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Combate Rock

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30 anos do álbum ‘The Real Thing’, clássico do Faith No More

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2007-07-20T19:07:00

07/07/2019 07h00

Flavio Leonel – do site Roque Reverso

O dia 20 de junho de 2019 marca o aniversário de 30 anos do grande disco "The Real Thing", do Faith No More. O álbum foi o responsável por catapultar mundialmente a carreira da banda norte-americana, até então mais bem restrita ao cenário alternativo e do heavy metal.

"The Real Thing" também simbolizou uma transição importante do FNM, já que marcou também o primeiro disco com o talentoso Mike Patton nos vocais.

Ele substituiu o vocalista Chuck Mosley, que ficou no grupo entre 1984 e 1988 e cantou nos dois álbuns anteriores: "We Care a Lot" (1985) e "Introduce Yourself" (1987).

A entrada de Patton é fundamental para o sucesso de "The Real Thing", não apenas por ele ser um vocalista melhor mas também por sua capacidade com as letras.

Patton compôs todas as letras do disco, com exceção da faixa cover "War Pigs" do Black Sabbath. Em duas músicas ("The Real Thing" e "Surprise! You're Dead!"), o vocalista conta com parceria, pela ordem, com o baixista Billy Gould e com o guitarrista Jim Martin.

Gould e Martin, por sinal, assinam a única faixa instrumental do disco: "Woodpecker from Mars". As demais melodias das faixas são distribuídas entre os membros do grupo, com grande participação do baixista.

Este é um ponto importante, já que a banda, desde o primeiro álbum, tinha a fama de ter sido uma das precursoras do funk metal, estilo dentro do heavy metal no qual o baixo é marcado claramente por elementos do funk.

O álbum "The Real Thing" mantém os elementos do funk metal, mas é mais melodioso, denso e pesado que os anteriores. Com o vocal de Patton e suas letras que não passavam sem ser notadas, o disco rumou naturalmente para o sucesso, à espera apenas de uma fagulha que fizesse que o FNM estourasse.

Esta fagulha se chamava "Epic", clássico histórico não somente dentro do heavy metal, mas de todo o rock e da música. Com um clipe muito bem feito e que bombou de maneira gigantesca na MTV, a canção do Faith No More, que havia sido lançada em janeiro de 1989 como o primeiro sigle do álbum, chegou ao topo das paradas no mundo todo e a banda virou presença obrigatória nos principais festivais e eventos.

"Epic" é a segunda música do disco. A primeira, "From Out of Nowhere", também ganhou clipe e foi o terceiro single do álbum. Com uma levada mais rápida, ela também não tem o peso do baixo de outras faixas do FNM, mas conta claramente com uma participação maior dos teclados de Roddy Bottum.

O baixo volta com força em "Falling To Pieces", a terceira faixa do disco e o segundo single com clipe, também com grande sucesso na MTV. "Gotas de sim e não. Em um oceano de talvez" era um dos trechos mais marcantes da letra da música e mostrava todo o talento de Mike Patton.

A quarta faixa, "Surprise! You're Dead!" é, de longe, a mais pesada do disco. Com uma levada mais próxima do thrash metal, ela agradou em cheio os fãs que torciam um pouco o nariz para o estrelato do FNM na MTV. Com isso, a banda conseguia reunir, ao mesmo tempo, o grupo de fãs mais ligados ao pop rock da MTV e também as meninas loucas pelo lado sex simbol de Patton, como ainda os fãs mais exigentes do heavy metal.

"Zombie Eaters" é a faixa que fechava o então Lado A dos discos de vinil. Com uma letra muito bem feita de Patton e com um arranjo que traz várias mudanças ao longo da execução, a música nunca ganhou o reconhecimento que merecia comercialmente. Mas o fã mais atento do FNM sempre soube da qualidade dela.

O então Lado B começa com a faixa que dá nome ao disco. Tal qual "Zombie Eaters", a música traz um arranjo de grande qualidade e várias viradas, mas traz um pouco mais de peso.

O fã do FNM sabe muito bem que "Epic", "Falling to Pieces" e "From Out of Nowhere" são as maiores responsáveis pelo estouro comercial do grupo, mas também tem a noção da importância musical de "Surprise! You're Dead!", "Zombie Eaters" e "The Real Thing". É como se as três primeiras servissem como um "carro-chefe", para preparar o terreno, e as três últimas como o elemento ratificador de qualidade da banda.

"Underwater Love" e "The Morning After" estão muito longe de receber alguma crítica como faixas fracas, mas não tem a mesma pegada das música anteriores. Somadas à instrumental "Woodpecker from Mars", elas servem para dar um respiro após tanta novidade de qualidade, melodia e peso para aquela época.

O peso volta na sequência com nada menos que "War Pigs", do Black Sabbath. Para muitos, é a melhor versão da música, depois da original, com grande participação do baterista Mike Bordin e, principalmente, do guitarrista Jim Martin, que traz um solo magnífico numa faixa que tem simplesmente o mago dos riffs Tony Iommi historicamente brilhando na versão original.

O disco se encerra com uma balada de respeito: "Edge of the World", que ficou famosa também por um clipe ao vivo gravado na Brixton Academy, em Londres, que fez parte depois do álbum "Live at the Brixton Academy", de 1991.

Não há dúvida de que o papel da MTV na carreira do FNM foi fundamental. A banda, no entanto, trouxe com o ótimo "The Real Thing" o disco que mudou o rumo da história dos músicos e que caiu no gosto dos amantes da boa música.

Para alguns, os disco seguinte de estúdio "Angel Dust" traria um Faith No More ainda mais maduro, mas "The Real Thing" é o álbum de maior relevância na carreira da banda.

O terceiro trabalho de estúdio da carreira do FNM faz parte da seleta lista do livro "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer", de Robert Dimery.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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