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Blackmore Bar encerra as atividades e faz festa de encerramento

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11/09/2015 11h27

Marcelo Moreira

O anúncio foi discreto nas redes sociais. Primeiro houve o cancelamento de eventos que eram frequentes, e depois o derradeiro comunicado. Pela segunda vez, e parece que é definitivo, o Blackmore Bar, em Moema, zona sul de São Paulo, vai encerrar as suas atividades.

Tradicional ponto de rock paulistano – nos últimos tempos, um dos poucos -, sucumbiu à diminuição de público, ainda mais em tempos de forte crise econômica.

Hoje, 11 de setembro, aniversário do ataque terrorista às Torres Gêmeas, em Nova York, começa o evento de encerramento das atividades. E, para tristeza ainda maior de quem gosta de rock, e dos bons, as atrações principais, novamente, serão bandas cover, as que fazem versões de sucessos dos grandes nomes do gênero.

Nesta sexta, as atrações principais são os covers de Creedence Clearwater Revival e uma atração que provavelmente faz algumas músicas autorais misturadas com covers, o Rota Urbana.

No sábado, o último dia da casa, mais covers: uma banda tocando Ozzy Osbourne, outra Jimi Hendrix e mais uma, The Doors. Abrindo a noite, uma banda autoral, com menos tempo para tocar, Daily Jack.

Os primeiros indícios de que as coisas não iam bem foi o cancelamento do festival semanal de bandas autorais, em julho. "O Blackmore Rock Bar vem por meio deste comunicado informar que a partir desta data, não realizaremos mais o Festival de Bandas Autorais aos sábados a tarde, devido ao constante prejuízo acumulado na realização desse evento", informou em nota oficial nas redes sociais.

O fato é que o horário para tal evento era dos mais ingratos, para não dizer absurdo. Palco frequente de festas e eventos especiais de sites, revistas e programas de rádio, o Blackmore Bar foi um dos primeiros a abrir as portas de forma cavalar para a praga das bandas covers em horários nobres – sextas e sábados à noite.

blackmorebar

 

Foram raros os eventos com bandas com som autoral nesses horários, e mesmo para bandas com algum cartaz na minguada cena roqueira paulistana.

O bar pagou um preço alto por esta aposta imediatista e de curto prazo. Músicos e empresários não hesitam em apontar essa estratégia como de altíssimo risco, já que atraía um público pouco ou nada fiel, além de muitos jovens que costumam gastar menos do que o esperado em uma noitada de rock – situação, aliás, que pode ser constatada, em menor grau, também no Manifesto Bar, no Itaim Bibi.

Quando o anúncio do fechamento do bar foi divulgado, muita gente lamentou nas redes sociais, mas também sobraram críticas aos preços considerados altos cobrados por bebidas e comida e pelo mau atendimento geral de funcionários a consumidores e músicos.

No entanto, a maior crítica à casa, inclusive por parte do Combate Rock, foi a opção pelas bandas cover como carro-chefe das principais noites da semana, praticamente relegando as bandas autorais ao limbo. Uma aposta complicada, que pode, de certa forma, ter contribuído para o afastamento do público, somado a diversos outros problemas.

Mesmo com os problemas que a casa possa ter tido ao longo dos últimos anos, é lamentável que mais um espaço dedicado ao rock esteja fechando as portas, ainda que o som autoral não tivesse o espaço que gostaríamos.

Se o mundo do rock nacional alternativo independente tem algumas exceções que conseguem tocar com regularidade, o cenário geral, no entanto, é desolador, com cada vez menos estabelecimentos comerciais de entretenimento e vida noturna abrindo as portas para bandas novas.

As que ainda apostam no rock, entretanto, o fazem privilegiando as bandas de versões, os vovers de qualquer coisa. Se na Europa não é um bom momento para ser músico profissional, como comentou recentemente Paul Weller (ex-The Jam) em uma entrevista para o UOL, imagine então no Brasil…

Perdemos uma boa casa de shows pequenos e médios, que já recebeu atrações de peso nacionais e internacionais. É um 11 de setembro em que o rock no Brasil só tem a lamentar.

 

 

 

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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