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Finalmente o governo federal descobre que o rock é 'satanista'

Combate Rock

02/12/2019 15h00

Marcelo Moreira

Dave Grohl interpretou o demônio em um file da dupla msical Tenacious D (FOTO: REPRODUÇÃO)

Não deveríamos levar a sério o que essa gente lesada e indigente intelectualmente diz. Esses idiotas deveriam ser ignorados, a não ser pelo fato de que ocupam cargos importantes em órgãos do governo responsáveis por gestão e aprovação de projetos culturais e pela formulação de políticas públicas.

Não bastasse o estúpido que assumiu a Fundação Palmares, um negro que nega o racismo e que enxerga coisas positivas na escravidão, agora temos um presidente da Funarte que é um escândalo de ignorância.

No YouTube, o lunático Dante Mantovani defende, entre outras teorias da conspiração, que soviéticos infiltrados na CIA distribuíram LSD em Woodstock.

Outra de suas pérolas: "O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo."

Não espanta que essa gente não pense duas vezes antes de atacar artistas como Fenanda Montenegro e Chico Buarque. O obscurantismo é a meta de vida dessa galera.

Se alguém tinha alguma dúvida de que o governo Jair Bolonaro tem um projeto de destruição do conhecimento e da cultura, todas foram dissipadas.

Também fica claro que esses lunáticos têm o rock como um de seus alvos na guerra cultural. Entre uma e outra sandice que pretende criminalizar movimentos artísticos, culturais e gêneros musicais por meio de projetos na Câmara dos Deputados existe o aparelhamento dos órgãos estatais em todas as esferas para intimidar e enquadrar as manifestações de arte e cultura.

São esses comportamentos e posturas medievais que estimulam o aparato repressivo do Estado, aparentemente sem controle, de atacar eventos e apresentações, como o fato ocorrido no último final de semana em São Paulo – PMs, sme motivo aparente, interromperam um show de rock em São Paulo e detiveram o vocalista graças a uma "denúncia" de uma mulher bolsonarista de que a banda criticava Bolsonaro, tudo por causa de um adesivo.

Por mais que ainda não seja possível comprovar, é altamente improvável que taais ações não tenham o respaldo dos comandos das Polícias Militares e dos administradores públicos responsáveis por tais áreas.

O ataque insano da PM ao baile funk de Paraisópolis, que resultou na morte de nove jovens pisoteados, tem fartas e abundantes denúncias de abuso policial e violência desnecessária.

Juntando aos vários casos em que a policiais avançaram contra eventos culturais e políticos de esquerda, é possível concluir que há uma política deliberada do Estado, em todas as esferas dominadas pelos ultraconservadores, de reprimir manifestações culturais onde haja a menor possibilidade de crítica ou protesto.

Se não há uma ação deliberadamente política, então é possível entender que a autonomia do aparato repressivo extrapola as as polítivcas governamentais – ou seja, agem sem o menor controle e à revelia dos governos. Omissão ou incompetência.

Quando gente obscura e ignorante como esse tal de Mantovani na Funarte – e Sergio Camargo na Fundação Palmares – alcança postos importantes no governo federal e sinal de que as trevas estão dominando a sociedade.

E não se trata de uma questão de ideológica, de defender este ou aquele ponto de vista: é uma questão médica, de sanidade mental. Essa gente afronta a realidade, questiona fatos consumados e acredita em papai noel.

O elogio da ignorância e da burrice é muito mais do que um sintoma deste governo federal ruim e de uma era lamentável de retrocessos. É também uma ferramenta eficaz de aparelhamentol e dominação de equipamentos púbicos para a implantação de conceitos autoritários e medievais, um conjunto que reúne as bobagens desse tal de Mantovani, as declarações estapafúrdias de Camargo, da Fundação Palmares, das mentiras vomitadas por Bolsonaro (mentiroso contumaz) e o lixo nojento expelido pelo ministro Paulo Guedes, da Economia, a respeito de uma volta do AI-5.

Nos anos 50, na era do presidente Juscelino Kubitschek, era bonito fumar e muito feio ser burro. Sessenta anos depois, fumar é praticamente um crime, mas ser burro se tornou uma coisa linda e edificante…

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Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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