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Combate Rock

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Novas músicas do Who não empolgam: será que gás acabou?

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07/09/2019 06h47

Marcelo Moreira

Pete Townshend (esq.) e Roger Daltrey (FOTO: DIVULGAÇÃO/THE WHO FACEBOOK)

Quando Pete Townshend anunciou no palco, em São Paulo, que The Who estava longe da aposentadoria, ningém entendeu nada. Estavamos em setembr de 2017 e aquela era a turnê que marcava a retirada dos palcos da banda após 53 anos de carreira – interrompida entre 1982 e 1989.

Roger Daltrey, o vocalista, hoje os 75 anos de idade, cansou de dizer que estava cansado e que o ritmo seria diminuído. Afinal, o bisavô queria descansar e voltar a cinema.

"Movin' On!", a atual turnê americana com orquestra, desmentiu os velhinos dinossauros, que parecem estar se divertindo, não mostrando nada de cansaço.

Os dois se animaram até mesmo a gravar um novo álbum, que supostamente será lançando ainda em 2019, por mais que nada indique que isso irá ocorrer, por mais que os dois integrantes da banda digam isso nos palcos.

Duas dessas músicas estão sendo tocadas nesta turnê pelos Estados Unidos, "Big Cigars" e "Hero Ground Zero". Não são memoráveis, longe disso, mas apresentam, um conteúdo político interessante para uma banda que nunca fez questão de se posicionar diretamente.

Na comparação com as canções autorais mais recdentes – o álbum "Endless Wire", de 2006, e as duas que estiveram na coletânea "Then and Now", "Real Good Looking Boy" e "Old Red Wine" -, as novas, ao vivo, se mopstraram apenas razoáveis.

"Big Cigars" faz alusão à infame prisão de Guantánamo, que fica em um pedacinho de Cuba que ainda pertence aos Estados Unidos. Lembra bastante a fase mais pop da banda, que produziu o fraco LP "It's Hard". É uma canção comum, com um riff cde guitarra simples e letra pouco inspirada.

"Hero Ground Zero" segue a mesma linha, com um refrão mais interessante e forte, lembrando as vidas perdidas e as dores do 11 de setembro.

Muita gente se pergunta se precisamos de novos álbuns de Who ou de Rolling Stones, em uma época em que ficou mais evidente que os roqueiros, inclusive os mais jovens, vivem do passado.

Parece que tanto fãs como artistas sabem de antemão que não produzirão nada mais que possa ser considerado clássico. Piloto automático?

São poucos aqueles que assumem que não faz mais sentido compor novas músicas para ninguém dar a mínima. É o caso de Mick Jagger (Rolling Stones) e Dee Snider (Twisted Sister), que preferem focar em catálogos extensos e cheio de clássicos.

Snider até gravou um álbum solo no ano passado, mas o considerou como um projeto, já que quem tomou conta de tudo, inclusive das composições, foi o amigo e fã Jamey Jasta (vocalista do Hatrebreed).

Outros artistas seguem produzindo porque sentem a necessidade de criar algo novo, ainda que de qualidade duvidosa ou longe dos clássicos imortais que produziram.

Como seria se Jimi Hendrix ou Beatles estivessem na ativa 50 anos depois de seus desaparecimentos? Será que estariam lançando coisas por lançar?

Pete Townshend está entre os cinco melhores compositores do rock, mas perdeu o interesse no material autoral desde "Psychoderelict", ópera-rock solo de 1993 que era um bom trabalho.

Desde então, só tivemos "Endless Wire", do Who, de 2006, um álbum interessante, mas menor dentro da carreira do guitarrista e cantor que é  líder do Who.

Não deixa de ser um alento vê-lo compondo novamente, mas ao mesmo tempo é complicado perceber que o novo material deverá passar sem grande impacto quando for lançado.


Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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