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Combate Rock

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Ódio, discriminação e agressão: o autoritarismo parte para a violência

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02/09/2019 06h46

Marcelo Moreira

Os sinais estão ficando evidentes a cada crise semanal envolvendo o incomopetente governo federal. Diante da falta de resultados e de ações necessárias para administrar o país, sobram fake news, tentativas toscas de desviar a atenção e farta disseminação de ódio para encobrir as graves falhas de gestão.

O quadro é agravado com a "liberdade" que as tropas de assalto bolsonaristas agem para intimidar adversários, opositores e críticos, em consonância com as medidas oficiais e institucionais de censura e ataques à liberdade de expressão.

Já narramos neste espaço alguns fatos  contra o rock e a as artes em geral que ocorreram nestes sete meses de governo de extrema-direita – invasão de palco de shoews em Brasília e Bonito (MS) e cancelamento de festival punk em Belém (PA).

Hordas da ignorância que portam a bandeira bolsonarista/evangélica sentiram-se estimuladas e incentivadas a atacar os críticos de todas as formas, mas vinham ficando apenas nas ameaças e intimidações virtuais.

Com a derrocada do governo, os cçães hidrófobos fascistas ficam mais assanhados e partem para o confronto físico, como prevíamos durante a campanha eleitoral de 2018.

Em Teófilo Otoni (MG), um homorista que sempre fez paródias da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) teve uma apresentação interrompida no final por gente da pior espécie que não suportou ouvir piadas e críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PT).

Discutiu com um bando de imbecis e conseguiu que fosse retirados. Gustavo Mendes, o humorista, enfrentou os fascistas e não tolerou a tentativa de "censura".

Gustavo Mendes imitando Dilma Rousseff (FOTO: ARQUIVO PESSOAL/FACEBOOK)

Na madrugada de 1º de setembro, um domingo, cinco homens vestidos de preto tentaram agredir frequentadores de um bar palestino em São Paulo, o Al-Janiah, que fica na região do Bexiga.

Esse estabelecimento foi fundado por imigrantes palestinos, mas se tornou um ponto de encontro para refugiados estrangeiros de vários locais do mundo. Também virou referência entre intelectuis de esquerda e de eventos relacionados aos direitos humanos.

Ninguém ficou ferido no atentado ao Al-Janiah. Testemunhas contaram nas rede sociais que pelo menos três dos agressores usavam roupas pretas com uma bandeira do Estado de São Paulo do lado esquerdo do peito, nas camisas.

Na sexta-feira, dia 30 de agosto, houve uma tentativa de invasão de palco em Mossoró (RN) durante o show de Nando Reis.

As primeiras informações divulgadas diziam que era uma pessoa indignada com os comentários do cantor sobre as queimadas na Amazônia e com uma piada a respeito do filho de Bolsonaro candidato a embaixador. A pessoa teria tentado agredir Reis.

O cantor, no entanto, em vídeo nas redes sociais, desmentiu tal versão. Afirmou ue era apenas um fã que queria subir ao palco e que foi retirado sem violência, pedindo desculpas mais tarde.

No entanto, há relatos também nas redes sociais que teria havido sim uma tentativa de agressão por parte de um apoiador de Bolsonaro inconformado. De qualquer forma, o estado de ânimo pelo país suscita que seja tomadas precauções em todos os sentidos.

Se juntarmos a esses fatos a organização criminosa que criou o "Dia do Fogo", na Amazônia – em 10 de agosto, fazendeiros e empresários agrícolas contrataram bandidos para incendiar áreas imensas no Pará e no Mato Grosso em "apoio" à política de meio ambiente e de agronegócio de Bolsonaro -, temos então um quadro de ameaça real ao funbcionamento das instituições e à própria democracia.

Lamentavelmente, as fake news e os absurdos proferidos por Bolsonatro e cometidos opelo  governo são relativizados ou "normalizados" por parcela expressiva da população e da sociedade civil – certamente envergonhados por tem, apoiado (ou se omitido) diante da ascensão da extrema-direita violenta, burra e incompetente.

Os três casos citados neste texto estão sendo tratados por todos como "casos isolados", e até mesmo como "exceções" em um ambiente político polarizado e tenso.

Não são casos isolados. É a prática prometida por Bolsonaro e seus apoiadores desde a campanha eleitoral. Desde que assumiram os ataques são constantes, mas agora situação ficou grave porque houve ma "antecipação de estratégia" diante da desintegração do governo e depredação institucional de um governo inerte e indigente.

O fato é que, em desespero e sem nenhum argumento (nunca os tivetram, na verdade), as hordas autoritárias e hidrófobas estão perdendo a vergonha e partindo para a violência.

A intimidação estéril das redes sociais está se transformando agressão física diante do estímulo institucional. Não forma poucos os ataques do presidente à liberdade de imprensa, que vive ameaçando jornalistas de prisão.

E, mais uma vez de forma triste, prevíamos que esse estado de coisas poderia começar pelas artes e eplo rock, como de fato ocorreu – assim como previmos a "normalização" do absurdo, ou seja, diante do medo de nova crise institucional, a sociedade releva as demonstrações cada vez mais explícitas de ódio contra a democracia e a civilização.

Normalizar a ameaça autoritária de inspiração fascista é abrir as portas do inferno para os demônios invadirem nossas vidas e acabarem com a civilização. Coisas como o ataque ao Al-Janiah são apenas o começo de uma guerra ideológica-cultural-social.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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