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Armored Dawn avança firme rumo à internacionalização no terceiro CD

Combate Rock

23/10/2019 07h00

Marcelo Moreira

Armored Dawn (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Os músicos ainda resistem, mas fica cada vez mais difícil não reconhecer que a banda paulistana Armored Dawn deu certo. Assim como os conterrâneos do Noturnall, já nasceu grande há cerca de quatro anos e cresceu ainda mais, e muito rápido.

"Trabalho" e "confiança" são as duas palavras mais proferidas pelo sexteto quando da audição especial para a imprensa do terceiro álbum, "Viking Zombie", em uma casa noturna da zona oeste de São Paulo.

É normal que assim tenha sido por conta da desconfiança de alguns a respeito do forte investimento que o Armored Dawn tem recebido e vem fazendo para firmar seu nome nacional e internacionamente – situação por que passa outra banda paulistana de metal, a Doctor Pheabes, que coincidentemente divide com o Armored Dawn o vocalista Edu Parras – que às vezes assina como Eduardo Parrillo na Pheabes.

Nada mais natural em um mercado depredado e destruído, onde há um abismo entre algumas poucas bandas com suporte e milhares de outras que ainda estção soterradas nemo underground.

Os seis integrantes do Armored Dawn já estavam preparados para os ataques costumeiros de uma parcela de roqueiros que se dizem "true" e "puristas" e que sentem cheiro de artificialismo nos casos de sucessos repentinos (ou nem tanto). Quem não se lembra das acusações de "grupo fabricado" por empresários ao então recém-formado Angra em 1993?

"É uma satisfação ver o nosso nome rumo à consolidação e saber que estamos nos tornando uma espécie de referência para o metal nacional em muitos aspectos", afirmou o veterano Parras na concorrida entrevista coletiva.

Desde o começo da banda duas coisas ficaram claras: teriam de ser extremamente profissionais para se destacar em um mundo virado do avesso neste século, onde a qualidade musical é tão importante quanto à forma de comunicação com o público; e a palavra "originalidade" não deveria ser mais importância do que "competência".

Assim sendo, um punhado de músicos veteranos da cena paulistana se juntou para fazer um heavy metal tradicional mesclado com power metal com odos os pés fincados em temas do mundo nórdico, retratando as batalhas vikings da era medieval. Alguém aí sentiu cheiro de Hammerfall, Grand Magus e Nocturnall Rites, todas bandas suecas?

Ok, a originalidade passou longe, e a banda sempre deixou isso claro. O que chamou a atenção desde o primeiro álbum, por exemplo, foi o extremo cuidado aos detalhes, aos arranjos e ao arredondamento das letras e dos temas nórdicos.

Se bandas como Hugin Munin e muitas de black metal e power metal nacionais abordaram o tema por muitos anos, nenhuma foi tão a fuindo quanto ao Armored Dawn.

Com um investimento maciço em divulgação e na disseminação do segundo álbum, "Barbarian in Black", osucesso foi catapultado pela balada "Sail Away", com sua inspiração no power europeu e no hard rock norte-americano.

A alta qualidade e o profisionalismo se encarregaram de empurrar o então quinteto para a bonança, seja fazendo parte de grandes festivais no Brasil (Rockfest e Rock in Rio), seja abrindo para nomes importantes do rock internacional ou sendo incluído em concorridas turnês internacionais na Europa, acompanhando os ingleses do Saxon, por exemplo.

"Não há outra explicação que não seja trabalho árduo e comprometimento total com os resultados. Optamos por um tipo de som e por um tipo de tema que suscita paixões e alguns questionamentos. Faz parte e aceitamos as críticas e vibramos com os elogios. Isso significa que estamos sendo ouvidos e que estamos chamando a atenção", diz o baterista Rodrigo Oliveira, coprodutor do novo álbum, ao lado do baixista Heros Trench. Os dois também tocam na lenda thrash Korzus, onde Trench toca guitarra.

Alguns observadores mais críticos ironizam essa "mania" de brasileiros e de algns argentinos de sonharem acordados com as terras geladas da Escandinávia ou com os bosques "encantados" da Irlanda e da Escócia em busca de duentes – alusão às bandas que se dedicam ao folk metal, como Tuatha de Danann e Lothloryen, por exemplo.

Esse tipo de questionamento provoca risos nos integrantes. "O que diria então Steve Harris, do Iron Maiden, sobre as músicas sobre o Egito antigo [fazendo referência ao álbum "Powerslave", de 1984]? Se a música é boa e agrada, essa questão se torna secundária", analisa Oliveira.

A evolução da banda em "Viking Zombie" é nítida, em todos os aspectos. Se os temas nórdico-vikings soam repetitivos, por mais que o personagem viking zumbi imortal seja curioso, o instrumental ficou mais poderoso.

Há arranjos que nos remetem diretamente a passagens já registradas por bandas como Nightwish, Sonata Arctica e até Hammerfall, como nas violentas "Ragnarok" e "Animal Uncaged" – a primeira ganhou um clipe muito bem feito.

A produção quase impecável de Trench e Oliveira ressaltou a bela timbragem das guitarras e o baixo presente e marcante, como na faixa-título. Entretanto, é possível perceber a bateria mais alta e à frente em algumas passagens de "The Eyes of The Wolves" e "Heads Are Rolling", boas faixas, apesar de certa redundância nos arranjos de guitarra e teclado.

Edu Parras é o destaque em canções mais exigentes como "Blood on Blood", mais voltada para o hard'n'heavy, e "Rain on Fire", canções que requeriram uma interpretação mais emocional.

"Viking Zombie" é um álbum bem feito e bem acabado, que soa imponente como um todo, realçando uma produção de qualidade e um produto com ingredientes para agradar a vários tipos de público de rock pesado. É consistente e solidifica a imagem da banda como item de exportação musical brasileiro.

O disco foi gravado no Dharma Studios, em São Paulo. Além de Parras, Trench e Oliveira, integram o time Tiago de Moura (guitarra), Rafael Agostino (teclado) e Timo Kaarkoski (guitarra)inlandês que mora há mais de 20 ano no Brasil.

O conceito de "Viking Zombie" é baseado numa história que começa entre os anos de 850 dc até 900 dc e se espelha na saga dos homens do norte que estão em busca de novos territórios.

A história é focada também em Bálder e Sigrid, um casal de guerreiros que ninguém sabe a origem, mas que foram forjados à vida para batalhas incansáveis e vitoriosas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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