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Ira! comemora os 30 anos de 'Psicoacústica' no Sesc Belenzinho

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13/09/2018 07h00

 

Marcelo Moreira

É um disco esquisito e compreensivelmente não teve o desempenho esperado na época. Diferente, ousado e até mesmo visionário, "Psicoacústica", do Ira!, virou um dos álbuns mais cultuados do rock brasileiro. É aquele "fracasso que deu certo com o tempo", como uma vez brincou o vocalista Nasi.

E o cantor tem toda a razão. O álbum "melhorou" com o tempo, digamos assim, como costuma ocorrer com algumas obras do rock inglês e também o do rock norte-americano.

Tanto Nasi com o guitarrista Edgard Scandurra abraçaram a versão de obra cult e reconhecem que o disco cresceu com o tempo, tanto que frequentemente canções do álbum voltam ao repertório dos shows, como a emblemática "Rubro Zorro".

Por conta desse movimento de "aceitação", os dois músicos toparam participar do projeto "Álbum", do Sesc Belenzinho (que resgata a memória da música brasileira por meio de registros fonográficos), para tocar "Psicoacústica", que completa 30 anos de seu lançamento, na íntegra.

 

 O disco é o terceiro da carreira do grupo, lançado após "Mudança de Comportamento" (1985) e "Vivendo e Não Aprendendo" (1986), e apresenta um som mais experimental, com músicas sem refrão, solos longos e uma atmosfera mais sombria.

Talvez a palavra correta para definir e qualificar "Psicoacústica" seja experimental. O na época quarteto resolveu inventar e, para muita gente, passou dos limites. Ficou claro que o público não entendeu.

"Vínhamos de uma espiral de ascensão, com música em trilha sonora de novela da TV Globo ("Flores em Você, em 1986), e então aparece um álbum bem diferente, com músicas sem gancho. O impacto foi forte, mas realmente, para boa parte do público, ele soava estranho", disse Nasi em entrevista ao programa de web rádio Combate Rock em 2013.

O cantor contou á época, antes de sua reconciliação com Edgard Scandurra, que "Psicoacústica" foi encarado como uma evolução musical natural na carreira da banda.

"Sempre estivemos ligados nos vários movimentos musicais que fermentavam na época, eu tinha me envolvido com o hip hop paulistano, tinha montado um projeto com os Irmãos do Blues, conversávamos muito com artistas de outros gêneros. Havia muita inspiração e sabíamos que era o momento certo para enveredar por aquele caminho mais experimental", afirmou o cantor.

Com oito faixas e um pouco mais de 30 minutos de duração, não é um disco fácil de ouvir se a referência é o rock quase punk/quase mod dos dois primeiros álbuns. Eu demorei para conseguir entender o conceito e hoje me é mais palatável, embora não esteja entre os meus preferidos do Ira! Entretanto, o disco entrou para a história do rock brasileiro e foi listado entre os 100 maiores discos da música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil.

Será um desafio para o atual Ira! – Nasi (vocal), Edgard Scandurra (guitarra e vocais), Evaristo Pádua (bateria), Johnny Boy (teclados e violão) e Daniel Rocha (baixo) – reproduzir uma obra tão diferente e pouco "amigável" do palco. Seja como for, os ingressos praticamente se esgotaram, mas ainda assim vai o serviço:

O Sesc Belenzinho fica na Rua Padre Adelino, 1000 – Belém (São Paulo/SP – próximo a estação Belém Linha 3 Vermelha do Metrô) e a entrada custa entre R$ 9,00 (credencial plena), R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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