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Combate Rock

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Atenção: você está sendo monitorado pela polícia!

Combate Rock

03/08/2019 12h39

Marcelo Moreira

O primeiro atentado ocorreu antes do segundo turno das eleições presidenciais, em outubro do ano passado. Um bandado de celerados apoiadores de Jair Bolsonaro tentou invadir uma reunião de professores que organizavam um ato em defesa da educação e em apoio a Fernando Haddad (PT) em Santa Catarina. Houve muitos protestos, mas que não reverberaram. Os isentões de plantão resolveram que se tratava apenas de um "arroubo" em tempos eleitorais.

Em junho passado, policiais militares do Amazonas interromperam uma reunião de sindicalistas em Manaus durante a preparação de um ato de protesto contra a visita de Bolsonaro à cidade. Os PMs disseram que tinham sido mandados pelo "Comando do Exército".

Neste final de semana foi a vez da invasão ilegal e inconstitucional de uma sede do PSOL em São Paulo. PMs invadiram o local arbitrariamente e disseram estar "monitorando" os participantes.

Até o momento, nenhuma explicação do Comando da PM ou da Secretaria de Segurança Pública do Estado foi dada sobre essa ação abusiva.

Se juntarmos às recentes intimidações da PM contra músicos de rock em Bonito (MS), Belém (PA) e Brasília (DF), não dá mais para considerarmos essas "abordagens" como "atos isolados". O autoritarismo está avançado em nossa sociedade em causar o horror que deveria estar causando.

Até agora foram poucas as manifestações de repúdio ao que a PM fez contra o PSOL em São Paulo. Esquerdistas aqui e ali esbravejam nas redes sociais contra essa aberração institucional, mas é só.

É muito estranho que governadores de Estado, sejam de qual partido forem, estejam determinando diretamente esse tipo de absurdo.

Se a decisão parte do secretário de Segurança Pública ou do comandante da PM sem o conhecimento do governados, significa que o governador não sabe de nada e não manda nada.

É o tipo de coisa que, em lugares sérios, seria motivo para a destituição de secetário de Estado e do comandante da força policial. Com muito mais boa vontade, do próprio governador.

Ratos de Porão (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Como é possível que tenhamos retrocedido tanto em apenas alguns meses após a eleição de um político incompetente e incapaz como presidente da República? E o retrocesso pode ser estendido a vários governos estaduais, a julgar pela postura absurda dos policiais militares.

De certa forma, não surpreendem que esses atos ocorram em governos de inspiração autoritária e fascista (na maioria dos casos), ainda qwue de forma tão explícita e desavergonhada.

O que incomoda e assusta é que a repercussão esteja aquém da que deveria ocorrer, com a execração total e irrestrita de tas comportamentos autoritátios dos policiais militares.

Quem determinou tais invasões? Com qual finalidade? Se uma mera reunião de mulheres do PSOL merece uma "invasão para monitoramento", então o que vao acontecer quando partidos de oposição fizerem reuniçoes para eleger seus dirigentes ou discutir a conjuntura nacional?

Será que poderemos esperar surpresas no show gratuito que os Ratos de Porão farão neste domingo (4) no Parque da Juventude, em Santo André, na Grande São Paulo?

Na semana passada, em duas apresentações no Sesc Pompeia, João Gordo, à frente do Ratos de Porão, fez pesadas críticas a Bolsonaro e vo vicce-presidente, general Hamilton Mourão. A plateia lotada veio abaixo. Será a PM estará presente para "monitorar" a banda e, eventualmente, interromper o show?

Não nos iludamos: medidas autoritárias continuarão a ser tomadas em nosso país contra os cidadãos, e de forma cada vez menos desavergonhada.

A tendência é de que sejamos caca vez mais "monitorados", com tentativas frequentes de calar críticas e protestos contra os governantes de plantão, a maioria deles de inspiração autoritária e fascista.

Com isso, conseguimso a proeza de retroceder aos anos 70, quando qualquer pessoa sensata, ao sair de casa, tinha de ficar muito alerta contra as forças de repressão, seja para ir a um show ou tomar ma cerveja com amigos nos botecos de esquina da vida.

ATUALIZAÇÃO ÀS 18H:

A Polícia Militar enviou à redação do Universa/UOL uma nota oficial sobre a atuação no caso do PSOL na manhã deste sábado. O texto pode ser classificado como inacreditável. O texto do Universa pode ser lido clicando aqui. 

Abaixo, a nota inacreditável da PM:

"A Polícia Militar esclarece que os patrulheiros, que faziam o policiamento na região, foram ao local para verificar concentração de pessoas que se iniciava. Ao tomar ciência de que eram cidadãos ligados a partido político e em reunião para realização de plenária, questionaram se as pessoas, após as discussões, iriam sair em ato democrático, que pudessem tomar vias públicas. Tudo visando às providências da Polícia Militar para a segurança do evento. Como os presentes disseram que o evento se consistia em reunião interna, os patrulheiros deixaram o local."

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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