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Megadeth esbanja categoria em grande show em São Paulo

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03/11/2017 06h38

Flavio Leonel – do site Roque Reverso

Megadeth (REPRODUÇÃO/YOUTUBE)

Na sua 15ª vinda ao Brasil, o Megadeth fez uma grande apresentação na terça-feira, 31 de outubro, na capital paulista. Com um set list escolhido a dedo para o fã do bom e velho thrash metal, a banda norte-americana trouxe faixas de boa parte da carreira e esbanjou categoria no Espaço das Américas.

Pouco mais de um ano após ter tocado exatamente no mesmo local no inicio da turnê do ótimo álbum "Dystopia", o Megadeth trouxe mais um show da mesma turnê.

Desta vez, optou pela execução de menos músicas do disco de 2016 e trouxe um set list recheado de clássicos.

No ano anterior, quando o Espaço das Américas ficou completamente lotado para ver a primeira vez do guitarrista brasileiro Kiko Loureiro, em sua terra natal e numa das maiores bandas de thrash metal da história, o Roque Reverso considerou que aquela apresentação só perdeu em solo nacional para as da fase que contou com a formação clássica da banda (Mustaine-David Ellefson-Marty Friedman-Nick Menza) e para o show de comemoração de 20 anos do "Rust in Peace" no Credicard Hall, com a formação Mustaine-Ellefson-Chris Broderick-Shawn Drover.

Em 2017, no 13º show do Megadeth em terras paulistas (o 12º na capital), a percepção foi também de algo marcante para os fãs. A apresentação contou com 5 músicas a menos que a do ano anterior, quando foram tocadas 21. Entre as canções retiradas do set list, a maioria foi de faixas do novo disco, o que pode ter deixado quem queria ouvir coisas do "Dystopia" ao vivo um pouco frustrado. Este mesmo fã, contudo, teve à disposição praticamente tudo de melhor que a banda já produziu em mais de 3 décadas de existência.

A abertura da apresentação do Megadeth foi feita pela banda norte-americana Vimic. O grupo do ex-baterista do Slipknot Joey Jordison conseguiu empolgar alguns, mas também chegou a provocar reações contrárias, já que a reportagem viu muito fã do conjunto musical principal da noite implorando pelo fim da apresentação do grupo do ex-mascarado de Iowa. Gostos musicais à parte, serviu, no mínimo, como um bom aperitivo para a banda de thrash metal californiana.

O show

A apresentação do Megadeth começou praticamente no horário marcado das 22 horas. Com o cenário idêntico ao das mais recentes vindas à capital paulista, a banda subiu ao palco com grande energia e disposta a tirar o fôlego dos fãs.

A primeira da noite foi a tradicionalíssima "Hangar 18", do clássico e melhor disco do grupo, "Rust in Peace", de 1990. Liderados pelo eterno líder, vocalista e guitarrista Dave Mustaine, os músicos trouxeram uma sequência incrível para quem gosta de toda a carreira da banda.

"The Threat Is Real" veio na sequência e representou o álbum mais recente, com o público já bem familiarizado com o novo som. Pelo lado da banda, além de Mustaine e Loureiro, o fiel baixista escudeiro David Ellefson e o ótimo baterista Dirk Verbeuren mostravam um entrosamento cada vez mais claro, dando a certeza aos fãs de que a formação atual é capaz de fornecer muita coisa de qualidade nos próximo anos.

Após a música do disco da turnê, o Megadeth engatou uma sequência inacreditavelmente empolgante. O bate cabeça foi inevitável em "Wake Up Dead", uma das músicas mais com cara de thrash metal da história desta vertente pesada do rock, assim como a nostalgia foi imediata não sempre ótima "In My Darkest Hour", que fez o Espaço das Américas inteiro cantar junto.

"Trust" veio em seguida e manteve a empolgação, que continuou na arrasa-quarteirão "Take No Prisoners", que não era tocada em solo paulista desde 2010, quando o grupo executou o "Rust in Peace" na íntegra. Também um dos maiores petardos do Megadeth na carreira, a faixa gerou uma combinação incrível de rodas e cabeças em movimento.

"Sweating Bullets" e "She-Wolf", que haviam sido tocadas em 2016, mantiveram a empolgação do público. Na primeira, o tradicional acompanhamento verso a verso da plateia voltou a aparecer. Na segunda, os riffs matadores de Mustaine e Loureiro voltaram a exigir que as cabeças se movimentassem inevitavelmente.

O fã do bom e velho thrash metal tinha motivos de sobra para vibrar. Depois de ver o Metallica demolidor no Lollapalooza e o Slayer arrasador no Maximus Festival, ele tinha ali à disposição mais um integrante do Big Four completamente em forma, sabendo que em poucos dias ainda terá o Anthrax para fechar incrivelmente a quadra dos sonhos do estilo na capital paulista.

Na segunda metade dos Anos 80, quando estas mesmas bandas faziam álbuns arrasadores e o público frequentador da frente da Woodstock Discos e da Galeria do Rock era apresentado a tudo aquilo, era inimaginável a possibilidade de ver estes patrimônios do thrash metal num mesmo ano em São Paulo. Agora, com a onda incrível de shows que já virou rotina na cidade mais rock n' roll do Brasil, é gratificante ver gerações distintas tendo à disposição este tipo de som.

Só depois de todas estas músicas tocadas que Mustaine falou com a plateia. Saudou o público paulistano rapidamente e logo emendou "Skin o' My Teeth", que não era tocada na capital paulista desde o show de 2012, de comemoração de 20 anos do disco "Countdown To Extinction", que, naquela ocasião, foi executado na íntegra no saudoso Via Funchal.

Megadeth em São Paulo (REPRODUÇÃO/YOUTUBE)

Depois de tanto agito no Espaço da Américas, foi a vez finalmente de algo mais calmo. A sempre belíssima "A Tout Le Monde" serviu para o público poder descansar um pouco, sem, é claro, deixar de cantar a música do início ao fim. Tudo isso com direito ao lindo solo final da dupla Mustaine-Loureiro, num dos grandes momentos do show.

Kiko, por sinal, era um caso de empolgação à parte com a plateia, que, desde o ano passado, já via com imenso orgulho um brasileiro numa das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos. A sensação deste jornalista é de que, depois do Sepultura e toda a sua importância na história do estilo, o guitarrista vem logo na sequência como "orgulho nacional".

"Tornado of Souls" veio na sequência do show no Espaço das Américas e, como sempre, comoveu os fãs, já que é uma das músicas melhores construídas pelo Megadeth. Pesada, com riff marcante e, ao mesmo tempo melodiosa, é uma das obras-primas da banda.

Depois dela, Mustaine voltou a falar com o público, elogiando aquela bela noite em São Paulo e lembrando que a música a seguir representava o trabalho ganhador do inédito Grammy pela banda este ano. "Dystopia" foi a segunda e última faixa da noite representante do álbum recente. Ela foi tocada com exatidão pelo grupo, com imagens do clipe no telão central e com a presença do mascote Vic Rattlehead no palco.

Quem viu a apresentação de 2016, automaticamente fez a comparação com 2017. Do álbum mais recente, ficaram de fora as ótimas "Poisonous Shadows" e "Post American World", além de "Conquer or Die!" e "Fatal Illusion". Mas foi uma opção da banda, que compensou com os clássicos.

Falando em clássicos, a música seguinte foi nada menos que "Symphony of Destruction". Como sempre, teve até os riffs cantados e marcados com os gritos de "Megadeth!".

Depois dela, nada menos que a raríssima "Mechanix", que tinha sido executada pela primeira vez no Brasil no show de 2016 e voltou novamente ao repertório. Tal qual a cena do ano passado, a faixa do primeiro álbum do Megadeth, também conhecida por ser a versão original da música "The Four Horsemen", do Metallica, nos tempos em que Mustaine ainda era do grupo de James Hetfield e Lars Ulrich, gerou uma nostalgia imensa entre os fãs antigos do bom e velho thrash metal.

Quando o público foi notar, a banda já estava executando "Peace Sells", com direito a retorno de Vic Rattlehead ao palco. E isso era um indicativo de que o show estava já no fim. O sentimento geral foi de susto, pois a apresentação foi feita numa pancada só e poucos ali haviam percebido que quase 1 hora e meia de apresentação já havia sido feita.

Esse tempo de duração vem sendo a média do Megadeth em espaços fechados em shows pelo Brasil, com exceção de uma ou outra apresentação, como as comemorativas. Quem achou que o show de 2017 foi curto deve ter esquecido como foram a apresentação no SWU e a abertura de luxo para o Black Sabbath.

Após a brevíssima pausa, a banda voltou para o pequeno bis com o ultraclássico "Holy Wars… The Punishment Due". Antes de a banda tocá-lo, Mustaine voltou a falar com o público, lembrando da proximidade do fim da turnê e citando Kiko Loureiro. Gritando "Kiko, Kiko, rarará", a plateia fez Mustaine sentar em frente à bateria, numa reação de surpresa e bom humor.

Após o arrasa-quarteirão de "Holy Wars…", Mustaine agradeceu todos os presentes e prometeu um retorno ao Brasil, no que deve fazer a banda se consolidar ainda mais como o conjunto gringo de rock que mais vezes veio ao País.

O saldo final do show de 2017 no Espaço das Américas foi amplamente positivo e até surpreendente para quem imaginava uma repetição do que viu em 2016. Entrosado e modernizado, o Megadeth mostrou que a entrada de Kiko Loureiro e de Dirk Verbeuren foi extremamente benéfica, fazendo com que o grupo, mais uma vez, encontrasse uma formação digna para manter o legado da banda.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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