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PAD retorna ao ringue batendo na corrupção em 'A Regra É Clara'

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2001-07-20T19:07:00

01/07/2019 07h00

Marcelo Moreira

PAD (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A polarização política dentro do rock começa a esquentar, mas dentro de um nível que ainda podemos considerar aceitável.

Se bandas punks e hardcore levantam a bandeira do antifascismo, da defesa dos direitos civis e contra mendidas que estimulam a violência, como várias tomadas pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), alguns músicos e grupos de viés mais conservador contra-atacam e miram a corrupção e a procedimentos assaociados a partidos e governos de esquerda.

Os paraenses do Stress, por exemplo, lançaram um bom álbum de heavy metal com fortes críticas à devastação progressiva da Amazônia, mas com pancadas em toda a classe política, de todos os espectros partidários. Seus integrantes são conhecidos por serem conservadores e terem ojeriza a políticas identificadas com a esquerda.

A banda paulista PAD também entra no jogo no jogo, embora sem ser tão incisiva quanto as bandas esquerdistas – Surra, Escombro, Dead Fish e mais algumas que tiveram trabalhos recentes lançados.

Fundada por Marcos Kleine, também integrante do Ultraje a Rigor (cujo líder, o guitarrista e cantor Roger Moreira, apoia Bolsonaro e ataca qualquer tipo de posicionamento esquerdista), a PAD fez uma bela homenagem a policiais militares e bombeiros ma música "Eu Sou  Cara".

Nesta canção, o sexteto elogia o trabalho duro e diário de policiais que se dedicam a salvar pessoas e a evitar crimes e tumultos. Em nenhum momento os integrantes, na letra e no clipe, se posicionam política o ideologicamente.

Entretanto, sofretram fortes ataques nas redes socais acusados de apoio explícito à PM e a políticos ex-militares de direita, o que, além de estar equivocado, foi uma grande injustiça.

Em a "A Regra É Clara", a PAD avança um pouco na questão ideológica. O clipe da nova múica, que estará no próximo CD do grupo, é mais explícito, mas nem tanto. O recado, entretanto, está lá.

"Justifique 'Se eles podem, por que eu não?' como quiser: sem dúvida essa frase é o fruto podre que espelha o povo de bem naqueles que se elegem apenas para usar o poder em benefício próprio.  Por isso essa música, de raiva latente, grito dos insurgentes e injustiçados, de todos os lados e cores, que sabem, lá no fundo, que nenhum crime nunca compensou.  A máxima é antiga, mas a regra é clara, atual e para todo mundo: aqui se faz, aqui se paga", explica a banda no material de divulgação enviado para a imprensa.

A nova é música é bem legal, pesada e com um clima de hard rock misturado com rhythm & blues. As guitarras são o ponto alto, ao lado da voz de Noogh, que acrescenta raiva e agressividade em doses equilibradas.

Mais do que apontar o dedo para supostos adversários políticos, a canção centra fogo na condenação da corrupção em todos os níveis, por mais que faça citação elogiosa à Operação Lava Jato, que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, políticos de vários partidos e empresários diversos.

É saudável que os dois lados consigam "debater", digamos assim, sem que o clima de briga de arquibancada predomine.

É evidente que não dá para ter muito respeito por pessoas que abraçam ideias de inspiração fascista e que disseminem o ódio e a destruição de opositores políticos, como muitos que apoiam Bolsonaro defendem.

Na opinião do Combate Rock, Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, se encaixa neste grupo, não só pela falta de argumentos para defender coisas indefensáveis mas pela maneira virulenta e sem educação de como se dirige a quem o confronta ou diverge de suas ideias.

Outros músicos de rock e do metal infelizmente caem no mesmo extremismo, passando vergonha nas redes sociais e tendo os argumentos triturados mesmo por gente que abomina os partidos de esquerda no Brasil.

"A Regra É Clara" traz um frescor para o rock nacional no que tange à "disputa" da narratriva política dentro da área musical, seara que tradicionalmente é dominada pela esquerda há muito tempo.

Por conta de opiniões políticas individuais ou mesmo da banda, sem tanta "explicidade", a PAD sofre por isso – assim como bandas de rock identificadas com a esquerda.

Nas redes sociais, o guitarrista Marcos Kleine reclamou a respeito de supostos boicotes que o sexteto está encarando por questões políticas – algo que já aconteceu com artistas como Föxx Salema, cantora transexual que é militante de esquerda e LGBTQ.

É bastante desagradável que a arte sucumba ao ringue político-partidário. Por mais que seus integrantes sejam contundentes na defesa de seu lado, a PAD está longe de resvalar no extremismo fascista que alas de apoio a Bolsonaro exalam.

Geralmente boicotes artísticos se justificam quando há estímulo a crimes de várias origens. Fora isso, não passa de medo diante do poder da mensagem da oposição, que certamente é mais poderosa do que os argumentos de quem boicota.

 

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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