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Combate Rock

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Artesãos e ambulantes também são alvos da 'fiscalização' na av. Paulista

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31/01/2019 07h00

Marcelo Moreira

Filippe Dias Trio toca na avenida Paulista: saudade do tempo em que o maior problema era encontrar espaço nas calçadas para montar o equipamento (FOTO: MARCELO MOREIRA)

Não são apenas os músicos que estão na mira da Polícia Mililtar e da fiscalização seletiva dos órgãos estaduais e municipais. Como prevíamos, artistas plásticos, artesãos e comerciantes ambulantes também estão sendo vítimas de arbitrariedades.

No último domingo, 27 de janeiro, não foram poucos os cidadãos que presenciaram cenas truculência da PM e guardas civis metropolitanos contra quem apenas queria trabalhar ou expor seus trabalhos.

Enquanto alguns músicos conseguiram escapar da sanha fiscalizatória truculenta – afinal, são tantas as bandas e artistas tocando que não dá para expulsar todo mundo -, sobrou para alguns, que tiveram seus materiais recolhidos a força e seus direitos desrespeitados.

No caso mais grave, durante uma abordagem de guardas civis a ambulantes perto do Parque Trianon, houve um começo de tumulto por conta de uma denúncia de roubo de celular – a vítima foi um turista norte-americano.

Novamente, em vez de apaziguar a questão e averiguar o que havia ocorrido, as forças de segurança – alguns GCMs e policiais militares – optaram por ouvir a "turba" ensandecida que adora o bordão "bandido bom é bandido morto".

Alguns insanos, movidos por uma raiva hidrofóbica, apontaram para três rapazes – dois negros e um pardo -, segundo relatos de quem presenciou a cena. Não havia nenhuma prova de que eram eles os autores do furto. Quem acusou sequer tinha a certeza da acusação que fazia.

"Não se falta preparo ou é orientação para serem mais 'rigorosos' na 'averiguação'. O fato é que muita gente teve de intervir para que não houvesse linchamento e para que os agentes de segurança fizessem o trabalho deles sem arbitrariedade. A sanha autoritária é assustadora", afirmou um jornalista que estava no local ao Combate Rock, que preferiu não se identificar.

Por mais que seja imprudente afirmar que essas ações sejam uma constante na avenida Paulista com o intuito de intimidar artistas e comerciantes ambulantes, não para deixar de constatar: não é coincidência que semanalmente haja relatos de músicos abordados com truculência por policiais, GCMs e fiscais da prefeitura, que questionam sobre coisas irrelevantes e inúteis, para em seguida impedir ou restringir a atuação de quem está trabalhando ou expondo.

Também não se trata de pregar que não se deva ter nenhum tipo de fiscalização por parte das autoridades e órgãos públicos. Questionamos a maneira de como é feita a abordagem – sempre desrespeitosa e quase sempre sem educação -, além do fato de a abordagem ser sempre seletiva. Quem é que pode vender água e refrigerante? Quem é que pode expor seus trabalhos e vendê-los? Quem é que pode tocar na avenida, que é fechada aos carros aos domingos e feriados?

O Combate Rock solicitou à Polícia Militar, à Secretaria de Segurança Pública e à Guarda Civil Metropolitana informações sobre o incidente na avenida Paulista, perto do Parque Trianon, neste domingo, 27 de janeiro. Até as 12h desta quarta-feira, dia 30 de janeiro, não havíamos obtido nenhuma resposta.

 

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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