sua versão. "Chega de Mágoa" foi gravada em maio de 1985, dentro do projeto "Nordeste Já".

A ideia foi de Aquiles, do MPB4, então presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro. A produção também contou com a ajuda de Téo Lima, baterista do cantor Djavan.

Escolhidos os músicos e com música pronta, a gravação foi feita no Multi Studio, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A letra é de autoria múltipla: Caetano Veloso, Chico Buarque, Fagner, Vinicius Cantuária, Erasmo Carlos e Roberto Carlos, com música de Gilberto Gil. Os resultados foram bons em termos de arrecadação, mas aquém, do que se esperava.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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