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Os 50 anos da carreira solo de Rod Stewart

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21/10/2019 06h18

Marcelo Moreira

Futebol e rock sempre andaram juntos, mas poucas vezes um se imiscuiu de forma acachapante na área do outro. Todo mundo lembra que os irmãos Noel e Liam Gallagher (ex-Oasis), atualmente brigados, são fãs do Manchester City e fazem questão de ir ao estádio quando podem. Ou que Gavin Rossdale, do Bush, foi um atacante razoável quando garoto e já atuou no cinema como o capitão da seleção inglesa que perdeu para os Estados Unidos por 1 a 0 na Copa do Mundo de 1950.

Também está no passado o fato de que Elton John foi o proprietário e presidente por anos do Watford, time da Grande Londres que vai e volta da segunda divisão inglesa. Entretanto, nenhum roqueiro viveu mais o futebol do que o cantor Rod Stewart, que comemora neste ano os 50 anos de sua carreira solo.

O futebol tem tanto espaço na autobiografia do cantor quanto a música e os casos amorosos – três casamentos, três uniões estáveis e oito filhos, e ainda contando…

O livro do cantor rouco foi lançado no Brasil há alguns anos pela GloboLivros e deve ser reeditado aqui e no exterior justamente por conta do cinquentenário da carreira solo.

É um livro recheado de bom humor e autodepreciação, mais bem escrito do que se poderia imaginar. Stewart, assim como Phil Collins fez em sua obra, não economiza nos relatos constrangedores de muitas situações, expõe muitos de seus erros na vida pessoal – e foram vários -, reconhece-os, mas o faz com tal ternura e respeito pelas pessoas envolvidas que torna  sua autobiografia um livro bastante legal de ler.

Longe de ser um estilista, usa uma prosa simples e direta, sem rodeios. Tem algumas falhas, sendo a principal o destaque menor do que deveria em relação à música. Neste aspecto, vai bem até a metade, mas quando a fama e o sucesso aparecem, a música e a carreira em si perdem um pouco do espaço, o que é uma pena, mas vale a leitura.

Roderick David Stewart completou 74 anos de idade em janeiro e é um dos artistas mais ricos da Grã-Bretanha. Ambicionando ser um roqueiro desde os 15 anos, decidiu se dedicar ao projeto seriamente dois anos depois após uma frustrada tentativa de entrar para o time juvenil de futebol do Brentford, na Grande Londres, que quase nunca sai da quarta divisão.

Arranhando a gaita e o violão, passou por alguns grupos obscuros até conhecer o cantor Long John Baldry e dividir com ele os vocais em sua banda. Entre 1964  e 1967 gravou alguns singles que, para sua sorte, fracassaram.

Cantou com alguns artistas e em várias bandas efêmeras até conhecer o guitarrista Jeff Beck em um show de Jimi Hendrix em meados de 1967. Um sabia da existência do outro e assim decidiram montar o Jeff Beck Group.

Beck era o chefe, mas quem montou a banda foi Stewart, chamando os amigos Ron Wood (guitarrista que aceitou tocar baixo) e Mick Waller (baterista com cara de nerd). Foram dois anos intensos, com dois álbuns gravados, turnês estupendas e frequentes rusgas com o temperamental guitarrista.

A proposta para ser um artista solo surgiu em 1968, quando ele ainda estava com Beck. Foram algumas tentativas para produzir as primeiras gravações, até que finalmente o Jeff Beck Group implodiu em 1969.

Foi um pouco difícil, mas naquele ano ele finalizou o primeiro álbum, "The Rod Stewart Album" (na Inglaterra, o álbum se chamou "An Old Raincoat Won't Ever Let You Down"), que só chegaria às lojas em 1970.

Amicíssimo de Wood, bebiam sem parar enquanto prensavam no que fazer da vida. Rod tinha agora uma carreira solo, mas não tinha banda. O que fazer e por onde começar? O cantor precisava de material autoral para continuar.

De repende, Wood some. O amigo começa a procurar nos bares de Londres e o descobre ensaiando em um porão de um prédio que servia de depósito para os Rolling Stones.

Stewart chega e vê um quarteto ensaiando e bebendo muito. Ronnie Wood "emprestou" sua guitarra para a banda Small Faces, que tinha perdido o guitarrista e vocalista Steve Marriott, que foi para o Humble Pie ao lado de Peter Frampton.

Por algumas semanas Stewart ficou sentado ao lado do teclado de Ian McLagan, bêbado e entendiado, vendo os ensaios indo a lugar nenhum.

Meio de saco cheio daquela indefinição, o baixista Ronnie Lane, um pouco bêbado, fioca irritado com a cara de tédio de Rod e grita: "Acorde, seu tonto, e venha cantar algo para ver se sai alguma coisa."

A contragosto, Stewart, que era fã dos Small Faces, levantou-se e cantou alguma coisa. E depois cantou blues antigos de Muddy Waters.

A noite terminou no pub da vizinhança com Stewart obrigado a aceitar o posto de cantor na nova banda surgida no porão: The Faces, um quinteto que durou até 1975, gravou quatro álbuns em paralelo à carreira solo de Rod Stewart e que chegou a rivalizar em venda de ingressos para shows nos Estados Unidos com Rolling Stones, Led Zeppelin e The Who.

Não há planos para que Stewart comemore esses 50 anos, seja solo ou com os Faces – Ronnie Lane morreu em 1998 e Ian McLagan, em 2015.

 

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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