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Combate Rock

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Skank ou 'alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou'

Maurício Gaia

05/11/2019 08h32

Skank (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Qual é o momento em que uma banda deve parar? O Skank anunciou que a banda vai "dar uma pausa", sem previsão de retorno. Os shows continuam lotando, a banda continua popular e, aparentemente, não houve uma briga ou desentendimento entre seus membros. Apenas a necessidade manifesta por seus integrantes de partir para novos rumos artísticos.

É frequente aqui neste Combate Rock o questionamento: até onde uma banda ou um artista deve continuar em atividade? Em muitos casos, o auge criativo faz parte de um passado dourado e o presente se resume a shows em busca de dinheiro. Como negócio, pode ser interessante, afinal de contas, cada um sabe o quanto precisa de dinheiro (ou muito mais dinheiro).

Capa do álbum solo de Mick Jagger. Você se lembra disso?

Mas para outros artistas, se a vontade de explorar outras searas se impõe. E, muitas vezes, fazer isso estando ligado aos antigos membros pode colocar tudo em risco: a vontade de Mick Jagger em concentrar em sua carreira solo, nos anos 80, quase implodiu os Rolling Stones. No Brasil, as carreiras-solo de Nasi e Edgard Scandurra acabaram sendo, entre outros motivos, o estopim para a briga em que resultou em um afastamento de anos entre eles.

Ainda assim há a questão da relevância artística – uma das facetas mais cruéis da música pop é justamente reservar aos anos da juventude o ímpeto criativo. Ao contrário de outras expressões artísticas, como a literatura, cinema ou artes plásticas, em que o artista pode encontrar seu ápice em seus anos de maturidade, na música pop o artista tende a apresentar trabalhos mais pálidos à medida que envelhece. Falamos de Stones no parágrafo acima e continuamos  a falar deles: o último álbum que REALMENTE valeu a pena ouvir foi o "Tattoo You", que já tem quase 40 anos (ok, há que mencione o Steel Wheels, lançado há 30). Ou escolha a banda que você bem entender: todas elas tem entre seus principais trabalhos os lançamentos de primeiros anos de carreira – há exceções, claro, mas elas costumam confirmar a regra.

De uma certa forma, isso aconteceu com o Skank: seus primeiros álbuns, focados no dancehall jamaicano, possuem uma saraivada de hits. Mesmo com a mudança estética surgida a partir de "Maquinarama" e "Cosmotron", o sucesso se manteve e seus álbuns subsequentes, mesmo sem o mesmo número de sucessos radiofônicos, sempre foram consistentes, mantendo shows lotados e seu prestígio artístico intacto.

"Um homem sábio deve saber o momento em sair da festa", escreveu Michael Stipe quando do anúncio do fim do R.E.M., outra banda que também preferiu parar sem que houvesse algum conflito entre seus membros, que ainda tinha prestígio popular e de critica. O anúncio do Skank me fez lembrar desta frase e também me veio à mente o título do filme dirigido por Bárbara Paz: "Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou". Ao que parece foi o que fizeram os integrantes do Skank.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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