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Combate Rock

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Banda santista Harry ganha documentário

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07/08/2019 07h00

Eugênio Martins Júnior – do blog Mannish Blog

Harry (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Em março de 2017, últimos dias de vida de Johnny Hansen, cultuado e controverso vocalista da banda santista Harry, nos encontramos algumas vezes para juntar a documentação necessária para produzir o documentário que até então só existia na nossa cabeça, "O Caos no Céu Cinza" – nome dado pelo Hansen.

Alguns dias depois de entregarmos o projeto na Secretaria de Cultura de Santos, dentro do Facult, edital de financiamento local, Hansen sofreu um ataque cardíaco fatal que lhe tirou a vida.

Meses se passaram até o dia que recebi o telefonema do Dino Menezes, o coprodutor do filme me dando os parabéns por ter conseguido o financiamento.

Confesso que já havia esquecido desse lance e fiquei alguns minutos olhando pra TV e pensando: "E agora, que porra que eu vou fazer?"

Marquei com a banda que estava juntando os pedaços após quase um ano sem tocar juntos e contei toda a história. A galera curtiu a ideia e toparam fazer. Meti as caras.

Dois anos depois o documentário está aí. Recheado de entrevistas com os músicos originais e os atuais, contando a história da banda, falando sobre os discos iniciais que arranharam a pureza do pop rock nacional dos anos 80 e falando sobre o Hansen.

Sou novato nesse negócio de fazer filme e assumo todas as falhas. Mas, assim como elas vão aparecer, meu coração também vai estar lá na tela. Agradeço à banda, aos entrevistados, ao Digo Maransaldi, parceiro incansável, e ao Dino Menezes pela paciência em me aturar e, por último, agradeço à minha paciência por ter de aturar o Dino.

Harry foi uma banda santista criada na época em que o maior porto do país também era o maior exportador de vírus HIV do Brasil. Muito por causa das drogas consumidas pela galera.

Cubatão era uma das cidades mais poluídas do mundo, onde o nascimento de crianças com anencefalia, principalmente na Vila Parisi, vinha aumentando e onde aconteceu uma das maiores tragédias do país naquela época, o incêndio da Vila Socó, vitimando centenas de moradores.

O crescimento das favelas era proporcional com o aumento dos assassinatos em São Vicente. Sem contar o descarte criminoso de produtos tóxicos em locais proibidos – pentaclorofenol, o pó da china, composto químico altamente tóxico, nos bairros da Área Continental de SV.

Em meio essas tragédias nasceu o Harry e muitos de seus temas refletem essa barra pesadíssima que era a Baixada Santista.

As paredes de guitarras, e depois de aparelhos eletrônicos que ao longo do tempo também serviu para separar os integrantes por divergências musicais, ficarão marcados na história torta do rock nacional eternamente como seu lado B.

Com o recurso que recebi, e ainda pondo algum do próprio bolso, consegui contar um pouco dessa história. Antes de qualquer coisa, sou fã da banda e acho que devia esse tributo ao Johnny Hansen que, como o amigo Werner Brucha diz no filme, não recebeu em vida o valor que merecia como músico.

Esperar o que no país  do monopólio das cinco emissoras de TV e dos cinco jornais?

Hoje, Cesar Di Giacomo (bateria e vocal), Johnson (teclados e vocal), Lee Luthier (baixo e vocal) e Marcelo Marreco (guitarra), continuam sem o Hansen e se preparam para lançar um novo CD, ainda com músicas compostas, cantadas e tocadas por ele. O CD se chama Dark Passenger e foi produzido pelo selo Fiber Records.

Por exigência do edital do Facult e pedido da banda, os locais escolhidos foram o Museu da Imagem e do Som de Santos, duas sessões, e o Cine Arte Posto 4, uma sessão.

São lugares com pouca capacidade de público, mas caso seja necessário faremos em mais datas. As exibições serão em 16 e 23 de agosto no MISS e 30 de agosto no Cine Arte. A entrada é gratuita.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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