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Ozzy Osbourne inaugura o 'verdadeiro' heavy metal com 'Blizzard of Ozz'

Combate Rock

24/04/2020 06h20

Marcelo Moreira

Um astro do rock demitido, sedento para dar o troco, mas perdido e mergulhado nas drogas. Quem poderia salvá-lo?

No caso de Ozzy Osbourne, muito simples: um guitarrista nerd, filho de uma "mama" mais do que acolhedora, e uma mulher forte e determinada a dar um chute violento nos fundilhos do pai, um empresário gângster do mundo da música.

E eis que Ozzy Osbourne ressuscita em 1980 para se tornar ainda maior do que era como vocalista do Black Sabbath, o ícone maior do heavy metal.

"Blizzard of Ozz" completa 40 anos de seu lançamento e mostra como foi possível uma das maiores reviravoltas do rock misturando fé, força de vontade e uma grande dose de sangue frio.

Dado como morto para o mercado, Ozzy Osbourne saboreava a decadência em, hotéis vagabundos de Los Angeles após a sua demissão do Black Sabbath por abuso de drogas e álcool, tudo potencializado pela morte do pai em 1979.

Demorou, mas o cantor foi resgatado pela filha do empresário que ajudou a afastá-lo da banda e que não nutria a menor simpatia por ele.

Sharon, que vivia às turras com Don Arden, o pai, enxergou uma enorme oportunidade e decidiu que sua meta de vida seria resgatar o cantor decadente e transformá-lo em astro solo. Ganhou um cliente, um marido e um inimigo poderoso – o próprio pai.

Ela era inteligente e esperta, conhecia quase tudo no mundo da música, menos o essencial – a música em si. Muita gente ajudou a estruturar  o que viria a ser a carreira solo de Ozzy, mas foi um garoto californiano despretensioso, mas muito talentoso, que empurraria o artista para retornar ao estrelato

Estrela do até então obscuro Quiet Riot, Randy Rhoads era um guitarrista cobiçado por todos, mas em mita vontade de encabeçar projetos mirabolantes. Adorava dar aulas de guitarra e música na escola de música da família.

Com a insistência dos amigos do Quiet Riot, foi fazer a audição para a formação da banda de Ozzy no final de 1979. A lenda diz que foi escolhido dois minutos depois de fazer exercícios e aquecimento. "Ele foi o único guitarrista que não se preocupou em imitar Tony Iommi no teste", disse Ozzy em sua autobiografia.

Banda formada, Ozzy imaginava que teria de recomeçar do zero, mas os contatos de Sharon Arden, futura Sharon Osbourne, fizeram com que ele "recomeçasse" grande e com um polpudo contrato de gravação.

"Blizzard of Ozz" foi o ressurgimento que todo artista sonhava. Repleto de hits e com um instrumental potente, recolocou o músico no topo do rock pesado, ao lado do próprio Black Sabbath, do Judas Priest e do iniciante Iron Maiden.

O álbum é tão poderoso que foi considerado uma "coletânea de greatest hits". "Mr. Crowley" é o hit maior, com seus rifs cavernosos e melodias cativantes que a transformaram em clássico definitivo do heavy metal.

"I Don't Know" é o hit imediato, intenso, daqueles que grudam e tiram o fôlego, como "Paranoid", do Black Sabbath.

"Suicide Solution", canção polêmica e homenagem ao amigo Bon Scott, cantor do AC/DC morto em fevereiro de 1980, mostra força e introspecção, além de reflexão, enquanto que "Steal Away" e "No Bone Movies" são comoventes resgates do peso e da porrada sabbathiana. "Goodbye to Romance" é a primeira incursão na seara das baladas, revelando a sua paixão pelos Beatles.

"Blizzard of Ozz" é o disco que inaugura o heavy metal de verdade, aquele que vai estremecer os pilares do mercado musical e mostrar que a rebeldia e a contestação iam muito além do esquelético e efêmero punk rock. Ozzy mostrou que peso dentro do rock tinha grife.

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Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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