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Raphael Wressnig, o blues que veio da Áustria - parte 1

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10/02/2019 06h32

Eugênio Martins Júnior – do blog Mannish Blog

Rapahel Wressnig (foto: Foto: Site Jazz Cellar 11)

A Áustria deu ao mundo Haydn, Mozart, Schubert, Strauss (Johan I, Johan II e o Joseph), Suppé, Webern e tantos outros grande compositores eruditos. De lá também saiu o maestro Joe Zawinul, gênio fundador da banda Weather Report E ainda o blueseiro da pesada que vem ganhando o mundo, o especialista em Hammond B-3, Raphael Wressnig.

Ele até tentou enveredar para a música de concerto, mas seu coração pulsava mesmo é com os grooves de New Orleans. Está fazendo fama com eles.

A Big Easy passou a ser sua segunda casa e as second lines (espécie de blocos carnavalescos de lá), brass bands e o funk style da cidade lhe são mais chegados do que as polkas e valsas da sua terra natal.

Isso me faz lembrar de Não Deixa o Mar o Mar te Engolir, música de Charlie Brown Jr cujo refrão ensina: "Tem de saber chegar, tem de esperar sua vez".

E Raphael soube chegar na terra do Jim Crow e, mesmo forasteiro, vêm fazendo o nome, aparecendo aqui e e ali nas paradas e premiações nos Estados Unidos.

Gravou lá o ótimo Soul Gumbo, história à parte em sua discografia. O CD/LP contou com convidados de peso, locais, mas universais: Walter Wolfman Washington (guitarra), George Porter (baixo), Craig Handy (saxofone), Larry Garner (voz), Jon Cleary (teclados), Stanton Moore (bateria), Tad Robinson (voz), seu fiel escudeiro Alex Schutz (guitarra) e, não poderia faltar, a seção de metais com Antonio Campbel e Eric Bloom (trompete), Sax Gordon, Jimmy Carpenter e Harry Sokal (sax tenor), Max the Sax (sax alto), Werner Wurm (trombone).

No brasa gravou em 2017 com o guitarrista Igor Prado, outro que é bem chegado do lado de lá, o CD Soul Connection. Por sua vez, a parceria incluiu as participações dos cantores Leon Beal e Wee Willie Walker, e a Prado Blues Band de sempre, Yuri Prado (bateria) e Rodrigo Mantovani.

Raphael é um verdadeiro viajante em busca de parcerias duradouras, musicais e de vida. Escolhendo a dedo os músicos que lhe interessam. Já a estrada, essa se incumbiu de colocar a encruzilhadas certas no caminho de todos esses caras.

Eugênio Martins Júnior – A Áustria é a terra das valsas e das grandes sinfonias, acredito que você tenha passado por esse aprendizado, não? Você começou a aprender música no piano?
Raphael Wressnig – (Risos) Sim, é um país musical. Mozart, Haydn, as valsas de Strauss, mas também música folclórica e polkas. Minha mãe tocava polkas no acordeon. Acho que isso é algo que temos em comum com o Brasil, existe uma grande herança musical. Comecei no piano, tocando música clássica por um tempo. Em algum momento parei. Era muito chato para mim, estava sentindo falta do groove, precisava de um "meter o pé". Isso é algo que está em mim. Quero um groove um pouco mais pesado. Essa é a enorme diferença entre blues, soul, funk ou roots music. Mozart e Haydn também tocavam, mas é diferente. Alguns anos depois comecei sozinho no piano, autodidata, e logo tive minha primeira banda. Naquela época eu já tocava a música que ainda estou tocando: blues, soul, rhythm & blues, talvez não tão funk ainda, mas já havia descoberto o amor por esses estilos musicais.

EM – Quando conheceu o Blues e quando e como foi essa transição para o Hammond B3? Se é que houve.
RW – Acho que foi uma gravação ao vivo do Buddy Guy pela qual eu me apaixonei. Buddy Guy sempre teve duas coisas que eu amo: groove e fogo em seu fraseado e forma de tocar. Para mim isso é muito importante, é o que me chama a atenção, o que me faz dançar, pular. Groove! Dentro da minha primeira banda eu tocava piano piano de verdade e teclado em alguns shows, é claro. No teclado eu escolhia sons de piano, mas também sons do Wurlitzer ou Fender Rhodes e sons do órgão Hammond. Logo descobri que os sons de órgão são os sons que poderia me expressar melhor. O órgão tinha mais fogo ou, pelo menos, eu era capaz de colocar mais fogo na música. Acho que queria competir com as guitarras elétricas. Isso pode ser difícil no piano. Sempre amei o poder do órgão. Ele pode sussurrar e ser bem suave, mas pode rosnar e gritar também. Para mim, o órgão Hammond B-3 se tornou o veículo perfeito para minha música.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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