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Porta dos Fundos é censurado em ataque flagrante à liberdade de expressão

Combate Rock

08/01/2020 18h29

Marcelo Moreira

Desde quando um juiz pode tomar uma decisão inconstitucional e depredar a liberdade de expressão? Se depender da Justiça do Rio de Janeiro, desde já. A vítima da vez é a produtora Porta dos Fundos, mas na verdade é a democracia e toda a sociedade.

O desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinou nesta quarta-feira (8) em decisão liminar – provisória – que a produtora Porta dos Fundos e a Netflix retirem do ar o "Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo".

A decisão é lamentável em todos os sentidos, principalmente vinda de um desembargador, ou seja, segunda instância da Justiça estadual, atendendo a um pedido de uma organização religiosa nefasta, que desrespeita cidadãos brasileiros e é avessa à liberdade de expressão.

A decisão tem caráter liminar, mas nada garante que o mérioto seja analisado rapidamente e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou mesmo algum colegiado do TJ-RJ derrube essa excrescência de forma rápida.

Muitos dirão que a Justiça brasileira, em especial as estaduais, estção contaminadas pelo vírus do autoritarismo que invadiu a sociedade com o surgmento do asqueroso bolsonaruismo, na cmaoanha eleitoral de 2018. É um equívoco gigantesco.

São inúmeros os exemplos de cerceamento da liberdade de expressão cometidos desde aos anos 80, que vão da apreensão de livros até a edição de obras diversas; de cancelamento de shows por temor de "tumultos" (sempre quando o evento é organizado pela esquerda)até recolhimento de jornais, panfletos e interrupção de exposições artísticas.

Reprodução da capa da edição brasileira do livro "liberdade de Expressão: Dez Princípios para Um Mundo Interligado", de Timothy Garton Ash

O viés autoritário da Justiçã brasileira é notório e muito antigo. "Chatô", obra interessante do escritor e jornalista Fernando Morais, é a biografia de Assis Chateaubriand magnata da imprensa brasileira entre 1925 e 1960, muito mais poderoso e influente do que Roberto Marinho, ex-proprietário da TV Globo, morto em 1999.

No livro, são oncontáveis os casos em que a Justiça, em várias situações, mostrou-se benevolente com os poderosos de então e avessa à liberdade de expressão, quand não deliberadamente autoritária.

Essa decisão é preocupante e perigosa, pois não só vai estimular o avanço do autoritarismo e do conservadorismo mais rudimentar e ignorante como estabelecer, de fato, a censura judicial aberta e explícita.

O passo seguinte será a aprovação de leis  de caráter autoritário, restritivo e fascita em muitas áreas, especialmente nas áreas de conhecimento, educação, cultura e artes.

Por trás de tudo, umamimprovável aliança medieval e retrógrada entre o que há de pior no fundamentalismo cristão de viés católico e evangélico, dois mundos antagônicos dentro do cristianismo, cujos excessos são perniciosos e erodem a democracia.

Nõ nos iludamos: a guerra cultural do ultraconservadorismo bolsonarista contra o conhecimento passa pelo avanço das idais estúpidas desse tipo de religioso ignorante e execrável, que sonha em impor sua visão limitadíssima de mundo e medir o nundo por sdua própria régua.

As reações de apoio a um cantor punk contaminado pelo que de pior há no conservadorismo – Fábio Znovar, do Olho Seco, atacou o Porta dos Fundos e chegou a insinuar que o ataque terrorista à produtora era justificável – mostram que o mundo do rock e do heavy metal está mais do que contaminado por esse vírus nojento.

Quando um músico, mesmo que seja conservador, apoia a censura e medidas restritivas às artes e à liberdade de expressão, é um sinal terrível que as "forças do mal" avançam e estão vencendo.

Quando um músico aplaude uma decisão judicial lamentável e absurda como essa, é sinal de que os retrocessos vieram para ficar e que resistir será um ato cada vez mais heroico – e praticamente inútil.

Esses imbecis que gostam de rock e se dizem músicos que apoiam a censura ao Porta dos Fundos acham que isso não vai se voltar contra eles. Que não percam por esperar!

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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