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The Who no Brasil: novamente, muita, mas muita cautela nessa hora

Combate Rock

03/02/2017 16h25

Marcelo  Moreira

Roger Daltrey (esq.) e Pete Townshend, a dupla do Who, em foto promocional de 2013 (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Roger Daltrey (esq.) e Pete Townshend, a dupla do Who, em foto promocional de 2013 (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Novamente, de novo, mais uma vez: a notícia é tão boa, mas tão boa, que não custa nada um pouquinho de cautela. Aliás, muita cautela. The Who fará seis shows na América do Sul em setembro, segundo o seu empresário de longa data, Bill Curbishley – o mesmo que sabotou a passagem da banda pela América Latina outras vezes.

A declaração do empresário foi feita à emissora de rádio BBC, da Inglaterra, nesta quinta-feira (3). Ele não deu detalhes sobre datas, mas afirma que serão três apresentações no Brasil, duas na Argentina e uma no Chile.

Únicos artistas do Olimpo do rock que nunca pisaram na América do Sul, Pete Townshend e Roger Daltrey estão devendo esta visita por aqui há mais de 20 anos.

Pelo menos três vezes neste século foi anunciada a vinda do grupo ao país – uma em 2002, outra em 2007 e, no ano passado, noticiou-se que estava "quase fechado" o contrato para que tocassem por aqui ainda em 2016. Nunca houve confirmação e os dois músicos sobreviventes nunca falaram sobre o assunto de forma incisiva.

Em uma rara entrevista a um jornalista brasileiro, Townshend disse a Bento Araújo, da revista "PoeiraZine", que era "certo que a banda tocaria em breve no Brasil. Isso foi em 2006, ou seja, há dez anos.

A imprensa inglesa e alguns sites brasileiros veicularam a hipótese de o Who vir à América do Sul em 2012, durante a turnê "Quadrophenia". Era mera especulação, mas não deu em nada, pra variar.

Um produtor brasileiro experiente de espetáculos disse a este jornalista do Combate Rock, em 2013, que era muito mais fácil trazer ao Brasil os Rolling Stones ou o U2, que são caríssimos, do que The Who e Van Halen, que teoricamente seriam mais "baratos".

"A quantidade de entrave que os caras do Who colocam para fazer uma turnê fora da Europa e dos Estados Unidos é impressionante. Ficaram 40 anos sem ir à Austrália e só tocaram no Japão recentemente. É muita picuinha, muita exigência, muita chateação, e invariavelmente não dá certo. E gente grande aqui na América do Sul se interessou em trazer as duas bandas, inclusive para festivais gigantes no Brasil e na Argentina. Sei, inclusive, que o pessoal do Van Halen sequer respondeu a e-mails e ou retornou telefonemas", diz o profissional, que conversou comigo na condição de permanecer no anonimato.

No caso do Who, fontes ouvidas pelo Combate Rock informam que o obstáculo tem nome – Bill Curbishley, amigo pessoal de Townshend e empresário da banda desde 1976.

Experiente, esperto e implacável, sabe do ouro que tem nas mãos e não se esforça muito: os milhões de $$$ procuram a banda de sempre.

Além do mais, há outro "empecilho": a falta de vontade que a dupla sobrevivente do Who demonstra de vir ao Brasil. Só dá para cravar que virão quando os empresários sul-americanos anunciarem oficialmente e mostrarem o contrato. Antes que isso aconteça, esqueça.

No caso do Van Halen, é notória a aversão da banda de realizar shows fora dos Estados Unidos a partir dos anos 90, como bem lembrou Sammy Hagar, ex-vocalista, em entrevista a um jornalista brasileiro nos anos 2000 – ele dizia que o Van Halen não voltaria ao Brasil e raramente ia ao Japão porque Eddie e Alex Van Halen detestavam viajar para longe e ficar muito tempo fora de casa.

Seja como for, é hora de ficarmos felizes e esperançosos, mas não muito. Daltrey e Townshend, na verdade, nunca mostraram real interesse em visitar a América Latina. Portanto, torçamos para que desta vez, mesmo passando dps 70 anos de idade, eles venham para o Brasil, mas muita, muita cautela nessa hora.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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