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40 anos do 'Never Mind the Bollocks’, o único disco dos Sex Pistols

Combate Rock

02/11/2017 07h00

Flavio Leonel – do site Roque Reverso

O término do mês de outubro de 2017 marca os 40 anos de um dos álbuns mais importantes da música pop. No dia 28 de outubro de 1977, os Sex Pistols lançavam o disco "Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols", seu primeiro e único trabalho de estúdio.

O álbum tem imensa importância histórica, pois é um símbolo do movimento punk do fim dos Anos 70.

Os Sex Pistols podem não ter inventado a música punk, já que existiam os Ramones e outras bandas norte-americanas, do outro lado do Oceano Atlântico, para desmentir. A banda britânica, contudo, pode ser considerada como a catalisadora de um movimento e responsável por popularizá-lo de uma maneira assustadora para aquele momento.

O grande "mentor" que ajudou neste processo foi o empresário Malcolm McLaren, visionário que já havia visitado a cena de Nova York e empresariado, sem grande sucesso, o grupo New York Dolls. Com a experiência de ter feito ações fracassadas com a banda norte-americana, ele não repetiu os erros e foi direto ao ponto com os Pistols, trazendo uma imagem forte e agressiva, daquelas capazes de provocar o amor e o ódio.

Não que ele tivesse muito trabalho para isso, pois os integrantes da banda já tinham uma personalidade bem forte e capaz de gerar aquilo que McLaren desejava.

Inicialmente formada por Johnny Rotten (vocais), Steve Jones (guitarra), Paul Cookand (bateria) e Glen Matlock (baixo), o Sex Pistols virou gerador e alvo de violência, colocando Londres em polvorosa com suas letras extremamente agressivas para a época com um som minimalista para a ocasião.

Em tempos nos quais o rock tinha em alta o lado progressivo e que bandas clássicas, com o Led Zeppelin, mostravam certo cansaço criativo, os famosos três acordes do punk rock chegaram como um contraponto para os exageros das músicas intermináveis da época, algumas com mais de 10 minutos.

Na parte das letras, um conteúdo que deixava até os menos conservadores de cabelo em pé. Antes mesmo do álbum ser lançado, quatro singles serviram como "carta de apresentação": "Anarchy in the U.K.", de 26 de novembro de 1976; "God Save the Queen", 27 de maio de 1977; "Pretty Vacant", em 1º de julho de 1977; e "Holidays in the Sun", de 14 de outubro de 1977.

Se, em 1976, os Sex Pistols já haviam chegado metendo o pé na porta com "Anarchy in the U.K.", em 1977, mexeram com a realeza britânica e seu símbolo máximo: a Rainha Elizabeth II. Naquele ano, em pleno período de comemoração do Jubileu de Prata da ascensão da rainha ao trono, a banda trouxe "God Save the Queen".

"Deus salve a rainha/Ela não é um ser humano/Não há futuro/Nos sonhos da Inglaterra" marca a segunda estrofe da música e foi só uma parte da canção que chegou a gerar confusão no Reino Unido.

A postura agressiva da banda, que também era vista no visual dos membros, gerou movimentos igualmente agressivos contrários, a ponto de os componentes dos Sex Pistols virarem alvo de violência física onde passavam por parte de grupos radicais conservadores. Do outro lado, eles formavam fãs pela postura ousada.

Do lado empresarial, algumas gravadoras fecharam as portas para eles e, quando o disco foi lançado, alguns lojistas também evitaram a exposição do álbum com o intuito de evitar confusão com os conservadores. O termo "bollocks", na gíria inglesa, pode significar "bobagem", mas também "testículos", o que impedia que o disco aparecesse nas lojas.

Os punks mais dedicados costumam falar que tudo aquilo não passava de um grande marketing idealizado por Malcolm McLaren. O fato é que, do seu modo, os Sex Pistols provocaram algo no cenário musical e no comportamento das pessoas.

Pouco antes do álbum ser lançado, Sid Vicious entrou no lugar do baixista Glen Matlock. No disco, contudo, ele participa efetivamente apenas em uma faixa {"Bodies") e as demais, de 1977, foram tocadas pelo guitarrista Steve Jones.

Da mesma forma meteórica que invadiu o cenário musical, o Sex Pistols desapareceu. Logo no início de 1978, depois de uma conturbada turnê pelos Estados Unidos, Johnny Rotten (agora John Lydon) deixou a banda e anunciou a interrupção dos trabalhos do grupo. Em fevereiro 1979, Sid Vicious morreu de overdose.

O álbum faz parte da seleta lista do livro "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer", de Robert Dimery.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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