Combate Rock

Psicodella: estréia em disco autoral com muita energia - Parte 2

Combate Rock

20/11/2016 15h48

Julio Verdi – do blog Ready to Rock

Leia a seguir a entrevista com o guitarrista da banda Psicodella, Walter Poletti:

Ready to Rock – Primeiramente, uma questão óbvia: depois de muitos anos como Torn, por que a banda mudou para Psicodella, e qual o motivo dessa escolha?

Walter Poletti – Sempre pensamos em desenvolver um trabalho autoral, ainda antes do retorno da banda Torn, em 2011. Entre os anos de 2008 e 2010, com a extinta Don Crookane, gravamos um EP com três composições, sendo duas lançadas numa compilação tributo ao AC/DC pelo selo Versailles Records, situado em Nashville/EUA (http://www.allmusic.com/album/rock-roll-train-a-millennium-tribute-to-ac-dc-mw0002050820). Até que, no início de 2016, quando decidimos registrar as novas composições e o nome da banda, alguns empecilhos com a “marca” nos obrigaram a mudar. O nome Psicodellafoi o que, dentre tantas opções, soou melhor a nossos ouvidos, talvez por lembrar psicodelia, rock and roll.

RR – A banda atingiu a tão sonhada meta de um CD autoral. Como é a sensação de atingir essa meta?

WP – Esse era um dos principais objetivos da Psicodella: entrar em estúdio e trabalhar suas próprias composições é uma sensação única; é indescritível ver e ouvir o produto final.

RR – O disco é muito bem produzido, em se tratando de composições, arranjos, qualidade sonora. Até que ponto o estúdio dos Busic ajudou nesse sentido?

WP – Conhecemos os irmãos Busic quando abrimos shows da Dr. Sin, em 2008 (no Toma-Rock, São José do Rio Preto/SP) e em 2009 (no Under Rock Bar, Bauru/SP). O respeito mútuo foi instantâneo e, desde então, mantivemos contato. Quando decidimos gravar com um produtor renomado, Andria Busic foi o principal nome: ele tem mais de 25 anos de carreira, experiência internacional, foi eleito várias vezes o melhor baixista do Brasil, dividiu palco com artistas como Ian Gillan, Nirvana, Black Sabbath, KISS, Bon Jovi, AC/DC, Bruce Dickinson, Scorpions, Dio, Whitesnake e Aerosmith. Seu conhecimento musical, na teoria e na prática, além da estrutura disponível no Mr. Som Estúdio e o atendimento amistoso nos proporcionaram o timbre e a mixagem que tanto almejávamos.

RR – Andria fez o baixo do disco. Ele, como produtor, mudou algum detalhe nas ideias originais do álbum?

WP – Entramos em estúdio sem baixista e, surpreendentemente, Andria Busic se propôs a gravar todas as linhas, que ficaram fantásticas! Muitos arranjos, melodias e ritmos foram sugestões dele, das quais acatamos sem hesitação. Como ele já conhecia nosso estilo, pôde nos levar, musicalmente, ao ponto que queríamos.

RR – Sinto a influência de alguns nomes no seu trabalho, como por exemplo, de AC/DC em “Way to Go” (no riffs e no solo). Até que ponto as influências de vocês atuaram na concepção das músicas?

WP – Como guitarrista e principal compositor do grupo, sou fã de AC/DC – inclusive tenho os autógrafos de Angus Young & Cia. tatuados em meus braços e costas. Porém, outros artistas, principalmente do “Classic Rock”, também influenciam diretamente a banda como um todo: Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Iron Maiden, System of a Down.

Psicodella (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Psicodella (FOTO: DIVULGAÇÃO)

RR – Ao longo do disco, nos deparamos com temas mais acessíveis e diretos, como “Só Guardo o Que é Bom” ou “Até Logo”. Outros já soam mais agressivos e pesados como “Te Salvar” e “Do Meu Jeito”. Como funcionou o processo de composição?

WP – Não nos policiamos nem “forçamos a barra” para compor, apenas deixamos fluir nossa maneira de tocar e tudo aconteceu naturalmente – tanto os riffs, arranjos e melodias quanto as letras, onde buscamos expressar aquilo que passamos no dia-a-dia, tanto como cidadãos quanto nos relacionamentos, no trabalho, na estrada.



RR – Existe sempre a controversa discussão entre ser uma banda autoral ou de covers. Durantes muitos anos, vocês atuaram pela segunda categoria. Agora, com um álbum lançado, existe tranquilidade em misturar os dois modelos nos shows?

WP – Sempre tocamos nossos singles “#nuncaserão” (https://youtu.be/6k9TqOcN7C8), “Até logo” e “Só guardo o que é bom” nos shows; “Way to go” e “Quem vai nos ouvir” frequentemente aparecem no set list também. A resposta tem sido extremamente positiva: durante os intervalos, vendemos CDs para o público – foram aproximadamente 500 cópias em menos de 4 meses (o álbum está disponível para download em https://onerpm.com/disco/album&album_number=7565114440). Vale ressaltar que algumas rádios da região e da web (Educativa FM, Unifev, Web FM) têm executado essas canções. Quanto aos “covers”, são mais de 200 clássicos do rock internacional no repertório, além de alguns hits do rock nacional.

RR – Quais músicas funcionam melhor ao vivo?

WP – Curtimos muito estar no palco, tocar ao vivo; há muita energia em todas as faixas, gostamos delas e as tocamos da melhor maneira, mas certamente “#nuncaserão” e “Até logo” funcionam muito bem, talvez por haver uma identificação imediata do público com as letras.Entre os covers, “Highway to hell” (AC/DC), “Psycho killer” (Talking Heads), “Iron man” (Black Sabbath), “Killing in the name” (Rage Against the Machine) e “Chop Suey!” (System of a Down) são sempre certeiros.

RR – Qual a expectativa em divulgar o disco além das fronteiras de Rio Preto?

WP – Além de Rio Preto, temos um público fiel no interior de São Paulo: Fernandópolis, Jales, Votuporanga e Pereira Barreto, por exemplo, entre outras cidades, como Mirassol, São Caetano do Sul, Uchoa, Novo Horizonte, Urupês, Catanduva e até Paranaíba/MS. O objetivo agora é expandir e alcançar novos destinos.

RR – Como você avalia a cena do rock de Rio Preto, seja autoral ou cover?

WP – Positivamente! Após certa “estagnação”, a “cena” voltou a crescer e, atualmente, há muitas casas que apostam no rock em São José do Rio Preto/SP, inclusive para apresentações de música autoral.

RR – Você acredita que o fato de ter uma mulher como vocalista pode representar um ponto mais forte para que as pessoas queiram conhecer o trabalho da banda ou é indiferente?

WP – A qualidade é, sim, um diferencial. Anie Doná é excelente vocalista; sua voz e presença de palco chamam a atenção e voltam os olhares do público para a Psicodella. Muito de sua formação tem contribuição internacional: entre os anos de 2010 e 2011, Anie se apresentou e gravou com as bandas norte-americanas Bottoms Up, Brain Shakers, Cheney’s Shotgun, Down South (Atlanta/GA) e a californiana The Gunslingers (Los Angeles).

RR – Quais os próximos planos da banda?

WP –Este foi um grande ano para a Psicodella! O lançamento do álbum rendeu algumas chamadas nos principais jornais da região e abriu portas para participarmos, por exemplo, do Planeta Rock 5ª edição, evento em que dividimos palco com CPM 22 e Titãs, gigantes do rock nacional. No dia seguinte, Anie cantou com Raimundos, a convite de ninguém menos que a dupla Digão e Canisso. Poucas semanas depois, abrimos para a maior banda independente do Brasil, a Velhas Virgens. No momento, há um novo clipe em pré-produção, bem como estratégias de marketing e publicidade para a Psicodella. E a agenda de shows está cheia!.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
Contato: contato@combaterock.com.br

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