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Impeachment: Iron Maiden foi a trilha de deputado que presidiu comissão

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11/05/2016 06h39

Marcelo Moreira 

Rogério Rosso na tribuna da Câmara dos Deputados (FOTO: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados / CP)

Rogério Rosso na tribuna da Câmara dos Deputados (FOTO: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados / CP)

Só o heavy metal para suportar a pressão e o cansaço das sessões da Câmara dos Deputados que desembocaram na autorização para o Senado conduzir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A banda inglesa Iron Maiden foi a companheira principal do deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF), que presidiu a comissão do impeachment da Câmara.

"Não é um momento feliz do país. Uma das músicas que mais escutei e que foi emblemática dessa crise foi 'Deja-Vu', do álbum 'Somewhere in Time', do Iron Maiden. A letra é quase autoexplicativa, e traz as lembranças do processo que tirou o ex-president6e Fernando Collor da Presidência da República, em 1992", disse o deputado ao Combate Rock na véspera da votação no Senado que pode afastar Dilma por seis meses do cargo .

Com 23 anos à época, começando a carreira de advogado, o político roqueiro brasiliense roqueiro acompanhou passo a passo um dos momentos mais turbulentos e importantes do Brasil, e sempre com o rock como trilha sonora.

"Sou muito fã do Iron Maiden, e as músicas do grupo serviram de trilha sonora para que eu conduzisse os procedimentos na comissão da Câmara que autorizou o Senado a abrir o impeachment", relembra Rosso. "Portanto, 'Deja-Vu' foi a minha trilha do impeachment, um período de muito trabalho, mas que me deu a sesação de dever cumprido."

Aos 47 anos de idade, o deputado mantém o brilho nos olhos quando fala do Iron, ainda sua banda preferida, e lamentou profundamente ter perdido a apresentação da banda em Brasília, no dia 22 de março deste ano. "Não tinha como, estava no auge de reuniões de trabalho sobre o impeachment. E ainda tive de ouvir irritado amigos meus me ligando e mandando vídeos da apresentação."

O semblante de Rosso mostra alívio com o encerramento do seu trabalho na comissão, mas não fica menos preocupado com a crise político-econômica do país. A tensão é combatida, neste momento, com a retomada das composições de músicas para um CD de rock instrumental.

Parte deste material pôde ser acompanhado por fãs e eleitores semanalmente, sempre aos finais de semana, em geral, quando Rosso gravava em, vídeo seu processo de composição e ensaios para posteriormente postar no Facebook.

"Sempre arrumava um jeito de tocar um pouco de guitarra por 15 minutos todos os dias, de manhãzinha, antes de seguir para a Câmara. Muitas ideias para músicas surgiram nestas execuções, e também aos domingos à tarde ou à noite, quando eu tinha mais tempo", conta o deputado.

Rosso empunhando uma guitarra Gibson Les Paul, seu modelo preferido. Ele compôs a música

Rosso empunhando uma guitarra Gibson Les Paul, seu modelo preferido. Ele compôs a música "Coragem Para Mudar" para o projeto social que apoia, em benefício de ex-usuários de drogas. O deputado, além de compor e tocar, produziu um videoclipe com a música (FOTO: ARQUIVO PESSOAL/FACEBOOK)

Rock na veia

Guitarrista e baixista, o advogado Rogério Rosso toca em bandas desde a adolescência e foi um disputado instrumentista no final dos anos 80 e nos anos 90. Além do venerado Iron Maiden, amava ouvir Black Sabbath, Judas Priest, Deep Purple, Ozzy Osbourne e Whitesnake, entre outros

A carreira de advogado seguiu paralela à sucessão de bandas e projetos musicais, tanto que criou um estúdio caseiro em sua chácara nos arredores de Brasília que não deve nada a muitos estabelecimentos comerciais do gênero.

É neste estúdio que ele desenvolve um projeto social com músicos sem recursos do Distrito Federal, ajudando na produção e composição de músicas. "É um trabalho do qual me orgulho muito, mas que, por conta da política, tive de deixar temporariamente de lado."

Artistas conhecidos do rock nacional já estiveram no estúdio caseiro de Rosso, seja para jams sessions ou mesmo para pedir ajuda e conselhos na produção musical.

Em meados dos anos 2000, já um advogado bem-sucedido, elegeu-se deputado distrital (cargo equivalente a deputado estadual nos Estados) e acabou se tornando governador do Distrito Federal depois do afastamento de José Roberto Arruda. Ficou no cargo nos dez últimos meses de mandato daquela legislatura, em 2010. Em 1º de janeiro de 2011, passou o cargo para Agnelo Queiros (PT).

Wacken em Brasília?

Nem mesmo o caos de Brasília quando do afastamento de Arruda arrefeu a paixão pelo rock. A turbulência da política do Distrito Federal não o impediu de viajar à Alemanha em 2010, em pleno mandato de governador, para assistir ao Wacken Open Air, o maior festival de metal do mundo.

Durante os três dias de festival, acabou ficando conhecido entre os brasileiros que estiveram no evento, ganhando o respeito e admiração desse pessoal. O "governador metaleiro", como ficou conhecido, virou figurinha fácil nas redes sociais, em especial nos grupos dedicados à música.

"Gostaria de poder incentivar a vinda de uma edição do Wacken Open Air a Brasília. A cidade tem espaços ótimos para o conceito de festival acampamento", disse ao Combate Rock à época em que era governador logo depois de retornar da Alemanha. "Queria ter mais tempo de mandato para desenvolver a ideia. Quem sabe o próximo govenador não encampa?"

Infelizmente, a ideia foi abandonada por ele. Na transição para o governador Agnelo Queiroz, o assunto não foi abordado. "Percebi que não era o momento", analisou Rosso nesta terça-feira (11). "Para uma iniciativa deste porte é necessário um certo conhecimento, uma compreensão do significado de um festival como esse em todos os sentidos, do cultural ao econômico. Achei que não teria como introduzir o assunto."

Ele ainda defende um plano que viabilize um festival nos moldes do Wacken na capital federal. "Há muito espaço propício na cidade. Em São Paulo, eu estive no SWU, que teve váriios palcos, mas o festival teve de ser realizado em uma grande fazenda em Itu, longe da capital estadual. Em Brasília não haveria esse problema."

Isso poderia ser uma bandeira cultural para ma eventual campanha eleitoral ao governo distrital? Como o assunto era música, diplomaticamente Rosso passou adiante. "Quero arrumar tempo para agora em 2016 para ir a algum show grande. Não vejo a hora de ver o Dream Theater e Yngwie Malmsteen [guitarrista sueco], que vêm ao Brasil em junho."

E o que o deputado federal que adora metal anda ouvindo de novo? "Gostei de Lamb of God e Amaranthe, que são sons mais modernos, assim como Sonic Syndicate [banda de metalcore sueca]. Também gosto muito do peso brutal do Krisiun, mas não abandono os clássicos de sempre. Iron Maiden, sempre; ando ouvindo também Dio, Whitesnake, Black Sabbath, Megadeth (adorei o novo, com o Kiko Loureiro na guitarra), Angra, Dream Theater, Yngwie Malmsteen, Testament (adoro Alex Skolnik, o guitarrista!). E também ouço muito George Lynch (guitarrista, do Lynch Mob e ex-Dokken), me influenciou muito, creio que tenho um estilo na guitarra um pouco parecido com ele."

 

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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