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Black Flag tocará pela primeira vez no Brasil

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2019-06-20T19:17:00

19/06/2019 17h00

Black Flag (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Houve um tempo em que a associação entre o cantor, escritor e ativista Henry Rollins e a banda Black Flag era quase imediata, tamanha a relevância da passagem dele pelo grupo. Faz sentido, embora a história da "bandeira negra" seja muito mais rica e longa.
Ícone punk e também do rock pesado, o Black Flag esteve na vanguarda da música de protesto por muitos anos e na linha de frente dos principais eventos políticos dos Estados Unidos nos últimos 35 anos. Portanto, é sintomático que, finalmente, visite o Brasil em tempos sombrios e de fúria.
Não há como não  da música "Police Story", a sétima faixa de "Damaged", o disco de estreia do Black Flag lançado em 1981, que ganhou uma versão bem legal do Ratos do Porão quase 15 anos depois no ""Feijoada Acidente – Internacional": as guitarras tortas e a batida alucinada, meio desajeitada, dão a pegada raivosa para críticas às instituições que batem, reprimem e enriquecem.

É levar porrada, dar porrada e seguir adiante, mas não baixar a cabeça, uma entre tantas mensagens atemporais exaltadas com atitude pelo Black Flag, que orientam e inspiram inúmeras bandas e pessoas até hoje. Enfim no Brasil, tocam dia 7 de julho no Carioca Club, em São Paulo, a única data no país.

Jão, guitarrista e fundador do Ratos do Porão, foi um entre tantos moleques impactados pela sonoridade alucinante e original do Black Flag. "Quando apareceu, né, meu, era uma sonoridade muito nova. Pega os quatro primeiros anos da banda, era um negócio muito diferente, pra frente do seu tempo, com aquelas guitarras tornas, uma mina no baixo."

Já no movimento punk, Jão conta que foi ouvir Black Flag pela primeira vez em 1981, "quando começaram a aparecer uns compactos", pro delírio da galera envolvida com esse som.

Devido à postura e som, João aponta o Black Flag como "imprescindível" e que, assim como Circle Jerks e Middle Class, influenciou demais o começo do Ratos do Porão, "que era aquela coletânea Sub, antes do (João) Gordo entrar na banda, antes do 'Crucificados pelo Sistema"'.

Era a influência do hardcore americano abrindo possibilidades ao punk de todo o mundo. "Aquelas guitarras tortas, pô, no começo do Ratos a gente não sabia e nem tinha condição de fazer um som naquele estilo, mas adaptamos à nossa realidade e aquilo que conseguimos tocar", diz Jão.

Além do começo arrebatador e marcante ao punk/hardcore, Jão menciona o impacto que mais pra frente foi ouvir My War, o segundo disco do Black Flag.

"Aquela bagulho tenso, com uma sonoridade obscura. Os caras sempre foram se renovando e fazendo discos diferentes, sem perder a marca registrada da banda. Acho a discografia do Black Flag bem foda e interessante", conta o guitarrista.

Fábio Massari, o icônico VJ da antiga MTV, aquele jornalista que conta como nenhum outro as histórias e anedotas de bandas alternativas ao redor do globo, conhecido também como 'Reverendo', mantém o discurso de Jão sobre o Black Flag, que, segundo entende, "forjaram todo um léxico hardcore: raivoso e extremamente articulado".

"Se tem uma banda que podemos chamar de 'seminal', sem exageros e medo de errar, dá-lhe Black Flag! O grupo do Sr. Greg Ginn (guitarrista visceral e chefão linha dura da não menos importante etiqueta SST) basicamente pavimentou o caminho, cristalizando cenas do underground americano nos bicudos anos 80 e estabelecendo caminhos futuros. A vida seria outra, e muito mais complicada, não fosse por eles".

"Lendários. E impossível de imitar", parafraseando Massari, como uma necessária chamada à aguardada estreia do Black Flag no Brasil, reformulado, é verdade, hoje com Mike Vallely nos vocais, mas com a mesma aura desafiadora e raivosa dos primórdios.

SERVIÇO 
Black Flag em São Paulo 
Data: 7 de julho de 2019 
Horário: a partir das 18 horas 
Local: Carioca Club 
Censura: 16 anos 
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros/SP 
Ingresso: 
1º lote R$110 (Meia entrada / Estudante / Promocional)  – ESGOTADO!
2º lote R$130 (Meia entrada / Estudante / Promocional) 
Camarote 1º lote R$180 (Meia entrada / Estudante / Promocional) 
Camarote 2º lote R$200 (Meia entrada / Estudante / Promocional) 
*(Promocional para não estudantes doando 1 kilo de alimento não perecível) 
Venda física sem taxa (somente em dinheiro) na Locomotiva Discos: Rua Barão de Itapetininga, 37 – Loja 8 – República, São Paulo

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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