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Combate Rock

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Weezer mescla hits e covers com performance memorável, mas curta, em SP

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01/10/2019 16h55

Flavio Leonel – do site Roque Reverso

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A noite da quinta-feira, 26 de setembro, foi histórica para o rock em São Paulo por causa da estreia de uma banda de alto quilate em terras paulistanas. Nada menos que o Weezer, finalmente, fez uma apresentação na cidade, abrindo o festival Itaipava de Som ao Sol, no Ginásio do Ibirapuera.

Numa noite com frio e garoa fina em algumas regiões da cidade em pleno início da Primavera, o grupo norte-americano da Califórnia trouxe um show que mesclou hits e covers importantes do rock n' roll.

Com mais de 25 anos de carreira, seu ineditismo em São Paulo e o retorno ao Brasil após mais de uma década (tocaram em Curitiba em 2005), esperava-se do grupo uma apresentação mais longa e superior à de 1h20 que foi vista no Ginásio do Ibirapuera.

Quanto ao show em si, veio ao público a qualidade inegável do grupo, formado por Rivers Cuomo (vocal e guitarra), Brian Bell (guitarra, teclado e backing vocal), Patrick Wilson (bateria) e Scott Shriner (baixo e backing vocal). Muitos dos fãs realizaram um sonho de décadas e puderam, apesar da apresentação curta, cantar e se emocionar com as músicas mais importantes da banda.

Com preços salgados para o padrão atual de show, no qual um ingresso inteiro de pista saía por um valor de R$ 580,00, o público ficou longe de lotar o Ginásio do Ibirapuera. Houve a meia-entrada e até uma promoção importante de 50% de desconto para compras por meio de um cartão de crédito, mas, principalmente as arquibancadas do ginásio, ficaram com vários espaços vazios. A Pista, apesar do valor, concentrou um bom público, dando a sensação de espaço cheio.

Razões para a não lotação não faltam além do preço elevado: desemprego elevado e inúmeros shows agendados para São Paulo em setembro e outubro são dois fatores importantes para entrarem na lista das dificuldades para o público. Para os organizadores, a vida também não está nada fácil para os shows, já que dólar acima de R$ 4,00 costuma prejudicar qualquer boa alma que queira organizar apresentações musicais de bandas estrangeiras.

O show

Pontualmente, às 21h30, as luzes no Ginásio do Ibirapuera se apagaram e o Weezer entrou logo de cara com seu primeiro e eterno hit, "Buddy Holly", que fez o público gerar um coral monstro do início ao fim da canção. O clima era o melhor possível, com a cara de felicidade estampada na cara das pessoas.

Ciente da importância daquele momento, o Weezer foi tirando um sucesso atrás do outro do bolso. O álbum de estreia, "Weezer", conhecido popularmente como "The Blue Album", foi o mais contemplado da noite. Depois de "Buddy Holly", que faz parte do disco, foi a vez de outra, "Undone – The Sweater Song", que manteve a empolgação geral da plateia.

Após "Hash Pipe", que é do chamado "The Green Album", a banda trouxe "My Name Is Jonas", também do primeiro álbum. Até então, o grupo se manteve apenas tocando, sem muito papo com o público, sem deixar a simpatia de lado. Foi então que Rivers Cuomo agradeceu e disse que estava feliz por estar em São Paulo, arrancando gritos de devoção dos presentes.

A primeira cover da noite foi "Happy Together", do grupo "The Turtles", que chegou a contar com um trecho da música "Longview", hit do Green Day.

Para quem temia um som ruim do Ginásio do Ibirapuera, foi surpreendente a qualidade vista neste show do Weezer. Quem cansou de ouvir críticas nos Anos 80 por causa do eco gerado pelo formato do ginásio viu que os tempos são outros e que a tecnologia atual consegue compensar esses obstáculos.

"Island in the Sun", considerada por muitos a música com o clipe mais "fofo" de todos os tempos, por trazer imagens de vários animais ainda filhotes, foi tocada após "Holiday". A banda chegou a deixar a plateia cantar sozinha um trecho da canção, deixando o grau de emoção ainda mais no alto.

"Perfect Situation" foi seguida pela boa cover de "Take On Me", do A-ha. "The End of the Game" e "Surf Wax America" foram seguidas pela ainda melhor cover "Africa", do Toto, na qual, logo após sua execução, o vocalista apareceu com uma camisa da Seleção Brasileira com seu nome das costas. Ele não vestiu, mas exibiu para a plateia, arrancando aplausos.

A covers tocadas foram bem recebidas, em sua maioria, pela plateia. Há muitas bandas que fazem versões ruins de músicas conhecidas. Mas, no caso do Weezer, a nova roupagem ficou bem interessante e a qualidade não ficou de lado.

"The Good Life" e "El Scorcho" foram seguidas por uma versão bacana de "Paranoid", do Black Sabbath, cantada por Brian Bell, mostrando que os músicos também beberam na fonte do rock pesado.

Foram músicas de grande empolgação do público, cantando demais letra por letra. Mas não foi só a plateia que se empolgou, já que Rivers Cuomos chegou a soltar um "muito foda!", em português, mesmo.

"Pork and Beans" e "Beverly Hills" foram outros hits que mantiveram o astral elevadíssimo do show, com direito a fãs fazendo com as mãos o sinal da letra "W". Em "Pork and Beans", a banda revezou o microfone, com todos os componentes cantando trechos da música. "O Brasil é foda", disse, no final, Cuomos, novamente em português.

Após "Beverly Hills", o Weezer trouxe sua versão para "Lithium", do Nirvana. Este jornalista ousa dizer que Kurt Cobain ficaria feliz se tivesse visto a execução pesada e melodiosa do Weezer. Algo de tirar o chapéu e, disparada, a melhor cover da noite, fazendo o público cantar alto, bem alto mesmo.

Pausa para um breve descanso, com direito ao público gritando "Olê, olê, olê, olê, Weezer", naquelas improvisações bacanas que as plateias brasileiras conseguem fazer com os cantos das torcidas de futebol.

O grupo voltou ao palco para tocar uma versão à capela de "Buddy Holly". Todos ao redor de um único microfone, num estilo pouco comum para bandas gringas de rock em shows no Brasil.

O melhor da apresentação ficaria para o final. Nada menos que o clássico "Say It Ain't So" fechou com chave de ouro o show. Foi sensacional ver o Ginásio do Ibirapuera inteirinho cantando a música a plenos pulmões. Um momento esperado demais, que dificilmente vai sair da mente dos fãs e que valeu cada centavo do ingresso caro gasto pelo público presente.

Ao final, a plateia ainda esperava uma outra música de bônus, mas a banda apenas agradeceu e se dirigiu ao camarim, não retornando para um segundo bis.

O saldo final do show do Weezer foi dos mais positivos. A despeito da duração da apresentação, as músicas escolhidas foram as melhores. Muitos realizaram um sonho de mais de duas décadas e saíram com sorrisos estampados no rosto, com manda um bom show de rock.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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