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Meninas mergulham no metal: Ignispace, Vox Ígnea, Weedevil, Lâmmia...

Combate Rock

01/12/2019 06h47

Marcelo Moreira

Ignispace (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Uma nova safra de bandas nacionais de rock pesado com mulheres cantando surge neste final de 2019 com uma característica em comum: a coragem de explorar novas possibilidades e fugir do som tradicional que tomou conta do metal nesta década.

O cardápio está variado: vai do metal tradicional cantando em inglês ao hard rock mais pesado, em português, passando pelo stoner metal, que é a nova mopda entre tantas bandas que estão se destacando.

O principal nome desta leva é uma banda de Piracicaba (SP). A Ignispace lançou o seu primeiro CD, "The Inner Source", misturando um rock mais moderno com guitarras que buscam inspiração no metal tradicional dos anos 80.

O que temos é um som diferente do que estamos acostumados a ouvir nos festivais brasileiros. O grupo ousou ao incluir elementos eletrônicos, colocar o baixo bem à frente e usar algumas afinações mais baixas de guitarra.

Como fica cada vez mais difícil de falar em originalidade ou a criação de um som verddeiramente novo, resta observar como os músicos atuais tentam, ao menos, mostrar músicas diferentes.

A banda Ignispace se saiu bem na primeira tentativa, onde a voz de Larissa Zambon casou bem com a sonoridade que remete a Evanescence, um pouco de Amaranthe, Crucified Barbara e Doro Pesch.

"Eu busquei esse tipo de som e a banda me proporcionou essa possibilidade. Algumas pessoas pode estranhar um pouco, no começo, o meu timbre de voz suave em cima de camada sonora pesada, mas é uma questão de costume", diz Larissa.

O guitarrista Rafael Benato, por sua vez, acredita que a mescla de rock pesado, pop e música eletrônica, com afinação mais baixa, foram um fator primordial para que o som da Ignispace se moldasse à voz cde Larissa, e vice-versa.

"Essa diversidade sonora é o nosso diferencial, em minha opinião. Uma voz suave e até sutil como a da Larissa caiu muito bem e nos possibilitou experimentar mais", afirmsa o guitarrista.

O uso dos teclados, que costuma ser excessivo neste tipo de som, foi bem dosado, especialmente na versão de "Rise Beyond" do CD, que foi lançada em single anteriormente.

"Leap of Faith" flerta com um hard'n'heavy que mostra as habilidades do guitarrista Rafael Benato, que abusou dos solos e mostrou bastante feeling, assim como faixa "Ghost of Time" e na balada "I Know".

Rafael Romani, o baixista e produtor, também se destaca pelo equilíbrio entre o ritmo marcante e o peso de uma guitarra base. É o caso na música "Ghost of Time" e na boa "A Whole New Life".

Uma surpresa é a inclusão da faixa "Viagem ao Fundo do Ego", a primeira experiência da banda em português.

É uma versão da banda Egotrip, que teve sucesso efêmero nos anos 80. É um rock vigoroso, pesado, um hard'n'heavy que transformou a música, lançada inicialmente como um single. O dueto entre Larissa e Romani ficou muito bom, deixando a música mais descontraída.

Vox Ignea (FOTO: DIVULGAÇÃO)

No hard rock, o destaque é a banda paulistana Vox Ígnea, que lançou o seu segundo EP, "nem Um Minuto a Perder", que teve como aperitivo o single "Covil", um hard buesy safado que tem muito de sua graça na voz da ótima cantora Raquel Lopes.

Com uma letra bem sacada e melodias que lembram a banda Fábrica de Animais, a Vox Ígnea resgata também uma aura de Rita Lee e Tutti Frutti, ou seja, com o pezão nos anos 70, uma cortesia do poderoso guitarrista Rodrigo Santos.

"Essa música conta com mudanças de andamento e de climas, com forte influência de Black Sabbath e Rival Sons. O riff que se repete ao longo da música é o fio condutor", analisa Santos.

Raquel canta com uma fúria raramente vista nas músicas das banda. "A letra fala dos problemas que tive no mercado de trabalho, tendo de aguentar a tirania de chefes e passando por vários constrangimentos."

A abertura do EP, "Advocatus Diaboli", também é forte e o acento bluesy garante a qualidade, que dá suporte à irônica letra e aos belos solos de guitarra.

Mostrando que estavam afiados e prontos para afrontar, os integrantes também pegam pesado na boa "Ego de Rei", que é tem uma pegada um pouco mais pop, e na agressiva "Faça Melhor", com Raquel Lopes mais uma vez se destacando, realçando as sutilezas de sua interpretação.

Mais bem trabalhado e com canções mais forte, o segundo EP é melhor do que o primeiro, que já era bom. A banda já tem um repertório de respeito e certamente expandir a quantidade de shows para encorpar ainda mais o seu som.

Na praia do stoner rock aparecem as bandas Weedevil e Lâmmia, que estão com singles novos na praça. São músicas muito pesadas e que mostram a qualidade alta dos vocais de suas cantoras.

A Weedevil, de São Paulo, surgiu como um projeto capitaneado pelo batersta Flávio Cavichiolli, que tocou com Pin Ups e Forgotten Boys. A ideia era mesmo fazer um som pesado e moderno, mas que fosse centrado em riffs.

O resultado é a faixa "Morning Star", que traz influências setentistas de Stooges, MC5 e Black Sabbath, enquanto que as melodias também sugerem que os músicos ouviram muito bandas recentes, como Lucifer, Avatarium, The Oath e Sleep.

Muito do mérito da boa canção vem da excelente interpretação de Fabrina Valverde, que mostoru bastante atitude e assumiu a responsabilidade de não se deixar ser soterrada pela massa sonora dos companheiros.

Som é sujo e pesado, com o vocal muitas vezes gritados, mas sem aquela coisa de fazer muito esforço. A banda mandou muoito bem na ua música de estreia.

Os cariocas da Lâmmia queriam mergulhar no grunge, mas o que cometeram foi uma porrada stoner, com guitarras saturadas e um vocal rasgado e potente.

Carmen Cunha faz um duelo vibrante e instigante com a guitarra de Dony Escobar em "My Layne", uma homenagem a Layne Staley, vocalista do Alice in Chains que morreu em 2002.

É uma música forte, pegajosa, perfeita para um clímax de show para a galera pular e se esbaldar. Resta saber os motivos de a banda ainda não ter lançado um álbum diante da qualidade alta deste single e do anterior, "Pulling Chains".

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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