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Revelado o contrato entre Sony Music e Spotify

Maurício Gaia

20/05/2015 06h52

Talvez o vazamento mais importante dos últimos tempos no mundo da música tenha sido este – o site The Verge teve acesso ao contrato feito entre a Sony Music e Spotify, para que os usuários deste serviço de streaming tenham acesso ao catálogo da major.

Como já disse aqui, desconfie quando algum artista ligado a um grande selo vem a público dizer que serviços de streaming pagam pouco a eles. Em termos, é verdade, mas quem fica com a maior parte das receitas obtidas são gravadoras e editoras – que sempre ficaram com a maior parte do bolo.

Algumas informações sobre o acordo Sony/Spotify:

  • A Sony recebeu um adiantamento de U$ 25 milhões, por um contrato de dois anos. Por um eventual terceiro ano, o Spotify deverá fazer outro adiantamento, no valor de U$ 17,5 milhões.
  • A Sony tem direito a solicitar uma auditoria externa para verificar se Spotify fechou algum contrato com outro selo em condições mais vantajosas que ela e readequar as cláusulas do contrato entre Sony e Spotify, garantindo que as melhores condições de negociação sempre sejam favoráveis à primeira.
  • A Sony recebe U$ 9 milhões em espaço publicitário do próprio Spotify.
  • O Spotify pode manter até 15% das receitas publicitárias apuradas para si.

 

Além destes pontos, a Sony já recebe um valor por cada faixa de seu catálogo que é executada – a cada play dado pelo usuário, U$ 0,00225, desde que metas de execução sejam alcançadas. Caso contrário, o valor sobe para U$ 0,0025.

De um modo geral, quando falamos especificamente dos valores apurados via execução, 70% da receita bruta é repassada a gravadoras (incluindo a Sony) e editoras. Os 30% restantes compõem despesas operacionais, administrativas , lucros, etc. – este é o padrão existente nos acordos entre gravadoras, editoras e empresas que prestam serviços de streaming de música.

Como este é o único contrato que temos para analisar, eu imagino que as cláusulas que regem os acordos entre Sony e demais serviços, como Deezer ou Rdio, não devam ser muito diferentes, talvez em valores, mas não em vantagens concedidas. Imagino que outras majors também não devam ter contratos muito diferentes (excetuando a bizarra cláusula compensatória, a favor da Sony). Com certeza, se o Spotify concordou em pagar mais de U$ 42 milhões só em adiantamentos, é porque, no final das contas, o negócio deve compensar.

Mas, lembre-se, nas últimas décadas, o negócio da música mudou. Mas quem ganha dinheiro mesmo são os mesmos de sempre.

Para quem quiser ler a reportagem da Verge (em inglês E juridiquês), clique aqui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

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O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
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