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Iron Maiden opta por 'musical' tipo Broadway e faz história no Rio

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05/10/2019 07h00

Marcelo Moreira

Iron Maiden no Rock in Rio, em cenário que incluiu avião de guerra (FOTO: DIEGO PADILHA/RCK IN RIO/ DIVULGAÇÃO)

Para combater uma missa satânica, nada mais do que convocar um exército de hits e muita coreografia. E a missa sucumbiu ao musical épico que o Iron Maiden ofereceu a mais de 100 mil pessoas no Rock in Rio.

O sexteto inglês não economizou nos figurinos e nos cenários e trouxe o show completo da "Legacy of Beast Tour",. que tem por base um game de mesmo nome que usa músicas da banda.

Em show antecipado, a apedido, o Iron entrou com tudo no palco e fez de "Aces High", a mítica canção que louva os heróis ingleses da Batalha da Inglaterra, em 1940, contra os nazistas.

Era o começo de uma viagem por fatos históricos narrados nas canções da banda e que transformaria o concerto em muito mais do que uma ópera-rock. Um espetáculo que certamente cairia muito bem na Broadway.

O vocalista Bruce Dickinson assumiuo protagonismo e foi o condutor de todo o show, mudando de figurino a cada música. Foi o soldado inglês em "Aces High" e "The Trooper", foi o guerreiro escocês em "The Clansman", foi o monge da escuridão em "Sign of the Cross"…

Os efeitos pierotécnicos, um show à parte – teve até um caça Spitfire na primeira música -, funcionaram perfeitamente e proporcionaram um tipo de espetáculo inédito no Rock in Rio.

Em shows anteriores no festival o sexteto também abusou de efeitos cenográficos, mas nada parecidos com o que vimos em 2019. Tudo isso só valorizou a performance de Dickinson, que mostrou-se em total forma aos 61 anos e com muito fôlego.

Não dá para exigir a mesma performance vocal de quando ele entrou no Iron Maiden, 38 anos atrás, mas o que ele apresentou chamou a atenção pela potência e pela qualidade interpretativa, ainda que em alguns tons levemente diferentes. Bruce aguentou firme por mais de 90 minutos cantando e atuando.

Em uma apresentação um pouco engessada e milimetricamente cronometrada e coreografada – eram muitos elementos cênicos na apresentação -, podemos até sentir a falta de um pouco de relaxamento, de feeling, de "erros" e improvisações.

Não foi o caso aqui, já que a perfeição era necessária justamente por conta da exímia coordenação de muita coisa ocorrendo no espetáculo. E os três guitarristas conseguiram um feito, que foi a sincronia extraterrestre com o que ocorria no "musical".

Além disso, enquanto o baixista Steve Harris era a concentração absoluta, preciso como um relógio, os guitarristas estavam genuinamente se divertindo, ora se provocando, ora duelando em solos rápidos e certeiros.

Em um show um pouco mais conciso, o privilégio foi para os hits contidos no jogo de computador, como as já citadas e clássicos como "The Number of the Beast", "Hallowed By Thy Name", "Flight of Icarus", "Iron Maiden", "F"ear of the Dark"…

Entretanto, houve espaço para algumas surpresas, como a extraordinária "Revelations", pouco tocada ns últimos anos, e o resgate de duas duas longas suítes da época do vocalista Blaze Bayley – "Sign of the Cross" e "The Clansman" -, além do libelo pacifista de cunho filosófico "For the Greater Good of Good", do subestimado e ótimo álbum "The Matter os the Life and Death", de 2006.

Em um dia de grandes expectativas, e todas cumpridas, com uma apresentação melhor do que a outra, o Iron Maiden fez um show dos mais extraordinários já executados no Brasil. Foi o mehor do Rock in Rio até agora e, sem medo de errar, um dos cinco melhores já ocorridos em todas as edições do festival.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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