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Jeff Beck Group ao vivo, com Rod Stewart, precisa ser celebrado

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03/12/2019 06h21

Marcelo Moreira

Demorou, mas finalmente Jeff Beck concordou com o lançamento de um álbum ao vivo com a primeira formação do Jeff Beck Group (ou será que ele foi obrigado a aceitar?).

A primeira encarnação solo do genial inglês rendeu apenas dois álbuns, "Beck Ola" e "Truth", gravados e lançados entre 1968 e 1969. No segundo há o aproveitamento de algumas faixas gravadas ao vivo, como a magistral versão de "Blues Deluxe".

"Live at Fillmore West 1968" é uma obra curta, com sete músicas e apenas 38 minutos. Entretanto, é importantíssima como registro histórico, pois se trata da primeira vez que, oficialmente, um show daquela banda é editado – cortesia do selo inglês London Calling.

A qualidade do som não é lá essas coisas – a "Blues De Luxe" oficial, do álbum "Truth", tem som perfeito. Muitos álbuns pirtas do próprio Jeff Beck têm sopm bem melhor. Foi o possível de se conseguir, então aproveitemos ao máximo.

A escolha do show não foi por acaso – é provável que fosse possível encontrar gravação com som melhor. A questão é que os shows no Fillmore West daquele ano mágico foram sensacionais e icônicos. E, ironicamente, seriam o começo do fim da primeira formação.

Além disso, o empresário Bill Graham, então dono da casa em San Francisco, nos Estados Unidos, sempre embutia nos contratos a possibilidade de editar, de alguma maneira, pedaços de shows de artistas que tocassem por ali e em Winterland, sua casa menor na mesma cidade – um álbum ao vivo póstumo de Jimi Hendrix gravado ali é o mais famoso.

Há especulação em alguns fóruns de internet de que o show foi lançado, com ou sem a concordância de Beck, por conta de brechas jurídicas envolvendo o espólio de Graham, morto em 1991 em um acidente de helicóptero.

Outras versões dão conta de que Beck teria consentido com o lançamento, assim como Rod Stewart, que cantou na banda entre 1967 e 1969. Porém, essa versão não tem confirmação por enquanto, nem mesmo por parte do selo London Calling. Pela qualidade do som, é improvável que o guitarrista desse o seu aval.

Para nossa sorte, no entanto, as músicas chegaram ao público. É delicioso ver a guitarra sutil e técnica de Jeff Beck fazer o blues explodir tendo a luxuosa e rouca de Stewart como apêndice aos solos incandescentes e elegantes.

"Let Me Love You" e "Morning Dew", dois petardos de "Truth", são a amostra do poder destrutivo e explosivo da banda, que rivalizava diretamente com o Cream e o Jimi Hendrix Experience em popularidade nos Estados Unidos.

É possível notar um Rod Stewart ainda hesitante e um pouco inseguro, pesar de sua experiências, o que dá um toque delicioso em suas interpretações, especialmente na brilhante versão de "Blues De Luxe", que fecha o álbum.

Há também uma curiosidade: Jeff Beck cantando uma música, a tradicional "Hi Ho Silver Lining". Se ele não chega a comprometer, é de longe o ponto baixo do CD, por mais que Stewart e Ron Wood, no baixo, deem uma força nos vocais de apoio.

"Live at Fillmore West 1968" é um dos grandes lançamentos do classic rock do ano. Só temos a lamentar a péssima capa escolhida por quem quer que tenha sido: com um revólver Colt do Velho Oeste, em frente a uma bandeira norte-americana, um primor de politicamente incorreto – o que pode reforçar a tese der que Beck não teria nada a ver com isso…

P.S.: E por que a banda começou a acabar ali, no Fillmore West, em 24 de julho de 1968? Apesar da amizade entre os três, Stewart e Wood estavam irritados com o comportamento de estrela de Beck, além de um pouco insatisfeitos com o pagamento baixo. As tensões começaram deste ue colocaram, os pés nos Estados Unidos para a extensa turnê. O baterista Mick Waller também estava se estranhando com o guitarrista. Corre a lenda que, após o show contido neste CD, nos camarins, alguém cometeu a imprudência de confundir as coisas e gritar, na boa vontade, bem alto, para Rod Stewart: "Parabéns, Jeff, que grande show. O seu guitarrista também é muito bom!!!!!" Teria sido naquele momento, ao escutar o "insulto", que Beck decidiu terminar com a banda meses depois, antes do Natal…

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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