Topo
Combate Rock

Combate Rock

Selo Risco é um grande exemplo para o underground nacional

Combate Rock

2018-06-20T14:11:58

18/06/2014 11h58

Marcelo Moreira

Para os músicos do metal nacional que insistem em reclamar e bradar contra a falta de apoio e de público, eis que uma sugestão de como lidar como o mercado atual surge de um lugar improvável, o underground do pop rock/MPB de São Paulo. Sete bandas e uma cantora de São Paulo dividiam estúdio, produtor, palco e até alguns integrantes. É o selo musical Risco, com um nome bastante apropriado, e uma proposta inusitada e que pode jogar uma luz nas trevas do rock nacional, em todas as vertentes.

Esse grupo de visionários paulistas formalizaram a parceria já existente e criaram o coletivo e selo musical, que lançará seus álbuns em vinil e promoverá shows. E coletivo é realmente o termo a ser utilizado, já que tudo é compartilhado, principalmente músicos: os músicos André Vac e Gabriel Basile estão no Charlie & Os Marretas, de funk, no Memórias de um Caramujo, mais MPB, e no Grand Bazaar, de música cigana. Fazem parte ainda da iniciativa o Noite Torta, O Terno, Os Mojo Workers, Caio Falcão e o Bando e Luiza Lian.

O coletivo nasceu no estúdio Canoas, onde os grupos gravaram trabalhos, conta Victor Chaves, 23, do Terno. "Começamos a nos encontrar para organizar os lançamentos dos discos e pensar em projetos, em estratégias de divulgação e eventos", disse o músico em declaração ao jornal O Tempo, de Belo Horizonte.

Segundo Gabriel Milliet, 25, membro do Memórias e do Grand Bazaar, o coletivo nasceu da necessidade de encontrar novos modelos de gerir negócios, já que os músicos de hoje não têm amparo de gravadoras. "As respostas vão vir assim, com artistas se organizando para lançar seu material em pequenos grupos", afirmou ao mesmo jornal.

Em 29 de junho será realizado o primeiro festival Risco, com shows de O Terno, Luiza Lian, Memórias de um Caramujo, Charlie & Os Marretas e Mojo Workers. As primeiras crias do selo risco serão os álbuns "Rio Adentro", do Noite Torta, que sai em julho, seguido pelo segundo álbum do Terno, em agosto. Em maio deste ano saíram os discos "Charlie & Os Marretas", da banda homônima, e "Cheio de Gente", do Memórias.

O mais difícil de engolir é que algo parecido já existiu no meio underground paulistano, desde a criação do selo Baratos Afins até as pequenas gravadoras, em formato de cooperativas, que predominaram nos anos 90 entre as bandas de metal – como não lembrar da ótima Tumba Records, que apoiou muito o metal nacional?

Então por que essa cena morreu e teve de ser resgatada por por um grupo de bandas de um segmento aparentemente sem futuro, como o pop rock voltado para a MPB? Será que somente os visionários do Wikimetal, combo multimídia que se tornou gravadora, conseguirá manter a bandeira do underground viável dentro do rock pesado nacional?

Que a ideia do selo Risco dê muito certo e se torne um exemplo para o combalido metal nacional encontrar uma forma de gestão que consiga resgatar a qualidade e o respeito do público.

Sobre os Autores

Marcelo Moreira, jornalista, com mais de 25 anos de profissão, acredita que a salvação do Rock está no Metal Melódico e no Rock Progressivo. Maurício Gaia, jornalista e especialista em mídias digitais, crê que o rock morreu na década de 60 e hoje é um cadáver insepulto e fétido. Gosta de baião-de-dois.

Sobre o Blog

O Combate Rock é um espaço destinado a pancadarias diversas, com muita informação, opinião e prestação de serviços na área musical, sempre privilegiando um bom confronto, como o nome sugere. Comandado por Marcelo Moreira e Mauricio Gaia, os assuntos preferencialmente vão girar em torno do lema “vamos falar das bandas que nós gostamos e detonar as bandas que vocês gostam..” Sejam bem-vindos ao nosso ringue musical.
Contato: contato@combaterock.com.br