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Combate Rock

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A psicodelia nostálgica de The Outs e Pepe Bueno

Combate Rock

2005-04-20T19:06:55

05/04/2019 06h55

Marcelo Moreira

Psicodelia nostálgica é um sugênero do rock que está em alta no Brasil, e não é de hoje. Começou de forma meio tímida na primeira década do século XXI, com bandas bem bacanas como Vanguart e Hurtmold, entre outras, e ganhou impulso recentemente com o que se pode chamar de um rock Brasil alternativo, que tem grupos bem interessantes como Tomada, O Terno e Boogarins, para ficar entre os mais aclamados.

Mergulhando nesta tendência, temos dois nomes importantes que estão com trabalhos relevantes e que estão conseguindo destaque dentro cenário nacional: o trio The Outs e a banda Pepe Bueno e os Estranhos.

"Enquanto o Futuro Não Vem" é o nome do álbum com dez faixas do trio carioca formado por Dennis Guedes (guitarra/baixo/vocais), Gabriel Politzer (bateria) e Vinícius Massolar (guitarra/teclado/vocais).

Na comparação com os paulistas d'O Terno, The Outs é mais rock'n'roll e mais orientado para as guitarras. É psicodélico até a raiz, mas este segundo trabalho já incorpora elementos mais ousados, flertando com a música pop, com a MPB e também enxertando alguns sons mais eletrônicos.

É um som bastante agradável de se ouvir, um mérito da produção caprichada de Rafael Ramos, compartilhada com a banda. O som é claro e cristalino, mostrando uma evolução em relação ao primeiro álbum.

Seguindo a tendência deste pseudo-subgênero, as letras são intimistas e guardam uma relação íntima com o cotidiano urbano, principalmente na música mais legal, "Tempo Louco", que é guiada pelas guitarras frenéticas de Guedes.

"Mágica" e "O Tempo Pode Passar" também são bons exemplos do som psicodélico e nostálgico, com guitarras etéreas e reminiscências dos "bons tempos" dos anos 70. "Janela Azul" e "Sem Você" são canções delicadas e quase pueris, mas totalmente dentro do contexto temático do álbum.

The Outs tem muita credibilidade dentro do mercado alternativo e é um bom concorrente para as bandas que estão surfando na onda. O potencial para crescer é bem grande.

Já Pepe Bueno é o típico cara legal que a gente encontra de vez em quando nos shows e nos botecos e faz questão de reencontrar pouco tempo depois. Não há tempo ruim para ele, que respira música o tempo todo. "Não há tempo difícil; difícil é ficar sem tempo para criar", disse o baixista certa vez.

Ele leva isso muito a sério, sempre com um sorriso fácil e uma conversa boa. Além de tocar no ótimo grupo Tomada, ele encontra tempo para levar uma carreira solo adiante e montar um outro grupo, Pepe Bueno e os Estranhos.

Muitos dirão que é mais do mesmo: Bueno abusa do rock de inspiração setentista e do blues meio pesadão, meio sarcástico, em todos os seus trabalhos. Quem diz isso certamente não conhece a longeva carreira do baixista.

O primeiro EP do novo projeto, com duas músicas, é uma amostra do espectro musical amplo a que Bueno se dedica. Com o pouco criativo nome "Pepe Bueno e os Estranhos", ele se aproxima um pouco mais do que se pode chamar de rock rural, com um que de MPB, mas com arranjos de muito bom gosto.

"Pelo Mar" e "Xerox Plastificado" são músicas simples, de melodias fáceis e arranjos certeiros, com o característico psicodelismo de suas músicas, abordando temas do cotidiano urbano e dos relacionamentos em tempos modernos do século XXI.

O EP é uma das primeiras iniciativas do selo Curumim Records, recém-reativado para, entre outras coisas, reforçar o apoio a artistas autorais brasileiros, principalmente dentro do rock. Bueno é um dos mentores e diretores do empreendimento, ao lado do incansável Fernando Ceah, da banda Vento Motivo.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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