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Glenn Hughes: ás do baixo, voz de outro, astro do rock e sobrevivente

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10/06/2018 06h59

O texto abaixo foi publicado pelo Combate Rock em 2012, quando do lançamento da autobiografia do baixista e vocalista Glenn Hughes nos Estados Unidos e na Inglaterra. É uma resenha, mais do que uma crítica, feita pelo colaborador de longa data Eduardo Kaneco. A republicação deste texto é necessária por conta da crítica publicada há alguns dias aqui da versão brasileira do livro, editada pela empresa EV7, que também foi a responsável pela recente miniturnê do músico pelo Brasil. No texto recente, listamos uma série de problemas na tradução e a elaboração do texto da edição brasileira. Portanto, nada melhor do que a impressão sobre a obra feita por quem leu o texto em inglês por conta de seu lançamento original.

Eduardo Kaneco – publicado originalmente no blog Spit of Sound

O ex-baixista e vocalista do Deep Purple começa sua autobiografia, escrita com a ajuda de John McIver, de forma dramática. Na introdução, Glenn Hughes conta como certa vez as drogas quase o levaram à morte. Seu vício, principalmente em cocaína, é chamado por Glenn como sua “doença” e ocupa a maior parte do livro, assim como de sua vida.

Intercalando suas narrativas com depoimentos de amigos, familiares e celebridades, a leitura de “Glenn Hughes: The Autobiography” se torna truncada, pois em alguns momentos alguns fatos apareçam repetidos, e às vezes até em contradição, nos depoimentos e nas palavras dos autores, e nem sempre ordenados de forma cronológica.

Glenn conta como ficou deslumbrado com o convite do Deep Purple, uma das maiores bandas de rock da época, quando tinha apenas 22 anos e começava a sentir o gosto da fama no Trapeze.

Para ele, foi muito duro deixar os amigos da antiga banda (Mel Galley, futuro guitarrista do Whistesnake, e Dave Holland, futuro baterista do Judas Priest). O melhor dos mundos, conta, seria ter conseguido com o próprio Trapeze todo o sucesso que o Deep Purple lhe ofereceu de bandeja.

No início de sua trajetória no Deep Purple, segundo ele próprio, o baixista era ainda ingênuo e não usava drogas, assim como os músicos do Trapeze e da nova banda, que preferiam as bebidas. Mas as más amizades e os traficantes acabaram levando Hughes às drogas.

A sua apresentação no California Jam foi completamente embalada pela cocaína, afirma com franqueza o músico. Daí para frente, a coisa só piorou. Glenn ficava dias seguidos sem dormir, completamente drogado, o que afetava sua atuação e seus relacionamentos.
Durante anos, o grande parceiro de Glenn para cheirar a coca foi o cantor pop David Bowie. Tommy Bolin, guitarrista que substituiu Ritchie Blackmore no Deep Purple, também era viciado, mas em heroína, por isso, não era seu companheiro.

Coverdale também cheirava coca, mas não era viciado. Na verdade, conforme Glenn foi se aprofundando no vício, mais foi ficando isolado e perdeu até sua namorada Vicky para Jon Lord, com quem ela se casaria.

O músico usa sua autobiografia para exorcizar as experiências com a sua “doença”, não com vergonha, mas sim com ressentimento. Afinal, devido a ela, desperdiçou várias oportunidades de retorno ao topo da fama proporcionada pelo Deep Purple. Após o fim do Purple nos anos 70, embarcou no retorno do Trapeze e pôde ainda trabalhar com Pat Thrall, Gary Moore, John Norum e Tony Iommi/Black Sabbath, porém nada deu certo devido ao seu vício.

Sem esconder nada, Glenn revela alguns de seus parceiros de drogas: David Bowie, Ron Wood, Ozzy, Lemmy Kilmister, John Bonham, Keith Moon, Mick Jagger. E, também de cama, entre elas, a atriz Linda Blair (de “O Exorcista”) e Cherie Currie (integrante da banda Runaways).

O cantor David Coverdale, seu parceiro no Deep Purple, sempre foi seu grande brother, como diz Glenn, tanto musicalmente como na vida pessoal. Em uma época ruim financeiramente, em que o baixista vivia só dos direitos das músicas do Purple, pagos semestralmente, Coverdale o contratou por USD 25.000 somente para gravar backing vocals no álbum “Slip of The Tongue”.

O relato mostra como Glenn foi largando aos poucos o vício até resolver parar com todas as drogas certa vez quando era levado em uma ambulância, após uma overdose, por um motorista que lhe jogou a realidade dura em sua cara. Desde então, Glenn ficou limpo.

O livro termina na época em que estava gravando e excursionando com o Black Country Communion, ao lado de Joe Bonamassa, Jason Bonham e Derick Sherinian.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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