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Discos, shows, aulas e todas as correntes de Edu Ribeiro

Combate Rock

05/01/2020 06h31

Eugênio Martins Júnior – do blog Mannish Blog05

É difícil escrever o currículo do Edu Ribeiro. Corro o risco de esquecer alguma participação importante. São Tantas, mas vamos lá: com o Trio Corrente e Paquito D'Rivera, em Songs for Maura, venceu dois prêmios Grammy; o disco Randy In Brasil (2009), com Randy Brecker, também ganhou o Grammy na categoria melhor performance de jazz.

Além do discos premiados do Trio Corrente, Edu vem deixando um verdadeiro acervo de música intrumental,  gravando sistematicamente com outros artistas de jazz brasileiro.

Seu disco solo, "Já Tô Te Esperando", com composições próprias e participações de Chico Pinheiro, Daniel D'Alcântara, Fábio Torres, Paulo Paulelli, Thiago do Espírito Santo e Toninho Ferragutti, saiu em 2006.

"Na Calada do Dia", disco de 2007, traz Guilherme Ribeiro (acordeom), Rubinho Antunes (trompete), Gian Correa (violão 7 cordas) e Bruno Migotto (contrabaixo) e composições de Chico Pinheiro e Léa Freire. E foi esse show que veio a Santos, dentro do festival Sesc Jazz.

E tem a maravilha "Folia De Treis" (2018), que veio com uma formação nada comum, o bandolin de Fábio Peron, o acordeon de Toninho Ferragutti e a bateria de Edu. São dez temas tocados em 45 minutos que também concorrem ao Grammy.

Com o Trio Corrente, lançou "Corrente", "Volume 2", "Volume 3" e "Song for Maura" (com Paquito D'Rivera). Com Daniel D'Alcântara, Vitor Alcântara, Sizão Machado e Tiago Costa lançou "Horizonte", em 2003. Com Chico Saraiva e Zé Nigro lançou "Água em 1999" e foi responsável pela trilha do documentário "Carroceiros", do diretor Alexandre Rathsam 2005.

Edu participa ainda do quinteto Vento em Madeira, com dois álbuns gravados – "Vento em Madeira" (2010) e "Brasiliana" (2013). Liderado pela flautista e compositora Léa Freire, o grupo tem Teco Cardoso (sax e flautas), Tiago Costa (piano), Fernando de Marco (contrabaixo) e ainda a participação especial da cantora Mônica Salmaso nos dois álbuns.

Na estrada, tocou com Johny Alf, Paulo Moura, Dominguinhos, Rosa Passos, Ivan Lins, Dori Caymmi,  Arismar do Espírito Santos, JoYamandú Costa, Chico Pinheiro, Léa Freire, Joyce, Bocato, Hamilton de Hollanda só para citar alguns.

Edu Ribeiro (FOTO: DIVULGAÇÃO/SITE OFICIAL)

Eugênio Martins Júnior – Você começou a tocar com seis anos. Quando se bandeou para o jazz?
Edu Ribeiro – Adorei a pergunta. Comecei tocando com meus irmãos. Era o filho mais novo de três. Depois que minha mãe faleceu meu pai teve mais dois. Cinco irmãos. Os dois mais velhos tocavam Beatles, Rolling Stones, guitarra e baixo. E meu pai tinha uma banda de baile e deixava tudo montado na edícula de casa. Primeiro a gente brincava de esconder atrás dos instrumentos, depois passamos a tocar. Quando chovia a gente ficava na edícula. Então um começou a tocar guitarra, o outro baixo e a bateria sobrou pra mim. Só que o meu pai tinha ciúme da bateria e não me deixava tocar, era uma Ludwig de acrílico linda, onde eu improvisava. Meu avô me deu um surdo de escola de samba e eu também tocava. Depois que minha mãe morreu mudamos e íamos à edícula com menos frequência. Comecei a ouvir muita música, os discos de vinil que meu pai tinha em casa. Fazia a seleção em um dia e ouvia no outro. Tinha de tudo, Johnny Alf, Djavan e muita coisa de jazz. Lembro de um disco em especial, o do Chet Baker, que hoje se chama Chet Baker Sings. Na época tinha outro nome, não lembro, ele canta My Funny Valentine e But Not For Me. No dia que ouvi achei um pouco melancólico, mas fiquei fascinado com aquilo. Meu pai me deu a dica: "escute como ele canta e como ele toca, improvisando em cima do tema". Meu pai e a minha família inteira são músicos de baile. Não é nenhum demérito.

EM – Muito ao contrário. Você cria uma casca grossa e toca de tudo.
ER – Exato. Mas no baile não tem improvisação. Eles não são improvisadores. Porém, qualquer música que você toque eles também tocam até o final. Não se apertam. Então aquele disco era lindo. A sonoridade.

EM – Você lembra a idade que isso aconteceu?
ER – Acho que 11 anos. Tocava rock. No baile só entrava pra tocar a parte do rock nacional, mas queria tocar as outras coisas também. Então tinha baile de debutantes onde tocávamos standards de jazz antes de anunciar o nome da aniversariante, mas ninguém improvisava. Então eles falavam o nome e a gente lá tocando, piborundêeeee, e eu ficava encantado com a vassoura, que nesse disco do Chet também tinha. Ali tive contato com essa concepção jazzística. Tocar e improvisar em cima de um tema. O que o improvisador quer te dizer, com aquela ferramenta de linguagem que ele tem são notas musicais em cima de um acorde. Depois fui atrás de outras coisas que meu pai não tinha. Comprei um do Stanley Jordan com o baterista Jeff "Tain" Watts. Discos do Charlie Parker, que era o que chegava. E um disco do Jack DeJonette, que era totalmente vanguardista, free jazz, da ECM. Achei muito diferente de tudo o que tinha ouvido, mas legal também. Com Lester Bowie (trompete), Eddy Gomez (baixo) e John Abercrombie (guitarra). Fiquei fascinado com aquilo e vi que precisaria estudar mais o instrumento. Pra ter uma conversa com aquelas pessoas. Decidi que queria ser músico. Não me afastei do baile, mas queria alguma coisa diferente disso. Aos 17 anos já tinha meus grupos de música instrumental lá em Florianópolis. Aí decidi vir estudar na Unicamp. Estou vendo você com esse disco Songs For Maura (Trio Corrente), meu primeiro grupo foi com o Felipe Moritz, um saxofonista que morava em Frorianópolis e apaixonado pelo Paquito D'Rivera. Então tocávamos covers dele. E depois de 20 anos conheci o paquito e toquei várias músicas dessa época, foi muito emocionante. Ouvir aquele som de saxofone na tua frente. Você tem um ídolo e encontra com ele e, isso é uma das coisas mais emocionantes na profissão de músico, não é o som que você conhece dele, a voz do instrumento. 

EM – O acrodeon confere um clima às vezes melancólico, porém classudo. O disco Folia de Treis (2018) conta com Toninho Ferraguti e é uma formação inusitada pra trio a gente não vê muito por aí. Gostaria que falasse sobre esse trabalho.
ER – Gosto muito de um álbum chamado Quinteto do Radamés, que tinha o Chiquinho do Acordeon, o Rafael Rabelo. Me remetia ao tempo do baile, quando tocávamos cinco horas sem parar. Acabava seis horas da manhã e o tio Nelson, que a gente chamava ele de tio, pegava o Acordeon, o seu Evarildo pegava o trompete e meu pai pegava o violão e tocavam. E muito engraçado, porque a primeira vez que pude fazer um trabalho autoral, meu primeiro disco em 2006, o Já Estou te Esperando, fiz com essa formação, só coloquei baixo e bateria. E chamei o Toninho (Ferragutti). Foi pela Maritaca, início do Trio Corrente. E o Trio Corrente deu super certo e logo veio o Vento em Madeira e fui deixando de lado a minha carreira de compositor. Só retomei agora com o na Calada do Dia, que toquei aqui hoje. Em 2018 recebi o convite do selo Black Streaming para gravar um disco. E eu tinha acabado de gravar um disco com as minhas músicas e não componho tanto assim. Pensei em fazer um projeto com alguém para dividir um pouco as coisas. Então convidei o Toninho Ferragutti e o Fábio Peron. É uma formação completamente inusitada, que tinha tudo pra não dar certo. Convidamos um baixista que não pode fazer. Então decidimos ensaiar assim mesmo. Até o primeiro ensaio estávamos apreensivos, mas quando acabou vimos que ia dar certo. O Peron tocou um bandolão, que é um bandolim com uma oitava a baixo, aquele que está na capa. Gravou duas faixas com o bandolim e oito com o bandolão. Gravamos com o Tiago Monteiro, que é um técnico de som maravilhoso e o som do disco é lindo.

EM – Esse disco foi gravado em Ribeirão Preto?
ER – Sim. Sempre gravei meus discos pela Maritaca, selo da queridíssima Léa Freyre. E olha que sorte, esse disco está concorrendo ao Grammy Latino. Quando recebi o convite foi pra gravar logo, recebi o convite em março e a gravação era em junho. 

EM – Falando em trio, teve uma época que os grupos de jazz reuniam uma parafernália eletrônica, principalmente nos anos 70 e 80. Agora o que existe é um monte de trios com baixo, bateria e piano. Voltando ao mais puro jazz acústico. Nesse festival inclusive, com Avishai Cohen, Amaro Freitas, o Marc Perrenoud e até o Trio Corrente. Gostaria que falasse sobre isso.
ER – Tem o resgate do som acústico. Pega os anos 50, quando os caras começaram a gravar o som acústico, bateria, baixo e piano juntos, os discos do Coltrane, Bill Evans, aquilo é gravado com um microfone que pega uma tomada de som. E tem uma coisa ali muito importante que é a mixagem que tem de ser feita pelos músicos. Por exemplo, se o cara da técnica falar que a bateria da alta, não tem onde abaixar o som, só na mão do músico. O piano tá alto, só na mão do músico. Os músicos tinham o som na mão. A partir dos anos 70, quando começa a estrar a tecnologia, a música pop, muda o som da bateria, entra contrabaixo elétrico, entra o rock, começam a experimentar mais coisas, o som sintetizado, Miles Davis fez isso. Esses grupos que você citou, Mahavshnu, Weather Report tocavam alto. Adoro o Peter Erskine, o baterista do Wheater, e ele me falou que na época que tocou com o grupo ficou com problema de audição.

EM – A Weather era uma usina com o Peter e o Alex Acuña nas baterias e percussões?
ER – Isso, e o Jaco tocando daquele jeito e o Zawinul com aquela parafernália eletrônica. Então, tem sim o resgate do som acústico. No início dos anos 90 ouvi um disco, não sei se era da Marisa Monte, com o Carlos Bala e achei o som lindo. Antigamente a bateria tinha o som opaco, os caras botavam fita crepe, abafavam com qualquer coisa. Mas o Bala melhorou o som da bateria no Brasil. Talvez influenciado por Dave Weckl, Steve Gadd, uma geração do jazz/rock, mas já com um som mais aberto. E se você for ver, há discos de MPB dos anos 90 maravilhosos com o piano digital. Não que não tivesse piano nos estúdios, mas porque era moda. O acústico nunca vai ser moda, nunca vai ser datado. É eterno.

Trio Corrente (FOTO: SITE OFICIAL EDURIBEIRO)

EM – Sim, teve a moda do Fender Rhodes, do Oberheim e agora é o Nord.
ER – Sei que tem uma galera fazendo música eletrônica muito bem feita, mas eu não acompanho. E tem um resgate do som acústico, agora tratado, com possibilidade de mixagem melhor, com a tecnologia a favor dele.     

EM – Esses dias de festival estava escutando em casa o CD 2 do Trio Corrente e o do Marc Perrenoud que tocou aqui há dois dias. Ambos no mesmo formato, ambos trio, mas a diferença é gritante. Esse sotaque do baterista brasileiro é famoso no mundo inteiro e único. Edu, você que viaja pelo mundo poderia falar sobre isso.
ER – A música brasileira é muito bem vista. Temos pessoas que são muito importantes nessa divulgação. O Edson Machado foi o cara que começou a dar essa visibilidade numa época que não tinha internet. Hoje o cara grava alguma coisa, posta na internet e amanhã um monte de gente já fica conhecendo. Teve um cara que foi morar lá, o Airto Moreira. O Tom Jobim ia lá gravar e levava o João Palma. Os bateristas começaram a chegar. O Airto é um cara importante porque ele compõe dentro do grupo. Coloca as coisas dele.

EM – A gente pode dizer que o jazz brasileiro também carrega o batuque da escola de samba?
ER – O jazz brasileiro é conhecido não só pelo ritmo, mas também pela harmonia e pela melodia que é muito rica. E ainda temos grandes improvisadores e grandes compositores, como Vila Lobos, Pixinghinha, Tom Jobim, Edu Lobo. Então, é pensar em tudo isso com a concepção jazzística. A música que a gente tenta fazer é isso.   

EM – Já que estamos falando nisso, como é transportar um clássico da música brasileira que tem letra de Tom Jobim, Djavan, Dorival Caymmi pra o instrumental. Qual cuidado você tem?
ER – No começo do jazz eles pegavam os standards, as músicas da Broadway e tocavam da maneira jazzística. O Trio Corrente faz muito isso e o público reconhece. Claro que precisa fazer uma arranjo, você precisa tratar bem aquilo. Não vai conseguir melhorar porque já é lindo, mas não pode distorcer aquilo a um ponto que não exista mais. É diferente do que eu fiz hoje, que é muito difícil, um som com músicas autorais. Tem de pegar um pouco pela performance, de um jeito que não fique chato e repetitivo. Misturar os ritmos, as dinâmicas. Mas quando você toca uma música conhecida é como se encontrasse um camarada em uma festa que você não conhece ninguém. 

EM – Como foram as gravações do Song For Maura com o Paquito D'Rivera. Foram ao vivo no estúdio?
ER – O Paquito não queria tocar com o Trio Corrente. Havia tido uma experiência ruim com outros músicos que não era a sua banda. E o Paquito falou para o nosso produtor que se  quisessem a presença dele em um festival teria de ser com a sua banda. E não dava porque era um projeto do Trio Corrente. Ele já conhecia o Paulo (Paulelli) e o Fábio (Torres). Ele sugeriu que o trabalho fosse feito com o Celso (de Almeida), baterista da Rosa Passos. O engraçado era que a conversa era ao telefone enquanto a banda dele ensaiava e o pianista Alex Brown, que conhecia o Trio Corrente e estava presente no ensaio, disse que o Paquito poderia vir tranquilo que ele nos conhecia. Daí ele veio tocar com a gente na fé. Ele mandou um repertório dele que a gente já conhecia e pediu um repertório nosso pra se adaptar. Fizemos um ensaio aberto das 11 às 13h e deu tudo certo. Fomos almoçar e ele disse que tínhamos de gravar aquilo. Fizemos alguns shows e ele nos convidou para ir à Europa e nós o convidamos novamente ao Brasil e nunca conseguíamos gravar. Aí um dia ele disse que precisávamos parar e gravar. Gravamos em um dia no estúdio Cachoeira, na rua da minha casa. Ele levou a gravação lançou pelo selo dele e fez um certo sucesso.
EM – Um certo sucesso não, ganhou dois Grammys.
ER – Sim, ganhamos os prêmios. Mas a música ficou boa. O Paquito é um cara muito legal. Ele disse que queria entrar na nossa música. Então a gente vai aprendendo com as pessoas. Essa semana fizemos um show com o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo e eles pegaram nossas músicas pra fazer os arranjos e tocar. E como fui eu quem tratou o show pedi o repertório deles pra gente entrar também naquilo.
EM – Você toca no Trio Corrente, dá aula, tem teus trabalhos solos, acompanha inúmeros artistas, e arranja tempo para novos projetos como esse quinteto. Você é só músico ou trabalha também?
ER – Músico trabalha muito. Eu brigo com isso sempre. Acordo todos os dias às 6h da manhã. Dou aula em duas escolas, Faculdade Santa Marcelina, sou coordenador pedagógico da ENESP e é claro que às vezes me sinto sobrecarregado. Mas gosto disso. E é engraçado. Às vezes eu penso que poderia estudar mais. Mas se tenho mais tempo pra estudar eu estudo menos. A pressão do dia a dia me faz estudar. O que mais me tira do foco são as redes sociais. Preciso tomar muito cuidado.
EM – Um pouco sobre esse momento cultural que a gente está vivendo, gostaria que falasse sobre a importância de um festival grande como esse, com mais de 80 shows, e com tamanha diversidade musical.
ER – O Sesc tem um papel muito importante na cultura nacional. Há muito tempo ouço que o Sesc faz o papel do Ministério da Cultura, que não está funcionando muito bem. Falo da música que é o meu campo. Mas na dança, teatro, esporte, recreação, terceira idade, jovens, é incrível o que acontece. Dança clássica, dança afro brasileira, muitas vezes de graça. Veja, sou de Florianópolis e cheguei em Campinas em 1992 e em 96 ou 97 foi a primeira vez que toquei no Insturmental Sesc Brasil que não tinha esse nome, não era televisionado e era na Avenida Paulista. Toquei com o Edson Gomes e o Trio Água. Depois daquilo eu me senti profissional. É uma papel importante pra nova geração que está começando a tocar. Toda a classe artística deve muito ao Sesc e esse é o maior festival de de jazz do Brasil sem dúvida. Já tivemos festivais grandes, mas esse festival leva três semanas em várias cidades ao mesmo tempo. Toquei em São Paulo, Araraquara, Bauru e Santos. Em Araraquara e Bauru fizeram clubes de jazz dentro do ginásio de esportes. Parecia o Blue Note de Tóquio. Outra coisa importante que o Sesc fez pro jazz há uns dois meses foi trazer a Lincoln Center Orquestra pra ficar duas semanas no Brasil. O Wynton (Marsalis) me falou que eles nunca fazem uma residência tão longa. É uma coisa que chama a atenção do mundo inteiro para o Brasil.          

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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