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Fim da banda Cachorro Grande é ruim para o rock nacional

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17/11/2018 06h27

Marcelo Moreira

Cachorro Grande (FOTO: DIVULGAÇÃO_)

O ano de 2018 não tem sido bom para as melhores bandas ditas independentes do Brasil. Se Boogarins seguem crescendo e os Autoramas ainda mantém o pique lá em cima, inclusive com CD novo na praça, Matanza e Cachorro Grande optaram pelo encerramento das atividades.

Sem muitas informações e de forma sucinta, o Matanza anunciou há alguns meses o seu fim e uma turnê de despedida. E agora a banda gaúcha Cachorro Grande toma o mesmo caminho.

Em comunicado nas redes sociais, o quinteto anuncia que fará uma turnê para se despedir de seu público em 2019 e o fim após 20 anos de carreira e sete bons álbuns.

O texto informa que o encerramento das atividades ocorrem em comum acordo dos integrantes e que os próximos shows, inclusive, contarão com a volta de Marcelo Gross, guitarrista demitido no começo do ano.

"Cada integrante definiu ou está definindo seus destinos profissionais, com o vocalista Beto Bruno inclusive gravando um álbum solo, que deverá estar pronto no ano que vem", diz o comunicado.

O fim da banda Cachorro Grande levanta dúvidas a respeito da "sustentabilidade" de uma banda indie "grande", se é que podemos chamar assim.

Assim como o Matanza, o grupo era referência dentro do rock nacional no quesito de força e e respeito dentro do mercado, já que tinham um bom público e tinham uma agenda de shows compatível com a importância que obtiveram.

Será então uma maldição que atinge as boas bandas independentes quando completam 20 anos de carreira? Primeiro o Dr. Sin (que está voltando, felizmente), depois o Matanza e agora a Cachorro Grande…

Embora parte expressiva da crítica musical nacional desdenhasse da importância e da qualidade de suas músicas, a Cachorro Grande sempre mostrou uma resiliência impressionante.

Sobreviveu aos principais solavancos que destroçaram a indústria musical e manteve sua força junto ao público que só bandas cascas grossas, como Jota Quest, Paralamas do Sucesso, Matanza e Autoramas, por exemplo, conseguiram manter.

O fim de Cachorro Grande e Matanza é um triste sinal de que aquele nicho de mercado que achávamos que conseguiria escapar da desolação atual do mercado musical e fonográfico não está/nunca esteve imune às intempéries da realidade.

Partindo do pressuposto de que as duas bandas não informaram graves desavenças para que encerrassem as suas atividades, podemos supor então que bandas bem-sucedidas relativamente, como eram, não acabaram simplesmente porque seus integrantes resolveram mudar de ares ou fazer outras coisas.

Assim como dissemos que o fim do Matanza era ruim para a música brasileira, seja por ter criado um interessante modelo próprio de negócio, seja por ser uma banda boa e manter o vigor do combalido rock nacional, repetimos o mesmo em relação à banda Cachorro Grande: não é nada boa a notícia do fim da banda gaúcha.

 

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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