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Ozzy Osbourne empolga arena do Palmeiras lotada após ‘saldão’ de ingressos

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19/05/2018 07h00

Flavio Leonel – do site Roque Reverso

Ozzy Osbourne e o guitarrista Zakk Wylde em São Paulo (FOTO: T4F/DIVULGAÇÃO)

A capital paulista foi palco de mais um show empolgante de Ozzy Osbourne no domingo, dia 13 de maio, quando o eterno vocalista do Black Sabbath fez a primeira de quatro apresentações brasileiras de sua última turnê mundial.

Com o Allianz Parque lotado após um verdadeiro "saldão" de ingressos, os fãs fizeram uma verdadeira festa do heavy metal para assistir o "Príncipe das Trevas".

Ozzy deixou claro em entrevistas que esta deve ser a sua última turnê longa pelo globo, mas afastou a hipótese de uma despedida definitiva.

Sem querer arriscar e perder uma última oportunidade de ver uma lenda viva do rock, o público compareceu em peso e praticamente não deixou espaços vazios na Arena do Palmeiras.

É muito importante enfatizar que o sonho de muitos só foi possível porque os organizadores caíram na real e fizeram promoções decisivas para que os fãs conseguissem ter acesso aos caríssimos ingressos. Até a semana que antecedeu a do show, a procura pelas entradas estava aquém do que era esperado para uma atração do quilate de Ozzy Osbourne.

Uma série de fatores podem ser apontados para a demanda abaixo do previsto: o fato de Ozzy ter vindo várias vezes ao País; a passagem recente do Black Sabbath pelo Brasil também em uma turnê de despedida; e até o fim de semana repleto de atrações importantes do rock pesado na capital paulista.

Em relação a este último fator, além de Ozzy no domingo, São Paulo recebeu o Living Colour e o Therion na sexta-feira, dia 11 de maio, e o Corrosion of Conformity, no dia 12. Isso só para citar atrações do rock pesado.

O grande detalhe reclamado por uma série de fãs era, na verdade, os salgadíssimos preços dos ingressos praticados pelas produtoras no Brasil, um país que, depois da lambança do impeachment da ex-presidente da República, engatinha a passos de tartaruga na saída de uma de suas piores crises econômicas; que tem mais de 12 milhões de desempregados; e que atravessa uma situação política completamente indefinida, em pleno ano eleitoral – fato que costuma diminuir a confiança da população para executar gastos além do que é considerado essencial.

Para o show de Ozzy em São Paulo, os ingressos inteiros tinham inicialmente os seguintes valores: Pista Premium (R$ 680,00); Pista (R$ 360,00); Cadeira Inferior (R$ 440,00); e Cadeira Superior (R$ 260,00). O público estimado inicialmente pelos organizadores era de  47.146 pessoas, mas a ameaça de um fracasso de vendas histórico gerou os "saldões" em diversas frentes.

As primeiras promoções foram as tradicionais de quinta-feira da Tickets For Fun, na qual o fã compra um ingresso para um setor e ganha outro. Mas perto da semana do show, porém, os organizadores anunciaram uma raríssima promoção de 60% no valor de determinadas entradas, como a da Cadeira Inferior. Com isso, o ingresso, que custava R$ 440,00 passou para convidativos R$ 176,00, que ainda poderiam ser parcelados.

Roque Reverso esteve em frente às bilheterias do Allianz Parque no sábado, 12 de maio, dia da véspera do show do Ozzy. No período da tarde, um fila se formou e foi possível constatar que as pessoas queriam aproveitar ingressos mais baratos e sem a famigerada taxa de conveniência. Para surpresa de muitos, além da promoção de 60% de desconto, surgiram campanhas dos sites Groupon e Peixe Urbano, oferecendo descontos de até 51% em vários dos setores da arena.

Com toda esta campanha de oferta e com um público tradicionalmente apaixonado pelo heavy metal, foi incrível a verdadeira invasão do público na Arena do Palmeiras, deixando uma mensagem bastante clara aos produtores: é preciso diminuir o preço dos ingressos.

O show

Com todo o clima de arena praticamente lotada e grande expectativa, Ozzy Osbourne subiu ao palco pontualmente às 21h30. Com o set list igual ao que executou nos shows recentes de Santiago, no Chile, e em Buenos Aires, na Argentina, ele manteve o público sob controle do começo ao fim do espetáculo.

A primeira da noite foi nada menos que "Bark at the Moon", que abriu o terceiro show consecutivo de Ozzy em São Paulo. Com o grande guitarrista Zakk Wylde, o baixista Blasko, o baterista Tommy Clufetos e o tecladista Adam Wakeman, o "Príncipe das Trevas" entrou animado e claramente disposto a entregar uma apresentação de heavy metal de qualidade.

A segunda da noite foi a sempre espetacular "Mr. Crowley". Com Adam Wakeman puxando a introdução clássica e Ozzy emocionando na sequência. Vale destacar que ficou clara alguma diferença em relação às passagens anteriores do cantor pelo Brasil nesta música: os teclados se somaram de maneira mais forte ao riff da guitarra de Zakk Wylde, muitas vezes até se fazendo ouvir mais alto que o instrumento de seis cordas.

Outro detalhe incrível foi o efeito de luzes, que saíam direto do palco e iam até a outra extremidade do Allianz Parque, no topo.

Depois de "I Don't Know", foi a vez de "Fairies Wear Boots", a primeira do Black Sabbath da noite e que trouxe um baixo matador do competente Blasko.

"Suicide Solution" veio na sequência e chamou a atenção pelos efeitos super interessantes do telão. Numa comparação com os tempos áureos do videoclipe, é como se as imagens tivessem sido transformadas por um efeito parecido com o do clipe do Dire Straits para a música "Brothers in Arms". Teve ainda um momento inusitado de Ozzy abaixando as calças e ficando com o traseiro de fora.

Quem foi ao Monsters of Rock de 2015 no Anhembi notou que as primeiros cinco músicas do repertório foram as mesmas no Allianz Parque. A despeito da repetição da sequência, o público mantinha a euforia e cantava todas as faixas a plenos pulmões.

Eis que Ozzy trouxe um carta na manga que não usava em São Paulo desde o show de 2008 no antigo Estádio Palestra Itália, que se transformou na agora moderna arena palmeirense. "No More Tears" veio muitíssimo bem executada e foi até aquele momento da apresentação a melhor do set list.

Logo depois do fim da música, Ozzy brincou com a plateia e fez o público gritar histericamente, como se estivesse regendo um enorme coral. Na sequência, cantou "Road to Nowhere", que foi seguida por mais uma do Sabbath: "War Pigs".

O clássico da banda de Birmingham foi executado brilhantemente. Fez o público fazer um coro inacreditável e mostrou Zakk Wylde possuído nos solos.

Ele tocou com a guitarra literalmente nas costas, usou depois os dentes para tirar solos e ainda desceu para a beira da Pista Vip.

Após contagiar a todos, ele iniciou um solo que trouxe a trilha "Miracle Man"/"Crazy Babies"/ "Desire"/"Perry Mason", todas instrumentais, inclusive a última, que veio diferente da versão original.

Depois do endiabrado Zakk Wylde", Tommy Clufetos mandou um longo, mas excelente solo de bateria. Ozzy e banda vieram em seguida com "Flying High Again", "Shot in the Dark" e "I Don't Want to Change the World".

Para fechar, nada menos que "Crazy Train", que pareceu um pouco menos pesada do que o normal, mas sem comprometer o momento importante do show.

Após uma brevíssima pausa para o descanso e já no bis, Ozzy presentou os fãs com uma bela interpretação de "Mama, I'm Coming Home". Para fechar, o clássico "Paranoid", com chave de ouro, saciou a vontade dos fãs.

A apresentação de 2018 de Ozzy em São Paulo pode até não ter superado as de 2015, no festival Monsters of Rock, ou até mesmo as anteriores, que fizeram parte de turnês próprias do "Príncipe das Trevas". Os anos passam e, naturalmente, por mais que o Ozzy mostre resistência com seus 69 anos de idade, há sinais de cansaço.

Nem por isso, a apresentação no Allianz Parque deixou de ser comemorada por quem esteve ali. Presenciar uma lenda do rock n' roll é algo que sempre fica na mente e foi o que aconteceu na arena palmeirense.

Muitos ali viram Ozzu Osbourne pela primeira vez, assim como outros tantos mataram as saudades do "Príncipe das Trevas" pela terceira ou quarta vez. Resta a todos, porém, torcer para que Ozzy continue encarando shows em outros países e, a despeito da citada "última turnê", engate um retorno em breve ao Brasil.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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