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Combate Rock

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Lobão entre o arrependimento oportuno e a churrascaria mais próxima

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2018-05-20T19:12:23

18/05/2019 12h23

Marcelo Moreira

Lobão resolveu quebrar o silêncio e transformar um "mea culpa" na análise política quase isentona sobre o governo Jair Bolsonaro, que teve o seu apoio.

O músico, que artisticamente não vive os seus melhores dias, achou que poderia dar certo, mesmo para o público que tem curtido a sua guinada à direita, ocorrida há alguns anos.

Não deu certo, e foi achincalhado nas redes sociais por antigos detratores e supostos apoiadores recentes, que o chamaram de oportunista ao dizer que Bolsonaro é incapaz de governar. Leia versões da entrevista clicando aqui ou aqui.

Para seu azar, eis que surge nas mesmas redes sociais que tanto o incensaram a partir de 2013 um cartaz onde se pode verificar a propaganda de um show ue irá fazer em breve em um um restaurante, que osa detratores trataram de rotular como uma churrascaria.

"Quem diria que um dos intelectuais do BR Rock, com letras boas e viscerais, iria terminar seus dias roqueiros em ma churrascaria qualquer, tocando em cima de ma basezinha pré-gravada de tecladinho chinês…", escreveu um saudosista do cantor de "Me Chama" e "Decadance Avec Elegance"…

Não se trata de alegar que  o músico estava do ladocerto ou errado da história – esta haverá de julgar, algum dia. A questão é se o legado musical de Lobão, manchado pelo ressentimento, pelo ódio e pela deturpação histórica, sobreviverá ao escrutínio do tempo.

De artista artista articulado e letrista inspirado, Lobão passou a ser visto como um bufão histérico que atira para todos os lados após um declínio artístico neste século XXI.

Bradando a todos os ventos inspirado pelo ressentimento e pelo pedantismo fora de tom, atacou os velhos inimigo de sempre nos discursos e nos livros pouco inspirados que escreveu, preferindo o papel de caricatura de si mesmo nos impropérios que disparou também contra a esuerda e políticos do PT, culminando com xingamentos públicos à então presidente Dilma Rousseff durante um show com apenas metade da lotação da casa.

Ao ver o cartaz o show no estaurante, e impossível não associar a decadência artística e queda de popularidade com sua postura política às vezes incoerente, às vezes hisriônica e quase sempre desprovida de bons argumentos.

É ruim perceber que o discurso de agora, de críticas a Bolsonaro, pouc repercutiu, merecendo mais o desprezo do que a atenção devida.

Lobão até pode ter sido, de certa forma, oportunista e calculista ao esperar o momento mais complicado do complicado governo Bolsonaro para tentar torpedeá-lo.

O erro de cálculo, talvez, foi esperar que houvesse um certo público para repercutir e até aplaudir o que tinha a dizer. E então a imagem doc artaz do show no restaurante veio a calhar para os detratores destilarem o seu ódio e maldade contra o "justiceiro das hordas enganadas pelo PT".

Muita gente confunde as críticas a Lobão com o mesmo tipo de ressentimento que ele destila, chamando seus detratores de "seres lamuriosos e antidemocráticos que não respeitam opiniões contrárias".

É um siplificação tosca e equivocada, para não dizer encharcada de má fé. Lobão e Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, ganharam o ódio de parcela expressiva de rock e de eleitores em geral por conta da postura raivosa e da falta de educação no debate político.

Abusando dos xingamentos e da desqualificação sistemática de oponentes, os dois se tornaram parte do que de pior existe na militância radical encabrestada pela falta de informação e pela mentira. Rapidamente se tornaram meras caricaturas do que foram um dia.

Ao espinafrar o governo Bolsonaro, Lobão tenta se eximir da responsabilidade de ter apoiado esse governo atrapalhado e incapaz acreditando que o público vai esquecer de sua militância recente.

Pode ser que as hordas de militantes chucros e analfabetos funcionais que vociferam slogans e ideias de extrema direita que apoiam o governo se sintam decepcionados com a "repentina" mudança de psotura do cantor carioca. No entanto, não devem representar maiores amolações.

Complicado mesmo será explicar, entre um hit e outro no violão, os motivos de ter batido de forma tão rerssentida e arrependida no "Mito" para os bêbados ocasionais de churrascaria, entre uma picanha mal passada e um cupim na manteiga…

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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