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Stevie Ray Vaughan, 60: o mito que reinventou a guitarra blues

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05/05/2014 07h00

Marcelo Moreira

FOTO: DIVULGAÇÃO

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O guitarrista Eric Clapton costuma dizer que, quando tocava ao lado do texano Stevie Ray Vaughan, ficava muito preocupado, já que era impossível acompanhar e entender o que o mágico guitarrista de blues fazia, graças à genialidade e ao virtuosismo. Para Clapton e para a lenda do blues Buddy Guy, ninguém chegou tão perto de Jimi Hendrix como Stevie Ray.

Com sua banda de apoio, a Double Trouble – Tommy Shannon (baixo), Chris Layton (bateria) e Reese Wynans (teclados) -, Stevie Ray Vaughan passou como um furacão nos anos 80, revolucionando o jeito de tocar guitarra e resgatando o blues de mais um período de estagnação.

O mestre texano completaria 60 anos em 2014. A lista de seguidores é infindável, mas o lugar continua e vai continuar vago. A data, entretanto, começou a ser lembrada no ano passado como havia prometido o irmão mais velho, Jimmie, também guitarrista e espécie de guardião do legado e do acervo de Stevie Ray.

O primeiro lançamento daquela que promete ser uma série de produtos até o começo do ano que vem, por coincidência, também embutia uma efeméride: "Texas Flood", o primeiro álbum do guitarrista, de 1983, completou 30 anos nas lojas em 2013. Foi seu primeiro registro fonográfico, mesmo aos 29 anos de idade, e resultado de uma vitoriosa (e polêmica) passagem pelo Montreux Jazz Festival no ano anterior.

Denso, hipnótico e conciso, "Texas Flood" mostra um guitarrista hipnótico e extremamente técnico, mas com uma dose de espontaneidade e juventude que havia muito o blues não tinha. Seus fraseados de guitarra limpos e virtuosos influenciaram toda uma geração de músicos – Joe Bonamassa, Jeff Healey, Derek Trucks, Warren Haynes, Kenny Wayne Shepherd, Jonny Lang e muitos outros. "Stevie Ray mudou a forma de se tocar blues e levou adiante o trabalho de Jimi Hendrix", reverencia Clapton em uma entrevista à Guitar Player norte-americana no ano 2000.

Foram apenas cinco álbuns de estúdio e um ao vivo, além de três vídeos obrigatórios. Mergulhou mais de uma vez ao fundo do poço nos excessos do álcool e das drogas, foram várias as internações para reabilitação, mas as descidas ao inferno foram proporcionais às vezes em que atingiu o topo como músico, ganhando a veneração de gente como Santana, Clapton, Buddy Guy, Albert King, Jeff Beck e muitos outros gênios.

O destino foi cruel demais com o genial guitarrista. Ironicamente, Stevie Ray Vaughan morreu quando finalmente parecia ter se convencido a largar as drogas, após mais uma longa internação em clínica de reabilitação. Segundo o baterista Chris Layton, que o acompanhava na famosa Double Trouble, o músico estava muito mais animado naquele ano de 1990 do que jamais estiveram nos cinco anos anteriores. E parecia que finalmente se sentia bem diante da sobriedade.

O guitarrista não teve muito tempo para desfrutar o período mais ameno. Pouco aproveitou o estrondoso sucesso de "In Step", seu álbum de 1989, onde aproximava seu blues texano de um rock mais acessível e comercial. E nem chegou a ver nas lojas "Family Style", o único álbum que gravou ao lado irmão, Jimmie Vaughan (ex-intergrantes da bandas Fabulous Thunderbirds).

Stevie Ray Vaugha (centro) com a Double Troube: o baterista Chris Layton (esq.) e o baixista Tommy Shannon (direita) (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Stevie Ray Vaugha (centro) com a Double Troube: o baterista Chris Layton (esq.) e o baixista Tommy Shannon (direita) (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Stevie Ray Vaughan deveria participar de um grande festival de blues no final de agosto de 1990 em uma região conhecida como Alpine Valley, Estado de Winsconsin, nos Estados Unidos, nos arredores de um vilarejo chamado East Troy. Na jam session final, parecia com fome de blues ao se exibir ao lado do irmão Jimmie, de Eric Clapton e de Robert Cray.

Durante a madrugada de 27 de agosto, após o show, vários helicópteros foram colocados à disposição de músicos e técnicos para retornar ao aeroporto mais próximo. Não se sabe o porquê, mas Stevie queria porque queria voltar mais cedo para o aeroporto e ir para casa, mesmo com as condições péssimas do tempo, com muita chuva e nevoeiro.

Diante de tanta insistência, conseguiu um lugar na aeronave que levaria parte da equipe de palco de Eric Clapton – que também deveria estar no voo, mas desistiu à última hora de embarcar porque tinha mais gente querendo ir embora mais cedo.

Por volta de 1h daquela madrugada, três helicópteros decolaram sob intenso nevoeiro. Só dois chegaram ao aeródromo. Um deles, o que levava Stevie Ray Vaughan, chocou-se contra uma montanha nas proximidades de East Troy.

Morto aos 36 anos de idade, é venerado dentro meio musical. Deveria tocar em um festival de blues em Ribeirão Preto em setembro de 1990, embora ainda não tivesse assinado o contrato. Seus discípulos diretos na atualidade,  como Bonamassa, Derek Trucks e muitos outros, não hesitam: ele foi um gênio da guitarra.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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