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Yes lança CD ao vivo, mas não disfarça que está caindo aos pedaços

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12/12/2017 06h15

Marcelo Moreira

Caindo aos pedaços, mas ainda vivo… Assim como na anedota do boneco de brinquedo que perde os membros e ainda continua falando e torrando a paciência, o Yes se recusa a morrer, por mais que esteja parecendo uma paródia de si mesmo.

Com a turnê deste final de ano e de 2018 suspensa por conta da morte do filho de Steve Howe, a banda fica compasso de espera, mas lançou no final de novembro mais um álbum ao vivo, "Tpographic Drama – Live Across America", desta vez registrando shows da turnê de 2016 e 2017, a segunda sem o baixista Chris Squire, o dono da banda, que morreu em 2015.

A banda decidiu fazer algo diferente e tocou na íntegra o álbum "Drama", de 1980, o primeiro sem o vocalista Jon Anderson, à época substituído pelo produtor Trevor Horn.

"Drama" é um disco polêmico, considerado por muitos o pior do Yes, mas que tem seus admiradores, em especial por conta da faixa "Machine Messiah".

A iniciativa foi arriscada, justamente por conta da fama do álbum, e o risco aumentou quando o grupo decidiu também tocar na íntegra os lados 1 e 4 do álbum duplo (no vinil) "Tales of Topographic Ocean", de 1973, o auge do experimentalismo progressivo do grupo.

É um álbum até que agradável de se ouvir, mas não é Yes, infelizmente. Falta muito do carisma dos integrantes que morreram ou estão fora, cujos substitutos até tentam, mas não chegam nem perto de fazer um "cover" bom do Yes.

São instrumentistas competentes, que esforçaram bastante na turnê, mas o fato é que possível encontrar somente fagulhas do que foi a banda na execução primorosa da guitarra de Steve Howe, e em apenas algumas músicas.

É um triste epitáfio para uma das bandas mais importantes da história do rock, com 50 anos de carreira completadfos em 2017, só que completamente desfigurada – algo que deve acontecer com o AC/DC a partir de agora.

O Yes hoje é formado por Steve Howe (guitarra) e Alan White (bateria), remanescentes da formação clássica do grupo, e daquela que mais tempo durou, além de Jon Davison (vocais), Geoff Downes (teclado, que gravou "Drama" no lugar de Rick Wakeman) e Billy Sherwood (baixo).

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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