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Com forte agenda política, Kool Metal Fest acontece neste final de semana

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07/11/2019 05h51

Marcelo Moreira

Brujeria (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Uma mistura política explosiva entre feminismo e exaltação da política de defesa dos direitos humanos com um discurso raivoso e radical a favor dos refugiados e dos imigrantes, sendo que tudo isso é tempetrado pela fúria de uma narrativa antiopressão e antirrepressão.

O Kool Metal Fest, que ocorre neste final de semana, em São Paulo, não é um programa para pessoas sensíveis, daquelas tipo imbecis que se ficam "horrorizadas" com o conteúdo político, social e de protesto das músicas de bandas como Brujeria, Krisiun, Nervosa, Surra, Cemitério e outras mais.

O elenco do festival é emblemático e se mostra totalmente adequado aos tempos sombrios em que vivemos nas Américas, seja por conta das investidas do mandatário ianque, Donald Trump, contra os imigrantes, seja pela guinada à direita do Brasil, que camoinha a largos passos para o isolamento diplomático internacional.

A atração internacional é o Brujeria, banda norte-americana formada por astros do metal de origem hispânica (latino-americana). Combo irregular e com formação variável, tem letras em espanhol e faz um thrash/death metal furioso com letras de profundo protesto social contra os governos e o banditismo generalizado.

Entretanto, quem ganha protagonismo é o trio paulistano Nervosa. As meninas destilam um thrash/death igualmentge furioso, mas totalmente conectado com a situação política e social brasileira. Depois do Sepultura e do Krisiun, é a banda de metal extremo brasileira mais importante da atualidade.

A vitoriosa apresentação no Rock in Rio deste ano elevou o trio de patamar, O discurtso feminista/de valorização da mulher e dos direitos humanos chamou a atenção de muita gente fora do "gueto" metal e as transformou em vozes importantes contra a violência e os atentados contra os direitos humanos.

Discurso de esquerda? Isso é irrelevante diante da potência e da contundência da mensagem que banda passou no palco carioca, principalmente depois da música "Guerra Santa", a única em português que destroçou a nojenta., nociva e pérfida influência religiosa na vida cotidiana de uma sociedade.

Faltou a destruidora "Cultura do Estupro", que está no mais recente álbum da banda, de 2018, cuja letra foi escritas por João Gordo, do Ratos Porão.

No caso do Krisiun, a situação é um pouco mais genérica, mas não menos contundente. Um dos grandes nomes internacionais do metal extremo, prestes a comemorar 30 anos de trajetória, o trio gaúcho é um ativo combo que combate a intolerância, os atentados aos direitos humanos e à liberdade de expressão.

O Surra é mais explícito e direto. Transitando entre o hardcore e o punk, tem impregnado no DNA o protesto e a ideologia de protesto mais alinhada à esquerda, embora não faça disso o seu cavalo de batalha.

Ok, abundam as denúncias contra o que consideram a perfídia do capitalismo, mas a crítica social é mais ampla e direcionada, algo perfeitamente coerente com os tempos nublados e escuros em que estamos sobrevivendo.

 

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
Contato: contato@combaterock.com.br

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